ENTRETENIMENTO
28/05/2019 12:14 -03 | Atualizado 28/05/2019 13:09 -03

Francisco El Hombre abre diálogo sobre depressão no clipe de 'Parafuso Solto'

Com atmosfera sombria e incômoda, vídeo de 'Parafuso Solto :: Ponto Morto' alerta sobre a importância de se falar sobre problemas de saúde mental.

Foto: @paulopereiraox
Juliana Strassacapa e Mateo Piracés-Ugarte no clipe de 'Parafuso Solto'. 

Francisco, El Hombre faz um alerta sobre o sofrimento causado pela depressão e a importância de ser falar sobre o assunto no clipe de Parafuso Solto :: Ponto Morto, que a banda lança com exclusividade no HuffPost nesta quinta-feira (28). Assista ao vídeo no player abaixo:

 

Parafuso Solto é uma das oito faixas do disco Rasgacabeza, com influências do punk rock, lançada em fevereiro passado pela banda que é formada por Juliana Strassacapa (vocal e percussão), Mateo Piracés-Ugarte (vocal e violão), Sebastián Piracés-Ugarte (vocal, percussão e violão), Andrei Martinez Kozyreff (guitarra) e Rafael Gomes (baixo, vocal de apoio).

A composição nasceu de uma troca particular e franca entre Juliana e Mateo.

“Eu convivo com essas questões de saúde mental desde os 5 anos. Eu sempre tive que lidar com a depressão. A questão é que normalmente você lida escondendo isso. Ou de uma maneira auto-destrutiva ou simplesmente ignorando, não revelando para ninguém”, conta Mateo ao HuffPost. 

“Eu percebi que a Juliana estava passando pelo mesmo processo e a gente nem falava sobre isso. Essa é a pior parte da depressão, você esconde por que você sente vergonha do que está sentindo”, reflete o músico.

Em um contexto de crises compartilhadas, a dupla resolveu compor a canção. “Nós tentamos colocar pra fora de uma maneira construtiva. É construtiva porque fala sobre. As pessoas geralmente não falam sobre essa questão. E dar um grito já é construtivo, aquilo passa a existir”, afirma.

Com atmosfera sombria, o clipe da canção tem direção de Sandrow Almeidan e argumento também assinado por Mateo. No vídeo, o músico aparece estático ao lado da colega de banda, ambos envoltos em camisas de força.

O músico explica a mensagem por trás das imagens. “A pior coisa da depressão é que você sente que está patinando. Você fica andando, andando numa certa espiral pra baixo. Você está patinando e não consegue andar, saca? Você não entende se as coisas ruins que passam pela sua cabeça o tempo todo são verdadeiras ou se são apenas coisas da sua cabeça”, diz.

“O que eu queria fazer era realmente criar esse sentimento de agonia, onde você não entende o que é real e que não é. Então fomos eu e a Ju. A gente colocou a nossa cara, que a gente não mostra no palco normalmente. Ficamos completamente parados e cantando, tentando trazer esse sentimento de patinar na agonia sem saber o que é verdadeiro e o que não é”, completa.

Para o músico,o sentimento representado no clipe é “tenebroso”. “Mas é parte de mim. Foi só a partir do momento em que consegui assumir isso que eu entendi pelo que eu estava passando”, afirma. Ele também afirma que não há uma ideia de solução no vídeo. “O que importa em um primeiro momento é dar um grito de que isso [a depressão] existe. Esse é o primeiro passo.”

Caso você — ou alguém que você conheça — precise de ajuda, ligue 141, para o CVV - Centro de Valorização da Vida, ou acesse o site. O atendimento é gratuito, sigiloso e não é preciso se identificar. O movimento Conte Comigo oferece informações para lidar com a depressão. No exterior, consulte o site da Associação Internacional para Prevenção do Suicídio para acessar uma base de dados com redes de apoio disponíveis.