OPINIÃO
22/07/2019 10:11 -03 | Atualizado 22/07/2019 13:45 -03

5 verdades incômodas sobre a gayfobia nas críticas dentro da comunidade LGBT

Artigo publicado no HuffPost afirmou que "homem gay odeia a diversidade"— uma redução da realidade de milhões de pessoas aos usuários de app de pegação.

Baluchis via Getty Images
Articulista defende que há preconceito contra homens gays dentro da comunidade LGBT.

Este texto é uma resposta ao artigo 5 verdades incômodas que aprendi trabalhando num app de pegação gay, publicado pelo HuffPost Brasil no dia 18 de julho.

1. A gayfobia como estratégia política de poder.

Ativistas do movimento LGBT já há alguns anos têm promovido hostilidades e gayfobia contra a comunidade homossexual masculina. Fazem isso para disputar espaço político, dinheiro e poder em ONGs, partidos, coletivos, diretórios.

A retórica empregada favorita consiste em traçar falsas equivalências com os heterossexuais na sociedade mainstream ou ressaltar aspectos negativos da individualidade humana, atribuindo-os generalizadamente a todos os gays do mundo.

2. Os usos e abusos da generalização falaciosa.

Belo exemplo disso são as artigos sobre gays veiculadas em sites como o HuffPost Brasil, em que homens homossexuais são acusados de estragar o carnaval por serem “bombados”, “drogados”, “viciados em cocaína”. Os números são vagos, a fonte dos números é nenhuma, mas sempre para “mais”. Esses gays são a “maioria” em todos os casos.

3. A evidência anedótica disfarçada de problematização.

Quando o artigo 5 verdades incômodas que aprendi trabalhando num app de pegação gay descreve os aplicativos para homens que procuram homens como ″gay″, ele omite que um número insuspeito de usuários não é de fato ″gay″, nem se reconhece como ″gay″, mas são ″⁣HSH″ (homens que fazem sexo com outros homens)⁣. Ao basear-se no seu relato anedótico para afirmar que ″⁣gays odeiam a diversidade″⁣, o artigo reduz a realidade de milhões de pessoas, etnicamente e culturalmente diversificadas, aos usuários de um aplicativo de pegação. Ignora também os nichos de consumo erótico voltados exclusivamente para homens gordos, homens mais velhos, homens magros, homens femininos etc.

4. O problema do relato seletivo.

Na ocasião em que duas mulheres lésbicas arrancaram o pênis de um garotinho e após inúmeras torturas, o mataram, ninguém no movimento LGBT problematizou a violência no ″meio lésbico″. Para o grande comboio de ativistas sociais LGBT, é muito inequívoco que a lesbianidade das criminosas não tinha relação alguma com o crime. Entretanto, quando gays praticam algum crime ou ações consideradas ″politicamente incorretas″, aquele crime e aquelas ações são via de regra as ″ações de toda a comunidade gay masculina″.

5. O falso apelo à ″união″: Dissidência e Ruptura.

Todos nós seres humanos somos cheios de defeitos, alguns passíveis de correção. E isso inclui, naturalmente, os homens gays. Mas isso inclui também pessoas transgênero, bissexuais, mulheres, travestis, lésbicas etc. Ninguém é santo e iluminado apenas por fazer parte de alguma minoria estigmatizada.

Porém, ao fingir deliberadamente que estão tentando ″corrigir″ os gays ″problemáticos″ e além disso, apelando para a ″união″ de todas as ″LGBT″⁣, empregando táticas de demonização, tais pessoas na realidade estão alargando um fosso já existente e tornando-o intransponível.

Este artigo é de autoria de articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Assine nossa newsletter e acompanhe por e-mail os melhores conteúdos de nosso site.