POLÍTICA
17/01/2019 13:16 -02 | Atualizado 17/01/2019 13:44 -02

STF freia investigação de Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro

Ex-motorista é investigado por movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão. Tanto Queiroz quanto Flávio faltaram aos depoimentos no Ministério Público.

Reuters

O Ministério Público do Rio de Janeiro informou nesta quinta-feira que a investigação sobre movimentações financeiras atípicas de ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) está suspensa, devido a uma decisão cautelar do Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação em torno de Fabrício Queiroz está suspensa, segundo o MPRJ, até um pronunciamento do relator da reclamação que gerou a suspensão.

O pedido de suspensão do procedimento foi apresentado pelo advogado de Flávio Bolsonaro, deputado estadual, senador eleito e filho do presidente Jair Bolsonaro, ao Supremo na quarta-feira. Ele foi distribuído para o ministro Luiz Fux, que está exercendo interinamente a presidência do STF.

Foi Fux que concedeu a liminar, cujo teor está sob segredo de Justiça, ainda na quarta-feira (17).

 

Caso Queiroz

De acordo com as investigações do Coaf, Queiroz, que foi lotado no gabinete de Flávio como motorista, fez movimentações financeiras suspeitas no valor de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017. As transações foram consideradas atípicas devido aos rendimentos de Queiroz. Na época, ele recebia da Alerj um salário de R$ 8.517 e acumulava rendimentos mensais de R$ 12,6 mil da Polícia Militar.

Entre as movimentações suspeitas está um cheque de R$ 24 mil para Michelle Bolsonaro, primeira-dama. De acordo com o presidente, o valor refere-se ao pagamento de uma dívida.

Em entrevista ao SBT, Queiroz disse que “fazia dinheiro” com a compra e revenda de carros, mas afirmou que só prestaria esclarecimentos detalhados à Justiça.

O amigo da família Bolsonaro faltou a 2 depoimentos marcados em dezembro. Na segunda vez, o advogado informou que ele “precisou ser internado na data de hoje para realização de um procedimento invasivo com anestesia, o que será devidamente comprovado, posteriormente, através dos respectivos laudos médicos”, segundo nota do MP.

Os depoimentos que Queiroz não compareceu por razões médicas seriam nos dias 19 e 21 de dezembro. No dia 26 de dezembro ele deu uma entrevista exclusiva de 22 minutos ao SBT.  

No último fim de semana viralizou um vídeo que mostra Queiroz dançando no hospital enquanto toma soro. Ele foi internado no dia 30 de dezembro no hospital Albert Einstein para o tratamento de um câncer no intestino, e recebeu alta no último dia 8. 

Segundo o advogado do ex-assessor, Paulo Klein, a gravação foi feita na noite do dia 31 de dezembro, horas antes de ser submetido a uma cirurgia, “inclusive com risco de morte”.

Filhas de Queiroz, Nathalia e Evelyn Queiroz também faltaram a um depoimento marcado pelo MP no último dia 8 sob o argumento de que estavam acompanhando Queiroz no hospital. Elas também são citadas no relatório do Coaf.  

Convidado para depor no caso, o senador eleito Flávio Bolsonaro se recusou a comparecer no Ministério Público do Rio de Janeiro. Em sua página no Facebook, o filho do presidente Jair Bolsonaro afirmou que pediu uma cópia do processo e irá agendar dia e horário para apresentar os esclarecimentos ao MP. ″Reafirmo que não posso ser responsabilizado por atos de terceiros, como parte da grande mídia tenta, a todo custo, induzir a opinião pública”, escreveu.