OPINIÃO
12/09/2019 12:33 -03 | Atualizado 12/09/2019 12:33 -03

'Transporte é o maior equalizador econômico e social', diz Flora Mokgohloa

Em entrevista ao UM BRASIL, a especialista em sustentabilidade e projetos ambientais aborda o conceito de ruas desenhadas para dar segurança e conforto a todos, e não apenas aos carros.

Divulgação/Danilo Tanaka/UM BRASIL
Flora Mokgohloa é especialista em sustentabilidade e trabalhou na prefeitura de Joanesburgo, capital da África do Sul.

O sistema de transporte público é uma forma de promover a inclusão de todos os cidadãos, avalia a especialista em sustentabilidade e projetos ambientais Flora Mokgohloa. Em entrevista ao UM BRASIL*, ela afirmou que as cidades precisam repensar todo o sistema para que esse objetivo seja alcançado, pois na África do Sul, por exemplo, moradores das regiões periféricas gastam, em média, 40% da renda com transporte.

“O transporte é o maior equalizador econômico e social, mas as ruas foram feitas para carros, e não para as pessoas. Se queremos que as pessoas almejem o mesmo tipo de qualidade de vida, é preciso que utilizem o mesmo sistema de transporte público”, destaca a ex-diretora do departamento de planejamento de gestão ambiental da Prefeitura de Joanesburgo.

Mokgohloa aborda o conceito de “ruas completas”, desenhadas para dar segurança e conforto a todas as pessoas – e não apenas aos carros. Ela diz que favorecer o tráfego de veículos particulares nas vias das cidades reduz a atividade econômica local. “Quanto mais carros na rua, mais engarrafamento e menos produção. Isso prejudica o desenvolvimento da cidade.”

A especialista cita Manhattan, em Nova York, como exemplo bem-sucedido de replanejamento urbano. Ela ressalta que a prefeitura da capital da África do Sul teve essa preocupação e incentivou uma mudança de mentalidade na maneira como as ruas são utilizadas pela população, no sentido de proporcionar melhor qualidade de vida e mobilidade urbana.

“É preciso mudar a mentalidade, principalmente dos engenheiros, para que pensem nas pessoas primeiro ao construir uma rua. Quando pensamos nas pessoas primeiro, pensamos nas que caminham; segundo, nas que usam bicicleta; terceiro, nas que podem utilizar um transporte público; e, por último, pensamos naqueles que possuem seus próprios carros”, conclui Flora.

*Gravação realizada em 2017

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