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24/08/2020 16:16 -03 | Atualizado 24/08/2020 16:37 -03

Arsênico na comida e envolvimento de filhos: Como a deputada Flordelis arquitetou a morte do marido

Segundo a polícia e o Ministério Público, a deputada, que não foi presa por ter foro privilegiado, financiou compra da arma do crime e avisou assassino de que eles tinham chegado em casa.

Reprodução/ Facebook
Flordelis e o pastor Anderson do Carmo, assassinado em junho de 2019.

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro dizem não ter mais dúvidas sobre o envolvimento da deputada federal Flordelis (PSD-RJ) no assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo. Segundo a investigação apontou, a deputada foi a mandante do crime e primeiro tentou envenená-lo colocando arsênico na comida do marido.

“O envenenamento foi feito de forma gradual, sucessiva. O arsênico era posto na comida do pastor de forma dissimulada”, afirmou o promotor Sérgio Luiz Lopes Pereira, do Grupo de Atuação Especializada e Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público.

O pastor chegou a ir várias vezes a hospitais de Niterói, com quadro de diarreia e vômito por causa do envenenamento iniciado em maio de 2018. No entanto, os planos de Flordelis mudaram, segundo a investigação, e ela acabou financiando a compra da arma usada no homicídio.  

Anderson foi morto dentro de casa, com mais de 30 tiros, em junho de 2019. Ele foi atingido por tiros na garagem, quando retornou ao carro para buscar algo que tinha esquecido. Na época, Flordelis disse que o pastor teria sido morto durante um assalto, e que eles tinham sido seguidos por suspeitos em uma moto quando retornavam para casa.

Nesta segunda-feira, sete suspeitos de envolvimento no crime foram presos em operações em Niterói, no Rio e em Brasília, sendo cinco filhos do casal – os adotivos Marzy, André e Carlos, e os biológicos Simone e Adriano – e uma neta, Rayane. Um outro filho biológico, Flávio, e o adotivo Lucas já tinham sido presos. Flordelis tem 55 filhos, sendo 51 deles adotivos.

São 11 pessoas envolvidas no assassinato, segundo a investigação, e denunciadas pelo Ministério Público.

A deputada não foi presa, mesmo sendo considerada a mandante do crime, por ter foro privilegiado. Flordelis foi indiciada por 5 crimes: homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima), associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso, além de tentativa de homicídio (por envenenamento).

Uma cópia do inquérito será encaminhado à Câmara dos Deputados para a adoção de medidas administrativas – e assim, permitir sua prisão.

Em nota, o presidente do seu partido, Gilberto Kassab, anunciou a suspensão da filiação de Flordelis. “Diante do indiciamento da parlamentar, o corpo jurídico do partido adotará as medidas para a suspensão imediata de sua filiação e, a partir dos desdobramentos perante a Justiça, serão adotadas as medidas estatutárias para a expulsão da parlamentar dos seus quadros”, diz o texto.

‘Grande cabeça desse crime’

Segundo o delegado Allan Duarte, da Delegacia de Homicídios de Niterói, Flordelis, “além de arquitetar todo esse plano, financiou a compra dessa arma, convenceu pessoas a realizar esse crime, avisou sobre a chegada da vítima ao local e tentou ocultar provas. “Não resta a menor dúvida de que ela foi a autora intelectual, a grande cabeça desse crime”, disse.

Na primeira fase da investigação foi identificado como executor o filho biológico da deputada, Flávio dos Santos Rodrigues. O filho adotivo Lucas César dos Santos foi apontado como a pessoa que comprou a arma utilizada no assassinato.

Na segunda fase da apuração, ainda segundo o delegado Allan Duarte, novas provas e ações de inteligência constataram que Flordelis foi a mandante do homicídio. A investigação aponta como motivação principal a disputa de poder entre o casal e a emancipação financeira dela.

Fernando Frazão/Agência Brasil
A deputada federal Flordelis, fala sobre a morte de seu marido, o pastor Anderson do Carmo.

Segundo o MPRJ, o pastor Anderson mantinha “rigoroso controle das finanças familiares” e administrava “os conflitos de forma rígida, não permitindo tratamento privilegiado das pessoas mais próximas a Flordelis, em detrimento de outros membros da numerosa família”.

Os demais denunciados teriam participado do planejamento, incentivo e convencimento para a execução do crime, além de tentativas de homicídio anteriores com o uso de veneno.

Segundo o G1, o advogado da deputada, Anderson Rollemberg, disse que a defesa foi “surpreendida” com as prisões desta segunda. “Tomaremos conhecimento do que há de indícios para que essas prisões fossem feitas e para o indiciamento da deputada, já que na primeira fase da investigação, passou longe de qualquer prova que a apontasse como mandante”, afirmou o advogado.

Ele ainda afirmou que Flordelis está “muito aborrecida e chateada com tudo que está ocorrendo porque tem com ela a inocência”. “Jamais foi mandante desse crime bárbaro”, afirmou.

 

Com informações da Agência Brasil

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