POLÍTICA
10/04/2019 00:00 -03 | Atualizado 10/04/2019 09:22 -03

45 tuítes que resumem os 100 primeiros dias de Bolsonaro no poder

O HuffPost Brasil analisou os principais fatos desde a posse do presidente brasileiro mais ativo no Twitter.

Montagem/Twitter/Reuters
Bolsonaro usa Twitter para ironizar a imprensa.

Como os primeiros 100 dias do governo de Jair Bolsonaro (PSL) poderiam ser descritos em um tuíte?

Imprensa, fake news, Previdência, ideologia, segurança pública.

Damares, Olavo, Mourão, Carlos, Flávio, Bebianno, Moro, Vélez.

O HuffPost Brasil analisou os principais fatos que aconteceram desde que tomou posse o presidente brasileiro mais ativo no Twitter.

E, a partir da repercussão dos eventos, montamos uma linha do tempo da plataforma eleita por Bolsonaro como seu principal canal de comunicação sobre ações do governo, nomeações e demissões. Uma continuação da forma como ele mobilizou apoiadores — e críticos — desde a sua campanha presidencial.

Os tuítes listados não são apenas de Bolsonaro, mas da cúpula de seu governo — ou de sua prole — que também são tuiteiros contumazes.

Acompanhe.

JANEIRO 

1. O presidente Jair Bolsonaro toma posse no dia 1º de janeiro de 2019, em Brasília.

2. Bolsonaro apresenta novo coordenador do Enem.

3. O presidente ironiza a cobertura da imprensa sobre a nomeação de Victor Nagem, seu amigo pessoal, para a gerência executiva da Petrobras. 

Posteriormente, Nagem foi reprovado na avaliação para assumir a gerência-executiva de Inteligência e Segurança Corporativa da estatal.

4. Relatório da Coaf indica que Flávio Bolsonaro recebeu 48 depósitos suspeitos em um mês, totalizando a quantia de R$ 96 mil.

5. O filho do vice-presidente Mourão se torna assessor do presidente do Banco do Brasil e triplica o salário.

6. Bolsonaro elogia prisão de Battisti.

7. Bolsonaro critica cobertura da imprensa sobre primeira quinzena do governo.

8. Bolsonaro defende projeto de posse de armas.

9. O presidente faz breve discurso em Davos, na Suíça. 

10. Brasil reconhece Juan Guaidó como presidente interino na Venezuela.

11. O deputado Jean Wyllys desiste de tomar posse em novo mandato na Câmara e deixa o Brasil por conta de ameaças. No mesmo dia, Bolsonaro tuíta: 

12. Os posts do presidente foram atribuídos a uma suposta celebração da decisão de Wyllys.

13. No entanto, Bolsonaro afirma que estava comemorando as reuniões em Davos.

14. Barragem da mineradora Vale rompe em Brumadinho (MG) deixando centenas de mortos.

FEVEREIRO

15. Incêndio em dormitório do centro de treinamento do Flamengo deixa 10 mortos.

16. O jornalista Ricardo Boechat morre em acidente de helicóptero, em São Paulo.

17. Bolsonaro posta argumentação da AGU contra a criminalização da homofobia. 

18. O ex-ministro Gustavo Bebianno foi o primeiro a deixar o governo. Ele foi exposto por Carlos Bolsonaro após afirmar que teria conversado com o presidente e que não existia “crise”. 

O governo enfrentou crise após denúncias de que o PSL estaria envolvido em casos de “candidaturas laranjas” em 2018, quando Bebianno presidia a sigla.

19. Bolsonaro anuncia “Lava Jato” da Educação.

20. Bolsonaro anuncia que a ministra Damares Alves vai fazer auditoria de benefícios concedidos às vítimas da ditadura. 

21. O presidente anuncia o pacote anticrime, do ministro Sergio Moro.

22. Brasil envia ajuda humanitária para a Venezuela.

23. O então ministro da Educação pede que diretores de escolas gravem alunos cantando o hino nacional e divulgando slogan do governo.

