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27/09/2019 07:49 -03 | Atualizado 27/09/2019 08:22 -03

Flávio Bolsonaro nega desmonte de órgãos de corrupção e elogia discurso do pai na ONU: 'Irretocável'

Em entrevista ao HuffPost, senador acusa críticos de buscar "detalhes bestas para tentar desqualificar" Jair Bolsonaro.

MAURO PIMENTEL via Getty Images
Flávio Bolsonaro sai em defesa do pai, cujo discurso na ONU foi considerado agressivo.

Após as reações ao discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), o primogênito, Flávio Bolsonaro, saiu em defesa do pai e classificou como “irretocável” a participação dele no maior palco mundial com sua fala para chefes de Estado e lideranças de outros 192 países. 

“Foi um discurso corajoso, histórico, libertador do Bolsonaro na ONU. Como sempre, esfregando a verdade na cara daqueles que são oposição ao nosso governo”, afirmou ao HuffPost o senador do PSL do Rio de Janeiro, para quem as críticas são buscas de “detalhes bestas, irrelevantes, para tentar desqualificar o discurso dele [Jair], que foi maravilhoso”. 

O 01, como é chamado pelo pai, prefere atuar nos bastidores e, mesmo nas redes sociais, instrumento bastante usado pelos Bolsonaro, adota um tom mais contido e ponderado que os irmãos Eduardo e Carlos, e também que o próprio presidente. 

Nesta quarta-feira (26), porém, Flávio Bolsonaro aceitou uma breve conversa com o HuffPost em meio ao plenário lotado da Câmara dos Deputados, durante sessão conjunta do Congresso para analisar vetos presidenciais à lei que proíbe cobrança de bagagens pelas aéreas.

Seguindo a linha de defesa do presidente, Flávio comentou sobre a atuação de Jair Bolsonaro em outras questões que têm gerado polêmica e reações, como recentes trocas de pessoal na Receita Federal e no antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), atualmente chamado de Unidade de Inteligência Financeira. A interferência do presidente acendeu alertas e tem sido vista, nos bastidores, como “mais um capítulo do desmonte do combate à corrupção”

Investigado na esfera cível da Justiça do Rio de Janeiro após um relatório do Coaf apontar movimentações financeiras atípicas em sua conta, o 01 discordou das acusações. 

Que desmonte que teve? Quando não dá o resultado que ele [Jair] espera, ele troca. Ele é presidente da República, ele foi eleito para isto; para gerir pessoas. Não vejo desmonte, não vejo nada. Pelo contrário. Estão dando cada vez mais resultados essas trocas que você está falando.

Antes que o HuffPost perguntasse sobre o ex-assessor Fabrício Queiroz, que trabalhou com Flávio quando ele era deputado estadual, o senador encerrou a entrevista. No fim de 2018, o Coaf identificou movimentação de R$ 1,2 milhão em contas de Queiroz — um valor incompatível com os vencimentos do ex-funcionário de Flávio. 

Leia a íntegra da entrevista: 

HuffPost: Que avaliação o senhor faz do discurso do presidente Jair Bolsonaro na ONU? 

Flávio Bolsonaro: Foi um discurso corajoso, histórico, libertador do Bolsonaro na ONU. Como sempre, esfregando a verdade na cara daqueles que são oposição ao nosso governo. Defendendo a democracia. Tocando em todos os assuntos que são importantes, como por exemplo a Amazônia. Restabelecendo a verdade sobre a questão indígena. Falando abertamente da importância de não termos aqui na América do Sul mais uma Venezuela, que é o caso da Argentina. E dando o recado de que a nossa soberania vai ser respeitada acima de tudo. Então foi um discurso, para mim, perfeito, irretocável, nunca vi nenhum outro presidente defender com tanta veemência a nossa pátria como fez o Bolsonaro. 

Houve algumas ponderações sobre o tom adotado pelo presidente no discurso…

Acho que foi no tom exato, um tom firme, de alguém que está indignado quando há uma tentativa de países de nos olharmos como colônia. Foi no tom correto. Quando não tem o que criticar, ficam buscando detalhes bestas, irrelevantes, para tentar desqualificar o discurso dele, que foi maravilhoso. 

A aprovação de Augusto Aras para a PGR pelo Senado já era esperada… 

Acho que ele foi muito bem na sabatina. Respondeu a todas as questões sem fugir de nenhuma delas, trazendo o que ele pensa de verdade, mostrando sobre a independência do Ministério Público. Acho que é mérito dele um placar tão elástico a seu favor na Comissão de Constituição e Justiça [23 a 3] e depois também uma vantagem muito expressiva de senadores que acreditam nele [aprovado por 68 votos a favor no plenário e 10 contra]. Espero que ele faça um bom trabalho. Ele tem a consciência da importância de ter um ambiente pacífico para que todos possam trabalhar e atender as demandas da sociedade. 

O procurador-geral da República mandou, ao longo da sabatina, alguns recados para a Operação Lava Jato. Elogiou, mas disse que a ação necessita de retoques... 

Ele foi bem enfático ao dizer que foi um grande divisor de águas no Brasil. Ressaltou a importância da Lava Jato, de se chegar a pessoas que até então eram inatingíveis. Mas como ele falou, como foi uma quebra de paradigmas, é normal que em novo momento que o Brasil vive, no novo ritmo que foi imprimido pela Lava Jato, surjam ali alguns questionamentos, e ele está ali para evitar que a Constituição seja atingida. Acho que ele foi bem nessa linha também. 

O senhor tem participado, nos bastidores, do trabalho de convencimento pelo nome do deputado Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Como estão essas conversas?

Estão indo muito bem. Todo mundo com quem o Eduardo fala entende que ele é um cara preparado e a importância para o Brasil dele lá, especialmente para acordos comerciais, que são feitos muito na base do relacionamento, da confiança. Eu não tenho dúvidas de que, se o Senado aprovar o nome dele, isso vai ser muito positivo para o Brasil. 

Ueslei Marcelino / Reuters
Flávio Bolsona atua nos bastidores em prol da indicação do irmão, Eduardo, como embaixador em Washington.

 

Fala-se que, em torno do presidente, há um núcleo que ficou conhecido como “gabinete do ódio”... 

Não sei de onde surgiu esse gabinete do ódio. É mais uma vez uma narrativa que surgiu para tentar desqualificar um trabalho que está sendo bem feito, um governo que está sendo excepcional, que pegou o País quebrado e está dando resultado em apenas sete meses. Não tem gabinete de ódio.

O que o senhor acha dessas críticas que têm surgido de desmonte de órgãos de combate à corrupção, como na Receita, Coaf?

Que desmonte que teve? Quando não dá o resultado que ele [Jair Bolsonaro] espera, ele troca. Ele é presidente da República, ele foi eleito para isto; para gerir pessoas. Não vejo desmonte, não vejo nada. Pelo contrário. Estão dando cada vez mais resultados essas trocas que você está falando.