NOTÍCIAS
27/05/2020 11:23 -03

França proíbe o uso de hidroxicloroquina no tratamento contra a covid-19

Medida é a primeira tomada por um país desde que a OMS anunciou que estava interrompendo um grande teste do medicamento devido a questões de segurança.

NurPhoto via Getty Images
A revista médica britânica The Lancet informou que os pacientes que receberam hidroxicloroquina elevaram suas taxas de mortalidade e batimentos cardíacos irregulares.

O governo francês cancelou nesta quarta-feira (27) um decreto que permitia a médicos de hospitais administrar hidroxicloroquina como tratamento para pacientes que sofrem formas graves de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

A medida, que tem efeito imediato, é a primeira tomada por um país desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou na segunda-feira que estava interrompendo um grande teste do medicamento contra a malária em pacientes com covid-19 devido a questões de segurança.

O cancelamento do decreto, que, na verdade, significa que a droga está agora proibida para esse uso, foi anunciado no diário oficial do governo e confirmado por uma declaração do Ministério da Saúde, que não se referiu à suspensão realizada pela OMS.

A França decidiu no final de março permitir o uso de hidroxicloroquina, que também é aprovada para o tratamento de lúpus e artrite reumatóide, em situações específicas e em hospitais apenas para pacientes com covid-19.

A revista médica britânica The Lancet informou que os pacientes que receberam hidroxicloroquina elevaram suas taxas de mortalidade e batimentos cardíacos irregulares, se juntando a uma série de outros resultados decepcionantes para a droga como uma forma de tratar a infecção respiratória.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro e outros líderes promoveram a hidroxicloroquina nos últimos meses como um possível tratamento para o coronavírus.

No Brasil, o Ministério da Saúde, recentemente, ampliou a recomendação de uso da cloroquina e da hidroxicloroquina contra a covid-19, que agora abrange também casos leves.

A decisão gerou insegurança tanto para os médicos quanto para os pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). Não há comprovação científica do uso do medicamento para combater o novo coronavírus, e a droga aumenta o risco cardíaco, o que pode ocasionar a morte de quem usa.

Nenhuma vacina ou tratamento foi ainda aprovado para tratar a covid-19, que já matou ao menos 350 mil pessoas em todo o mundo.