ENTRETENIMENTO
20/05/2020 12:44 -03 | Atualizado 20/05/2020 17:51 -03

A breve (e bizarra) passagem de Regina Duarte pela Cultura resumida em 9 frases

"Fiquem leves" e "o pum do palhaço" são apenas algumas das muitas pérolas da atriz como secretária da Cultura.

Pouco mais de dois meses. Essa foi o quanto durou a passagem de Regina Duarte como secretária de Cultura do governo Bolsonaro. De prático, a atriz - famosa por protagonizar algumas das mais marcantes novelas da TV brasileira - deixou mesmo foram suas frases de efeito que confundiam mais que explicavam.

Por isso, contamos sua história como chefe da pasta da Cultura resumida em frases que conseguiram o feito de gerar espanto, riso, revolta, indignação e repulsa, tudo ao mesmo tempo.

Veja aqui:

Lá em 2017, ainda no governo Temer, quando se discutia a extinção do ministério da Cultura, Regina já dava das suas. Era o período da paquera.

“Se o país está ‘em coma’, não entendo a insistência no auto-engano de achar que a Cultura pode se safar, sadia, do desconserto geral que nos abateu . Na teoria (linda!) a prática é outra (dolorida). Sou a favor da ideia de manter a Cultura internada no ‘Hospital’ da Educação. Depois da possibilidade de ‘alta’, vamos ver o que pode ser melhor pra ela e pra todos nós, brasileiros.”

Corta para janeiro de 2020, quando ela iniciou uma conversa com o presidente Bolsonaro para substituir Roberto Alvim como secretária da Cultura. Detalhe, Alvim foi demitido a contragosto pelo presidente por um pronunciamento fazendo cosplay de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda da Alemanha nazista. 

O status do relacionamento de Regina agora havia mudado. 

“Nós vamos noivar, vou ficar noiva, vou lá conhecer onde eu vou habitar, com quem que eu vou conviver, quais são os guarda-chuvas que abrigam a pasta, enfim, a família. Noivo, noivinho.”

Como todos sabem, noivado dá em... Pum do palhaço. Pelo menos foi assim que a “namoradinha do Brasil” descreveu sua alegria ao assumir a pasta da Cultura.

“Falo desse caldo de cantos, danças, brincadeiras de roda, papagaio, pipa no céu, palavrão,  tatuagem, arroz com feijão, farofa de mandioca, pastel de feira, pão de queijo, caipirinha de maracujá, chimarrão, culto, missa das dez, desafio repentista, forró, e aquele pum produzido com talco espirrando do traseiro do palhaço e fazendo a risadaria feliz da criançada. Cultura é assim, é feita de palhaçada.”

NurPhoto via Getty Images
Tem goiabada? Tem sim, senhor! Regina Duarte em seu discurso de posse como secretária da Cultura do governo Bolsonaro.

Aí veio aquele post no Instagram... Ao ser, finalmente, empossada como a nova secretária da Cultura, Regina Duarte publicou em sua conta da rede social um apanhado de fotos de artistas famosos que, segundo ela, a apoiavam.

É, mas nem tudo que se passa dentro na cabeça dela acontece no mundo real, e artistas retratados no post foram pedindo para que Regina retirasse suas fotos, que ela postou sem autorização. Eles argumentaram que apenas tinham mandando votos de uma boa gestão e não a apoiavam. Até Maitê Proença, que divide algumas opiniões semelhantes às de Regina, não gostou.

Regina ficou magoada com Maitê. Mas não fazia ideia que a eterna Dona Beija voltaria a assombrar seu breve reinado na pasta da Cultura...

Ah, o post original com as fotos de seus “apoiadores” famosos foi apagado por Regina Duarte.

Aderindo ao estilo de pronunciamento via redes sociais tão caro ao presidente Bolsonaro, Regina voltou a usar sua conta no Instagram para criticar a imprensa. E com a promessa de mostrar os resultados na secretaria de Cultura sob seu comando. 

[sons de grilos]

Estamos esperando até hoje. 

Porém, nada que está ruim não possa piorar, e chegamos ao dia 7 de maio de 2020. Dia da fatídica entrevista de Regina Duarte na CNN. Quando, entre outras pérolas, ela defendeu o período da ditadura militar no Brasil minimizando torturas e pediu para que os entrevistadores ficassem mais “leves”.

Eu não quero ficar olhando para trás. Se eu ficar olhando para o retrovisor, vou dar trombada. Tem que olhar para frente. Tem que amar o País. Ficar cobrando coisas que aconteceram nos anos 60, 70, 80... Gente, vamos embora. [cantando] Pra frente Brasil, salve a Seleção! De repente é aquela corrente4 pra frente... Não era bom quando a gente cantava isso? 

Mas é um período muito difícil. Muita gente morreu na ditadura, rebateu o jornalista Daniel Adjuto.

Cara, a humanidade não para de morrer. Se você falar vida, do lado tem morte. Por que que as pessoas ficam assim, oooooh? Por quê?

Foram as torturas, secretária.

Mas sempre houve tortura. Meu Deus do céu, Stalin. Quantas mortes? Hitler, quantas mortes? Se a gente ficar trazendo os mortos... 

É neste exato momento que entra um vídeo de Maitê Proença (lembra que ela iria voltar?) criticando a atuação de Regina na secretaria e a então secretária perdeu as estribeiras. 

Vocês ficam desenterrando a mensagem da Maitê pra quê? O que vocês ganham com isso? Eu tinha tanta coisa bacana para falar. Vocês estão desenterrando mortos. Vocês estão carregando um cemitério nas costas. Vocês devem estar cansados. Fiquem leves.