COMIDA
01/07/2019 14:12 -03

Como carboidratos ajudam a aumentar gordura abdominal, segundo especialistas

Estudos mostram que gordura abdominal está relacionada ao risco de doenças cardiovasculares e diabetes.

d3sign via Getty Images

Se você se incomoda com as famosas “gordurinhas” na região da barriga, certamente já tentou fazer dietas, abdominais e outros exercícios que prometem “derreter a gordura”. Porém, para especialistas, a solução pode estar em seu prato ― ou melhor, fora dele. 

Carboidratos, presentes nos pães, massas, biscoitos e bolos, são macronutrientes essenciais para o funcionamento do nosso corpo, responsável por nos dar energia, além de serem uma delícia. Porém, em excesso, pode ter uma grande contribuição para o acúmulo de gordura abdominal. 

“Se você comer qualquer tipo de macronutriente em excesso, vai causar ganho de peso”, alertou o médico e nutricionista Robert Milanes ao site Popsugar. Mesmo assim, o médico explica que carboidratos em excesso têm um risco particular para quem quer emagrecer ou perder gordura abdominal. 

Quando ingerimos carboidratos, eles são quebrados e transformados em glicose, que pode ser usada como fonte de energia em nossas células, tecidos e órgãos.

O problema é quando consumimos o macronutriente em excesso, e nosso corpo não precisa de tanta energia. A glicose vai ser inevitavelmente estocada como gordura, para depois ser convertida em glicogênio caso o corpo precise de energia novamente.

“Quando comemos carboidratos, os níveis de insulina aumentam”, explicou a nutricionista Aastha Kalra. A insulina é o hormônio encarregado de levar a glicose para dentro das células, assim como de armazenar gordura. Se você comer mais carboidratos do que o necessário, a glicose não terá para onde ir e será armazenada como gordura, principalmente na região abdominal. 

Além disso, uma dieta rica em carboidratos pode acarretar em uma resistência à insulina, sinal de alerta para diabetes tipo 2. Pesquisas mostram que gordura localizada no abdomen é considerada um fator de risco para diversas doenças cardiovasculares e diabetes. 

Segundo o HCor, Hospital do Coração, a gordura abdominal que pode comprometer a saúde é quando a medida da cintura ultrapassa os 88 cm em mulheres e 102 cm nos homens. 

“A gordura abdominal é responsável, também, por causar o aumento da gordura no fígado, e frequentemente está associada com hipertensão arterial e aumento da viscosidade do sangue”, acrescentou o cardiologista e supervisor da Cardiologia do HCor, Ricardo Pavanello.

Carboidratos: comer ou não comer? 

Como já foi dito, carboidrato é fundamental para o bom funcionamento do corpo. “Eles são a principal fonte de energia para o nosso corpo”, lembrou a nutricionista Gabby Geerts ao MedicalDaily. A questão é não exagerar nas massas e escolher o carboidrato ideal. 

Existem dois tipos de carboidratos:  os simples (presentes nas farinhas “branca” e em comidas processadas) e os complexos, que são grãos integrais. Enquanto o primeiro é rapidamente convertido em açúcar e digerido em pouco tempo, o segundo tem mais fibras e nutrientes, o que dá maior saciedade, evita pico glicêmico e, portanto, previne o estoque de gordura. 

O ideal, segundo nutricionistas, é trocar carboidratos simples (como pão branco) pelos complexos (como pães e massas integrais), além de dar uma atenção especial aos vegetais e frutas, que apesar de terem carboidratos, são ricos em fibras, minerais e outros nutrientes. 

No entanto, isso não quer dizer você tenha que banir completamente os carboidratos simples. Pelo contrário: alimentação não é só sobre nutrição, mas também é uma questão afetiva e social. Se permita a viver momentos com familiares e amigos, e sair para comer desde uma saladinha até um pratão de macarronada. A moderação ainda é a melhor dieta.