OPINIÃO
15/04/2019 08:05 -03 | Atualizado 15/04/2019 08:05 -03

A política e a gestão pública precisam de uma nova safra de estadistas

Dentro de um setor ainda muito aparelhado e engessado, implementar grandes mudanças é um desafio homérico para os líderes públicos que querem realmente fazer a diferença.

makyzz via Getty Images
A despeito da burocracia, novos líderes públicos devem buscar maior produtividade e eficiência.

A demanda por qualificação do funcionalismo público tem aumentado nos últimos anos em todos os níveis, sejam servidores, secretários, prefeitos ou governadores. A ideia de que o setor público é um campo puramente burocrático, pouco dinâmico e balcão de favores não sobreviverá frente a crescente demanda e vigilância da sociedade sobre os serviços públicos, acentuada pelo uso das redes sociais. Cada vez mais, aumenta a pressão para que o Estado se reinvente e responda de maneira mais efetiva a essas demandas, com políticas públicas inovadoras, serviços melhores e, principalmente, profissionais capazes de impulsionar essa evolução.

Segundo dados do IBGE, 50% da atividade econômica do Brasil está nas mãos do setor público. Adicionalmente, 70% dos brasileiros dependem do setor público para terem acesso a serviços básicos de saúde e educação. Frente ao cenário de arrocho nas contas públicas, os governos precisam buscar maior produtividade, eficiência e proximidade da sociedade. Dentro de um setor ainda muito aparelhado e engessado, implementar grandes mudanças é um desafio homérico para os líderes públicos que querem realmente fazer a diferença.

Nesse sentido, construir novos caminhos no governo requer não somente capacidade técnica, mas exige também preparo para liderar uma grande mudança de comportamento e cultura nas repartições públicas e na própria população.

O contexto atual para o setor público exige gestores que saibam fazer leituras do contexto político, construir soluções para os complexos problemas públicos e mobilizar e engajar a população nas entregas e mudanças necessárias. Hoje, diversas instituições ligadas ao desenvolvimento de gestores públicos estão atentas a esse novo perfil de líder público, entre elas o CLP – Liderança Pública. Há 6 anos lançamos o Master em Liderança e Gestão Pública – MLG, pós-graduação que já desenvolveu mais de 160 líderes públicos de todo o Brasil, entre eles prefeitos, secretários estaduais, municipais, técnicos dos 3 níveis de governo e líderes do terceiro setor e iniciativa privada que trabalham junto ao governo.

A maior preparação do gestor e consequente aumento da capacidade institucional do Estado de produzir resultados é uma demanda real e urgente da sociedade. Não à toa alguns governadores têm, inclusive, investido em realizar a pré-seleção profissional para nomeação de cargos de indicação política. A atual secretária de Educação de Goiás, Fátima Gavioli, é um exemplo simbólico da mudança de paradigma do setor público. Antes de assumir a pasta, participou e foi finalista da pré-seleção para secretária de Educação em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.

Mãe de 2 filhos, construiu a carreira como professora no estado de Rondônia e ampliou o currículo com inúmeros títulos de formação acadêmica, incluindo bacharel em Direito, mestrado em Letras e Pedagogia e pós-graduação em Liderança e Gestão Pública, o MLG. Fátima, no entanto, teve que enfrentar uma dura realidade até chegar aonde está. Durante sua trajetória acadêmica, trabalhou como doméstica por 7 anos em Cacoal, Rondônia, antes de conseguir se formar, entrar no magistério e se assumir o comando da Secretaria de Educação de seu estado. Atualmente, a rede pública goiana é líder nacional no Ensino Médio e no Ensino Fundamental II, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

A 887 quilômetros de Goiânia, em Londrina, a gestão pública ganhou mais um caso de profissional oriundo de processo profissional de pré-seleção. A secretária municipal de Educação, Maria Tereza Paschoal de Moraes, uma das vencedoras do Prêmio Espírito Público 2018, que premia a trajetória de servidores públicos que fizeram a diferença. Com o prêmio, Maria Tereza recebeu R$ 50 mil e uma viagem a Londres para uma troca de experiência com instituições públicas britânicas. Ela é servidora pública desde 2000 e assumiu a pasta em 2017, após ser aprovada no processo seletivo em primeiro lugar. Maria Tereza é bacharel em Direito pela Fundação Eurípedes Soares da Rocha e também pós-graduada em Liderança e Gestão Pública, pelo MLG.

Esses novos gestores públicos são essenciais para a manutenção das instituições democráticas do País e são eles que irão conceber e implementar as políticas públicas endereçadas aos reais problemas do Brasil. Gestão Pública e Política têm uma relação simbiótica, em que a política determina o foco e os parâmetros de atuação da gestão pública e esta torna real o discurso político. Em tempos de flutuações políticas, os servidores públicos assumem uma função ainda mais importante de manter o vínculo de confiança junto à população por meio do acesso, dos serviços e amparo que oferecem.

E esse é o perfil do “Novo Líder Público”, o verdadeiro estadista que compreende esse contexto e o seu papel na mudança de cultura tão necessária no nosso país, trabalha em prol do cidadão e investe em inovação, capacitação e qualificação profissional. Uma vez que um real legado para a sociedade é resultado da capacidade de liderança, do conhecimento técnico e uma gestão eficiente.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.