ENTRETENIMENTO
13/10/2019 10:00 -03 | Atualizado 15/10/2019 22:52 -03

'A TV está acabando com a própria TV', diz diretor de marketing da Globosat

Manuel Falcão defende que conteúdos prescindem formatos tradicionais no mercado de televisão em transformação.

Divulgação/Globosat
Diretor de marketing da Globosat, Manuel Falcão aposta em inovação, diversidade e escuta do público brasileiro.

A Globosat, hub de marcas de referência do Grupo Globo como Multishow, GNT e VIVA, aposta na força do conteúdo para atravessar este momento de transformação da comunicação. Na visão da empresa, o antigo conceito de televisão ficou para trás há muito tempo. Por isso, diante da influência das mídias digitais e redes sociais, a prioridade é abraçar o movimento “TV é o que você quiser”.

“A TV está acabando com a própria TV. A TV cresceu e é muito mais que um device ou forma de consumir”, explica o diretor de marketing da Globosat, Manuel Falcão. “É um processo de ressignificação para mostrar que o formato não importa quando o conteúdo é forte e relevante.”

Estudo da plataforma Gente, da própria Globosat, mostra que 92% dos brasileiros assistem televisão. E tanto canais no YouTube quanto perfis no Instagram conquistam mais seguidores e aumentam índices de engajamento quando influenciadores são expostos em programas televisivos.

Com essa compreensão do mercado de TV em transformação e o investimento em constantes inovações, a Globosat não se intimida com a chegada de players internacionais no Brasil, tais como Amazon Prime e Disney+, além da consolidação da Netflix. 

Para Manuel Falcão, priorizar a escuta do público brasileiro e pesquisar sobre o comportamento da audiência por aqui são diferenciais da Globosat. “Todo esse investimento em conhecimento nos assegura um lugar diferente desses players internacionais que estão chegando ao Brasil. É só olhar a repercussão das nossas novelas e como o VIVA segue sendo um tremendo sucesso de audiência”, compara.

Leia a íntegra da entrevista:

HuffPost: O que é exatamente o conceito “TV é o que você quiser”? A Globosat quer implementar um sistema de curadoria mais personalizado, como acontece na Netflix?

Manuel Falcão: Notamos que alguns mitos surgiram com relação ao consumo de conteúdo, principalmente depois que o digital ganhou força. A verdade é que as pessoas estão consumindo cada vez mais o nosso conteúdo. Quando o conteúdo é bom, ele dá resultado em qualquer plataforma, inclusive em todas elas ao mesmo tempo. Diante desse cenário, o movimento “TV é o que você quiser” surgiu de uma vontade nossa de questionar essas percepções e suposições em relação ao consumo de conteúdo. É um processo de ressignificação para mostrar que o formato não importa quando o conteúdo é forte e relevante. 

A TV está acabando com a própria TV. A TV cresceu e é muito mais que um device ou forma de consumir. O nosso conteúdo está lá: engajando, sendo assunto no almoço, repercutindo no grupo da família e levantando discussões importantes na sociedade. Temos as melhores marcas, os maiores talentos e os maiores sucessos, o nosso meio é o conteúdo. Essa é a força e a responsabilidade que temos: ampliar conversas, derrubar as barreiras e produzir algo que não se restrinja a tela ou plataforma. O conteúdo é líquido e fluido e quem escolhe a primeira janela de exibição é o consumidor. 

Em termos de curadoria personalizada, o algoritmo de recomendação, por exemplo, é um aparato tecnológico que também estamos desenvolvendo para facilitar a experiência do usuário com as nossas marcas. Temos hoje no Grupo Globo uma área inteira dedicada em UX Design (User Experience), pensando na melhor navegabilidade do nosso público. Mas quando a questão tecnológica se equipara o que resta? Conteúdo. E isso nós sabemos fazer. Nós conhecemos os brasileiros porque somos brasileiros e entendemos que o nosso conteúdo deve alcançar as diferentes realidades que existem no nosso país.

Sempre tratamos a diversidade como tema fundamental e fonte de criatividade e oportunidades.

Aliás, como fica a Globosat em ambiente extremamente competitivo que está em vias de se tornar uma realidade com a chegada de concorrentes pesados além da Netflix, como Amazon Video (via Amazon Prime), Disney+, Apple TV+ e HBO MAX?

Hoje em dia o consumidor tem muitas opções e isso só vai aumentar. Fato! Temos que fazer a nossa parte oferecendo a melhor experiência, que combina um bom conteúdo com acesso rápido e conveniente. Isso porque nunca foi tão desafiador e estimulante produzir conteúdo como hoje em dia. Você tem a obrigação de fazer algo forte, relevante e original. Mas como se tornar realmente interessante para o consumidor? É por meio do poder da escuta. Você precisa entender realmente quem é o seu público. E para isso, é necessário perguntar, ouvir, trocar e compartilhar com ele. 

