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22/04/2020 19:50 -03 | Atualizado 15/05/2020 12:30 -03

General Eduardo Pazuello é escolhido como número 2 do Ministério da Saúde

Militar fica no lugar de Gabbardo, médico nomeado por Mandetta como secretário-executivo da pasta.

O ministro da Saúde, Nelson Teich, anunciou nesta quarta-feira (22) o general Eduardo Pazuello como novo secretário-executivo do Ministério da Saúde. Ele fica no lugar de João Gabbardo, médico indicado pelo ministro anterior, Luiz Henrique Mandetta.

ATUALIZAÇÃO:O ministro Teich pediu demissão do ministério a menos de 1 mês no cargo. Bolsonaro passou a pressionar Teich para ampliar o uso da cloroquina no tratamento da covid-19, mesmo sem comprovação científica do medicamento.

O cargo é responsável pelo dia a dia operacional e a organização do esforço para combate à pandemia do novo coronavírus. Entre as atribuições estão distribuição de leitos e recursos para os estados, além da compra de material, como respiradores e máscaras.

“Nesses poucos dias que estou aqui, a impressão que eu tenho é que a gente tem que ser muito mais eficiente do que é hoje. A gente está falando de logística, de compra, de distribuição e ele é uma pessoa muito experiente nisso. É uma pessoa que vem trazer uma contribuição num momento em que a gente corre contra o tempo. Não só contra o tempo em relação à covid, mas em como o País vai ficar, como o sistema de saúde vai ficar”, disse Teich na primeira coletiva de imprensa desde que assumiu a pasta.

Nesta quarta, o ministro não citou qualquer número sobre as ações que são atribuições da pasta. “Só para fechar falando alguma coisa objetiva, a gente distribuiu respiradores para Ceará, Amazonas, Pernambuco e Rio de Janeiro”, disse Teich sem informar números dos equipamentos. 

Coube ao ministro da Casa Civil, Braga Netto, também general, anunciar a chegada da sexta carga de doações da Vale, que consiste em 2 milhões de máscaras para profissionais de saúde e 102 mil aventais hospitalares.

Já o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, também militar, afirmou que previsão é de que na próxima segunda-feira (27) chegue ao Brasil uma carga com 17 milhões de máscaras vindas da China.   

Alan Santos/PR
Pazuello ganhou projeção ao ficar responsável pela coordenação operacional da Força-Tarefa Logística Humanitária em Roraima, conhecida como Operação Acolhida,

Sai médico e entra militar

O novo número 2 do Ministério da Saúde formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras em 1984, assim como o presidente Jair Bolsonaro. Foi coordenador logístico das tropas do Exército nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. 

No governo atual, ganhou projeção ao ficar responsável pela coordenação operacional da Força-Tarefa Logística Humanitária em Roraima, conhecida como Operação Acolhida, relativa ao tratamento de imigrantes venezuelanos que buscam abrigo no Brasil.

Já Gabbardo, escolhido por Mandetta, é formado em medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi secretário municipal de Saúde em Santa Rosa (RS), quando o deputado Osmar Terra (MDB-RS) era prefeito. Também ocupou a gestão estadual de saúde, em 2015, e teve passagem anterior pelo ministério, no governo Fernando Henrique.

O secretário ficou conhecido pela presença nas coletivas de imprensa diárias da área técnica do ministério desde o início da epidemia. Elas foram suspensas na nova gestão e serão retomadas na próxima semana, de acordo com Teich.

Na última coletiva em que falou, na última quarta-feira (15), Gabbardo contou que conheceu Mandetta em dezembro de 2018, na época do governo de transição, quando recebeu o convite para ser o número 2 da pasta. Ele afirmou que deixará o governo com a saída do democrata. “Ano que vem completo 40 anos de Ministério da Saúde e não vou jogar no lixo meu patrimônio”, ressaltou.

Gabbardo prometeu, contudo, orientar uma eventual nova equipe, durante a transição. “Não vou abandonar o barco. Vou ficar no Ministério da Saúde durante todo o tempo necessário para fazer a transição porque tenho consciência de que a população espera uma continuidade desse trabalho”, disse.

EVARISTO SA via Getty Images
"É impossível um país sobreviver um ano, um ano e meio parado”, disse ministro da Saúde, Nelson Teich. 

‘País não sobrevive um ano, um ano e meio parado’

Apesar de ao menos três estados terem atingido 100% da ocupação de leitos, o novo ministro voltou a defender a flexibilização do isolamento social, mas sem detalhar medidas. Esse tipo de ação é usada parar frear o ritmo de contaminação do vírus e evitar um colapso do sistema de saúde. 

De acordo com Teich, na próxima semana será apresentado um modelo de trabalho para servir de parâmetro a estados e municípios. Ele afirmou que a pasta irá atuar em três vertentes: informação, infraestrutura e diretrizes para regular o isolamento.

De acordo com o ministro, “se existe o conceito de que você tem que ter 70% da população [com] contato com a doença para que seja imune e vacina vai levar talvez um ano, um ano e meio” e “se você não tem um crescimento explosivo da doença, que não está acontecendo no Brasil, a gente talvez nem chegue nesse número [de 70%] antes da vacina. Isso pode levar um ano, um ano e meio. É impossível um país sobreviver um ano, um ano e meio parado”, disse, em referência à ideia de imunidade coletiva, questionada por parte da comunidade científica.

Nesta quarta-feira, o número de casos confirmados da covid-19 no Brasil chegou a 45.757 com 2.906 mortes, segundo o Ministério da Saúde. Estimativas de pesquisadores, no entanto, acreditam que o alcance do vírus no País seja até 15 vezes superior a esses dados.