NOTÍCIAS
22/01/2019 18:06 -02

Cinco frigoríficos brasileiros são barrados pela Arábia Saudita

Retaliação por causa da decisão de mudar embaixada brasileira em Israel não é descartada.

ANTHONY WALLACE via Getty Images

No dia em que o presidente Jair Bolsonaro disse, em discurso no Fórum Econômico de Davos, que pretende “aprofundar as relações comerciais” do Brasil com outros países, 5 frigoríficos brasileiros foram barrados pela Arábia Saudita, o maior importador da carne de frango do País.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) confirmou nesta terça-feira (22) que a Arábia Saudita manteve a exportação de apenas 25 das 30 plantas frigoríficas que embarcam produtos efetivamente para o exterior - há, no entanto, 58 habilitadas pelo Ministério da Agricultura brasileiro para exportar. 

Segundo a ABPA, as razões informadas para a não autorização das demais plantas habilitadas “decorrem de critérios técnicos”. “Planos de ação corretiva estão em implementação para a retomada das autorizações”, disse a associação em nota.

Não se descarta, no entanto, que a ação já seja uma retaliação do país árabe à defesa de Bolsonaro da mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

Sauditas e israelenses sempre tiveram uma relação complicada. Recentemente, no entanto, um inimigo comum - o Irã - fez com que os dois países admitissem conversas.

Em todo o ano de 2018, a Arábia Saudita importou mais de US$ 2 bilhões em produtos do Brasil - só em carne de frango, foram 486,4 mil toneladas (12% do total exportado). Israel, por sua vez, importou US$ 321 milhões do Brasil no ano passado.

Entre as plantas frigoríficas barradas pelos sauditas estão algumas da BRF e da JBS. Segundo a ABPA, a associação está em contato com o governo para que, “em tratativa com o Reino da Arábia Saudita, sejam solvidos os eventuais questionamentos e incluídas as demais plantas”.

“Além disto, as plantas que hoje não estão habilitadas contarão com o apoio do Ministério para obter a autorização para exportar a este mercado”, diz a nota da associação.