Nesse quesito, a Globosat tem um grande diferencial: nós sempre estudamos muito os brasileiros e os seus gostos. Ao longo dos anos, nossos canais realizaram diversos estudos, muitos deles acompanhados de institutos reconhecidos, para eliminar os estereótipos e ideias erradas sobre determinado público-alvo. Estudamos os comportamentos das novas gerações, de que forma os fãs de futebol se relacionavam com as partidas, toda a mudança envolta do gênero feminino e até como as pessoas consumiam pornografia. Mais recentemente, decidimos colocar esses estudos à disposição da sociedade, na plataforma Gente, que é aberta e livre para qualquer usuário. 

Todo esse investimento em conhecimento nos assegura um lugar diferente desses players internacionais que estão chegando ao Brasil. É só olhar a repercussão das nossas novelas e como o VIVA segue sendo um tremendo sucesso de audiência. E isso só tende a aumentar as possibilidades com as produções que estamos cada vez mais fazendo em parceria com o Globoplay.

Falando em conteúdo, o que a Globosat oferece de inovador em comparação a essas plataformas de TV estrangeiras?

Antes de se tornar uma das palavras mais em alta no mercado e na sociedade, a Globosat sempre tratou a diversidade como tema fundamental e fonte de criatividade e oportunidades. Se você olhar para o nosso portfólio de marcas, a diversidade está claramente lá: temos conteúdo para todos os gêneros, idades, interesses e gostos. Do jornalismo ao esporte, da novela ao filme, da série ao documentário, do infantil ao adulto, do ao vivo ao gravado. Nossas 32 marcas conseguem estar em qualquer conversa. Quando você olha para essas plataformas, por mais produtos e conteúdos oferecidos, é difícil localizar uma que consiga trafegar tão bem em todas as segmentações quanto a Globosat. 

Somos uma empresa que fala com pessoas, afinal são elas que escolhem o que vão ver. É assim que passamos verdade e nos conectamos com o público. E nessa ideia de conexão, outro ativo forte que temos são os nossos talentos e artistas. Para gente é muito importante que uma criança brasileira consiga crescer, por exemplo, assistindo ao Gloob e vendo um conteúdo feito por outras crianças brasileiras como o D.P.A — Detetives do Prédio Azul. Isso traz representatividade e identificação de uma maneira realmente genuína. Por mais que nossa cultura seja globalizada e tenha influências de outras ao redor do mundo, a gente entende a importância de fomentar, trabalhar e desenvolver o mercado audiovisual brasileiro. 

O conteúdo é líquido e fluido, e quem escolhe a primeira janela de exibição é o consumidor.

Plataformas como Netflix cada vez mais investem pesado em produções próprias. Quais são os planos da Globosat em relação a isso?

O brasileiro gosta de ouvir boas histórias, independentemente do gênero. Então, o investimento em produção nacional própria é um movimento natural do mercado. A nossa constante é continuar produzindo conteúdo relevante como fazemos desde que a Globosat foi criada. Temos que seguir evoluindo, inovando, usando inteligência de dados e fornecendo a melhor experiência ao usuário. O que vale no final é ter o melhor conteúdo. Ele é o meio para atender plenamente o consumidor. 

Os nossos planos já são vistos na prática: temos um volume enorme de produções acontecendo ao longo dos anos. Trabalhamos com diversas produtoras e parceiros justamente para criar e produzir os mais diversos gêneros de programação. Afinal, nunca se produziu tanto conteúdo como agora. E essa sempre foi nossa realidade. 

A Globosat é o espaço de maior inovação dentro do grupo Globo?

A Globosat é um hub de marcas que são referências dentro de suas áreas de atuação. Não dá para negar a nossa importância dentro do Grupo Globo, pois investimentos fortemente em produção nacional e somos curadores de conteúdo. A inovação e a transformação nos movem diariamente, pois entendemos que é preciso estar onde o público está. E, mais do que isso, é preciso ouvir, dialogar e trocar com o consumidor. 

Dessa maneira, a inovação está presente em cada cobertura jornalística feita pela GloboNews, nas transmissões de shows e festivais que acontecem no Multishow, em cada partida de futebol exibida pelo SporTV, nos programas de gastronomia do GNT e em cada conteúdo que aparece nas nossas diversas marcas. Temos orgulho da história que construímos até aqui e reconhecemos nossas conquistas, como a criação da VIU Hub, unidade de negócios digitais da Globosat, que veio para aproximar ainda mais o digital de tudo o que fazemos. 

Dentro do grupo, cada marca tem sua importância e relevância e nós estamos cada vez mais felizes com as possibilidades que estão surgindo da união e parceria dos diversos braços do Grupo Globo. Sem dúvidas veremos inovações e novas soluções em comunicação que mudarão o rumo do nosso mercado.