24. Sérgio Moro indica Ilona Szabó como suplente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP).

A indicação da cientista política gerou revolta entre os bolsonaristas e foi revogada.

MARÇO

25. Aos amigos, Carlos Bolsonaro afirma que não faz parte do governo. Aos inimigos, ele continua...

26. Bolsonaro defende que Congresso aprove legislação que ampare policial que matar durante exercício da profissão.

27. Olavo de Carvalho, ideólogo do governo, faz críticas aos posicionamentos do vice Mourão.

28. Bolsonaro divulga vídeo pornográfico para criticar o Carnaval.

Reprodução

29. Bolsonaro questiona: 

Reprodução

Após polêmicas sobre o uso do Twitter pelo presidente, os posts foram deletados da conta oficial. No entanto, a plataforma de checagem Aos Fatos desenvolveu uma ferramenta em que é possível acompanhar todos o tuítes do presidente, inclusive os apagados.

30. Jair Bolsonaro celebra Dia da Mulher, exaltando “estas joias raras”.

31. Bolsonaro usa Twitter oficial para espalhar notícias falsas.

Dando continuidade à estratégia de ataque à imprensa, o presidente usou uma informação falsa para atacar a jornalista Constança Rezende, do jornal O Estado de S.Paulo. Em seu perfil no Twitter, o presidente atribuiu falsamente à repórter a declaração de que teria intenção de “arruinar Flávio Bolsonaro″ e buscar o impeachment do presidente.

A frase teria sido dita pela jornalista, segundo a denúncia de um jornalista francês que é citado pelo Terça Livre, site bolsonarista que dissemina fake news.

Contudo, o site francês Mediapart, que é creditado pelo site bolsonarista, desmentiu a informação.

“As informações publicadas no ‘club de Mediapart’, que serviram de base para o tuíte de @jairbolsonaro, são falsas”, publicou o site francês.

32. O presidente afirma que proposta de reformar a Previdência vai “aliviar os mais pobres”. 

33. Bolsonaro presta homenagem ao atentado ocorrido em escola de Suzano (SP).

34. Bolsonaro viaja aos Estados Unidos e se encontra com o presidente Donald Trump.

35. Bolsonaro diz que reforma da Previdência dos militares ainda não foi fechada.

36. Governo incentiva celebração da ditadura militar, a qual chama de “Revolução de 1964”. No Twitter, Bolsonaro republica fala de Roberto Marinho, da Globo, feita durante o final do regime.

37. Bolsonaro chama de fake news notícia de demissão do ministro da Educação.

38. Bolsonaro afirma que País tem melhor saldo de empregos.

O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, anunciou que o mercado de trabalho brasileiro criou 173.139 empregos com carteira assinada em fevereiro, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

ABRIL

39. Após troca de farpas com Rodrigo Maia, presidente da Câmara, sobre negociação da reforma da Previdência no Congresso, Bolsonaro recebe parlamentares para reuniões.

40. O presidente elogia ação de PMs que matou 11 bandidos em Guararema (SP).

41. Governo anuncia fim do horário de verão.

42. Bolsonaro celebra acordos firmados em viagem a Israel.

43. O ministro Sergio Moro compartilha conta oficial no Twitter.

44. Bolsonaro ironiza pesquisa Datafolha que mostra que ele  teve a pior avaliação entre presidentes de 1º mandato.

45. Bolsonaro comunica demissão do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez.

A análise dos tuítes de Bolsonaro indica que o presidente brasileiro já foi capaz de superar o presidente americano no uso do Twitter.

No início de 2017, o mundo foi surpreendido quando o presidente dos Estados Unidos Donald Trump começou a usar sua conta pessoal na rede para “despachar”, antecipando decisões nem sempre fechadas com todos os órgãos envolvidos no tema em questão ou gerando atritos internacionais com declarações irresponsáveis.

No Brasil, Bolsonaro adotou a mesma prática e não demonstra ter intenção de diminuir o ritmo das tuitadas.