POLÍTICA
21/01/2019 15:38 -02

Primeiro general no comando do País em 34 anos, Mourão governa na ausência de Bolsonaro

Presidente em exercício diz que investigações de Flávio Bolsonaro não são problema do governo.

EVARISTO SA via Getty Images
Presidente em exercício diz que investigações de Flávio Bolsonaro não são problema do governo.

Pela primeira vez desde 1985, quando João Figueiredo deixou a presidência com o fim da ditadura militar, o comando do País está nas mãos de um general - por 5 dias.

O vice-presidente, ogeneral da reserva Hamilton Mourão, assumiu o governo com a viagem do presidente Jair Bolsonaro ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. A transmissão de cargo foi feita na noite do último domingo (20), em uma cerimônia simbólica, e Mourão segue no cargo até a próxima sexta-feira (25).

Mourão se reuniu nos últimos dias com Bolsonaro e assessores e não deve assinar decretos na ausência do titular, mas focar em procedimentos administrativos.

O período também servirá de “treinamento” para uma temporada maior à frente do País, quando Bolsonaro passará por uma nova cirurgia. O procedimento para a retirada da bolsa de colostomia de Bolsonaro está marcado para a próxima segunda-feira (28), e o tempo de recuperação do presidente pode variar de 1 a 2 semanas.

Neste período, a Câmara e o Senado farão as eleições da presidência das duas Casas, o que é central para a aprovação de propostas do governo, como a reforma da Previdência. Não foi definido ainda, contudo, se Bolsonaro ficará fora do comando do País durante todo esse período.

 

Reforma para militares e Flávio Bolsonaro

Em seu primeiro dia à frente da Presidência, Mourão disse que estão sendo discutidas mudanças na aposentadoria das Forças Armadas, como aumento do tempo na ativa (de 30 para 35 anos) e recolhimento da contribuição de 11% sobre a pensão recebida por viúvas. Segundo ele, seriam mudanças “positivas”. 

Novos ministros que são militares, no entanto, sempre defenderam que o setor ficasse fora das mudanças de uma futura reforma da previdência

Ainda na manhã desta segunda (21), Mourão repetiu, em entrevista à Rádio Gaúcha, que as investigações de lavagem de dinheiro envolvendo o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, não atingem o Palácio do Planalto. “Trata-se apenas, óbvio, de um filho de um presidente. Isso cria algum problema familiar, mas não para o governo”, disse.

 

Agenda do presidente

Apesar de estar como presidente em exercício, o general continua despachando do gabinete da vice-presidência, procedimento diferente dos seus antecessores.

Na tarde desta segunda (21), ele se reúne com os embaixadores da Alemanha, Georg Witschel, e da Tailândia, Susarak Suparat. A agenda também inclui encontros com o engenheiro Miguel Angelo da Gama Bentes, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), e o coronel Hélcio Bruno de Almeida, especialista na área de defesa e de combate ao terrorismo.

Na terça-feira (22), está programada uma viagem ao Rio de Janeiro para a passagem de comando do 2º Regimento de Cavalaria de Guarda do Exército.

O vice não participou de uma reunião do presidente com ministros no Palácio da Alvorada no último domingo. Ele também estava ausente no encontro da cúpula do governo no fim de semana anterior.

Pela manhã desta segunda-feira (21), no Twitter, o general da reserva disse se sentir honrado com a missão de comandar o país nestes dias.

 

Vice já defendeu intervenção militar

Filiado ao PRTB em 2018, o Hamilton Mourão ganhou projeção em 2015, devido a declarações durante a crise política que levou ao impeachment de Dilma Rousseff. Ele fez críticas a políticos e convocou militares para  “o despertar de uma luta patriótica”.

A declaração levou o então comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, a transferir o general do comando Militar do Sul, para a Secretaria de Economia e Finanças do Exército, em Brasília, um cargo burocrático.

Em 2017, ele foi afastado do cargo após criticar o então presidente, Michel Temer. Ele passou a trabalhar então na Secretaria-Geral do Exército. No mesmo ano, ele também defendeu uma intervenção militar no comando do País.

Durante a campanha eleitoral, Mourão também provocou controvérsias, como ao dizer que famílias pobres “sem pai e avô, mas com mãe e avó” são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra para atividades criminosas.

Neste ano, o vice chamou atenção após o filho Antonio Hamilton Rossell Mourão ser promovido a assessor da presidência do Banco do Brasil, o que triplicou seu salário. O pai disse que a decisão foi por mérito.