'Gabriela Pugliesi cancelada' é resultado de uma sequência de situações polêmicas

"Se a intimidade com a audiência fosse diferente, ela talvez tivesse contornado de uma maneira tranquila", explica a pesquisadora Issaaf Karhawi.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, em que autoridades de saúde do mundo inteiro pedem para que as pessoas fiquem em casa, a influenciadora digital Gabriela Pugliesi resolveu dar uma festa em casa para poucos amigos. Não contente, ela e seus amigos resolveram registrar tudo nas redes sociais.

Tudo pegou muito mal. Milhões de pessoas não gostaram do desrespeito com a situação em que estamos vivemos e no dia seguinte ela foi obrigada a pedir desculpas para seus seguidores.

A própria Pugliesi publicou fotos da festa no seu instagram e depois apagou.
A própria Pugliesi publicou fotos da festa no seu instagram e depois apagou.

Mesmo assim a audiência não aceitou o que ela tinha para dizer, e Gabriela acabou sendo cancelada pelas redes sociais. Em consequência, ela desativou o perfil no Instagram. A situação foi além da reação negativa da audiência, pesou no bolso e mais de dez marcas quebraram contratos com a influenciadora.

Para discutir essa situação e a repercussão no mercado e na forma como nós levamos em conta o que os influenciadores têm a dizer, nós conversamos com a professora e pesquisadora e doutora pela USP Issaaf Karhawi no perfil do HuffPost Brasil no Instagram.

A especialista explicou que existe uma cartilha de como lidar com uma crise quando marcas, empresas e organizações precisam se posicionar. Mas quando um influenciador se envolve em um problema do tipo é preciso lembrar que estamos falando de uma pessoa, e ela explica que Gabriela foi cancelada por uma série de fatores.

“Crise não é só a bomba que estoura no dia, crise é construção. Foi uma construção de vários momentos da Gabriela Pugliesi de produção de conteúdo e exposição a situações mais ou menos polêmicas até chegar neste momento, em que quando ela pede desculpas, ninguém aceita e ela é cancelada. Talvez se o caminho de construção de intimidade com a audiência fosse diferente, ela talvez tivesse contornado isso de uma maneira mais tranquila.”

Quando perguntamos se esse escândalo pode gerar uma mudança no mercado de influenciadores, Isaaaf apresenta uma visão otimista: “eu sou muito positiva em relação ao mercado e ao mesmo tempo crítica”.

“Acredito que é preciso pensar na responsabilidade, independente de pandemia, senão o mercado não vai conseguir andar, muita gente vai ficando pra trás. Senão a gente vai viver esses momentos de cancelamento cada vez mais.”

Para a pesquisadora, o comportamento de Pugliesi “foi muito infeliz, em um momento muito complicado que tomou proporções absurdas”. “Mas eu acho que a cultura do cancelamento reflete um pouco a inabilidade que a gente tem de lidar com essa nova avalanche de informações”, completa.

Ela explica que a cultura do cancelamento também reflete um pouco a dinâmica do nosso próprio comportamento digital, que “tem nos colocado em bolhas informativas e despertado em nós um comportamento muito binário, do certo e do errado, do dentro e do fora. E isso vai levando a essa cultura do cancelamento”.

Para 'resolver' esta crise, Gabriela Pugliesi apagou seu perfil do Instagram.
Para 'resolver' esta crise, Gabriela Pugliesi apagou seu perfil do Instagram.

A doutora pela USP Issaaf Karhawi também lembra que tudo bem se um dia você gostou da Gabriela Pugliesi ou se decepcionou com ela ou outros famosos digitais.

“Tá tudo certo a gente seguir quem a gente quiser seguir. A gente segue pessoas diferentes por razões diferentes e está tudo bem. Não tem juízo de valor nisso, não tem influenciador certo e errado. Existe aquela pessoa que todo mundo define que é ou não importante de acompanhar. Mas é sempre momento de rever, a gente tem uma infinidade de influenciadores para seguir.”

Para ver esses e outros tópicos da nossa conversa, veja abaixo o Papo Huff Post na íntegra: