POLÍTICA
22/03/2019 19:20 -03

Família Bolsonaro se divide por apoio de Maia à reforma da Previdência

“Você nunca teve uma namorada? E quando ela quis ir embora o que você fez para ela voltar, não conversou?", disse presidente Jair Bolsonaro sobre Maia.

NELSON ALMEIDA via Getty Images
“Você nunca teve uma namorada? E quando ela quis ir embora o que você fez para ela voltar, não conversou?", disse presidente Jair Bolsonaro sobre Rodrigo Maia.

Pelo menos 3 integrantes da família Bolsonaro estão envolvidos na crise política que levou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a querer deixar o cargo de maior articulador da reforma da Previdência.

Após semanas de insatisfações entre Congresso, Executivo e Judiciário, o democrata avisou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, na última quinta-feira (21), que deixaria a articulação para aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de acordo com o jornal O Estado de São Paulo.

Maia está cansado do ônus de trabalhar por uma reforma impopular sem o devido empenho do Planalto, enquanto o presidente insiste nas críticas à “velha política”.

Nesta sexta-feira (22), a deputada Joyce Hasselmann (PSL-SP), que assumiu a liderança do governo na Câmara, colocou panos quentes na situação e negou rompimento.

“Todo e qualquer ruído, estranhamento, palavra má colocada gera um desgaste em qualquer relação, quiçá nessa que é tão sensível entre Executivo e Legislativo. Aqui é como se a gente estivesse na carne viva. Qualquer toque um pouquinho mais forte machuca”, afirmou a jornalistas.

A parlamentar conversou com Maia e também com os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Santos Cruz (Secretaria de Governo) e prometeu melhorar a articulação. “Não nos cobre um resultado de 4 anos em 3 meses de governo”, disse.

Presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Felipe Francischini (PSL-PR) disse que adiou o anúncio do relator da reforma, previsto para última quinta porque está buscando consenso. Ele almoçou com Lorenzoni nesta sexta.

Sobre Rodrigo Maia, Hasselman destacou o empenho do democrata pela aprovação da reforma e disse há um desgaste gerado por “pessoas fora do governo, que não têm nada a ver com a presidência da República e estão atacando líderes e o Rodrigo Maia”.

Ela não quis, contudo, comentar a atuação do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). “A líder do governo não tem função de comentar tuíte de filho de presidente”, respondeu.

 

Rodrigo Maia x Carlos Bolsonaro

O desgaste se acirrou com um embate entre o presidente da Câmara e o ministro da Justiça, Sergio Moro, que pressionou pela aprovação do projeto de lei anticrime, na última terça-feira (19).

Maia rebateu no fim do dia. “Eu acho que ele [Moro] conhece pouco a política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro, funcionário do presidente Bolsonaro. Ele está confundindo as bolas. Ele não é o presidente da República”, disse a jornalistas.

Dois dias depois, o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, publicou nas redes sociais um texto sobre o confronto e provocou o democrata. A pergunta foi feita no dia da prisão do ex-ministro Moreira Franco, sogro de Rodrigo Maia.

Nesta sexta, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) discordou do irmão e saiu em defesa de Maia.

Pai de Carlos e de Flávio, o presidente Jair Bolsonaro disse que não viu motivo para o afastamento e que iria conversar com Maia para convencê-lo a voltar a comandar a articulação pela PEC. O ex-deputado chegou a compará-lo a uma namorada.

“Você nunca teve uma namorada? E quando ela quis ir embora o que você fez para ela voltar, não conversou? Estou à disposição para conversar com o Rodrigo Maia, sem problema nenhum”, afirmou a jornalistas em viagem ao Chile, nesta sexta. 

Questionada por jornalistas se o tom de Bolsonaro dificulta acabar com a crise política, Hasselmann negou. “O presidente da República tem um jeito de se comunicar que é da personalidade dele. Foi assim que ele fez a campanha. Foi assim que ele se criou um dos maiores políticos da história. Não dá para a gente querer ensinar o presidente a se comunicar do jeito que a gente quer. Ele vai continuar dando as declarações como ele bem quiser.”