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12/02/2020 12:34 -03

Flávio Bolsonaro quebra silêncio e diz que miliciano foi 'brutalmente assassinado'

No Twitter, senador diz ter recebido informações de que há pessoas querendo 'acelerar a cremação de Adriano da Nóbrega para sumir com as evidências'.

DIGULGAÇÃO/GETTY IMAGES
Adriano da Nóbrega foi homenageado duas vezes pelo senador Flávio Bolsonaro quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro.

O senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) manifestou-se pela primeira vez nesta quarta-feira (12) sobre a morte de Adriano Magalhães da Nóbrega, líder do Escritório do Crime, o grupo de matadores de aluguel mais antigo do Rio de Janeiro. O miliciano foi morto no domingo (9) em confronto com policiais, segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, na cidade de Esplanada (BA). 

Adriano havia sido homenageado duas vezes pelo primogênito do presidente Jair Bolsonaro, que também empregou em seu gabinete a ex-mulher e a mãe do ex-policial militar quando era deputado estadual. 

Em seu Twitter, Flávio disse ter recebido informações de que há pessoas querendo acelerar a cremação de Adriano para “sumir com as evidências de que ele foi brutalmente assassinado na Bahia”. 

Como mostrou o HuffPost na terça (11), a retórica que se desenha no clã para abordar o tema é que o caso não tem nenhuma relação com o governo nem com Flávio Bolsonaro.

O discurso oficial é de que cabe às polícias da Bahia e do Rio de Janeiro as explicações sobre uma possível operação malsucedida: como, após um ano de trabalho de investigação e num esforço de cooperação e inteligência entre as autoridades baiana e carioca, um foragido que é peça-chave para esclarecer outros casos acaba morto.  

Adriano foi citado no esquema da “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), cujas investigações estão em curso no Ministério Público do Rio. 

A morte de Adriano ocorreu em uma operação que o buscava em outro contexto. O miliciano era alvo de um mandado de prisão expedido em janeiro de 2019 por ser o único ainda foragido da Operação Intocáveis, coordenada pela Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Rio no ano passado. Ao ser deflagrada a operação, foram presos acusados de integrar uma milícia que atuava em grilagem de terra, agiotagem e pagamento de propina em Rio das Pedras e Muzema, duas favelas da Zona Oeste carioca.

Na última semana, o advogado do ex-PM, Paulo Emilio Catta Preta afirmou que o próprio Adriano e a família temiam “queima de arquivo”. Ele telefonou para o advogado na última quarta-feira (5), e a ligação durou 20 minutos.

“Eu estranhei ele me ligar, porque nunca havíamos conversado. Me disse que estava ligando porque estava muito aflito, que tinha absoluta certeza de que foram atrás dele não para prender, mas para matar”, afirmou ao Estadão

O advogado disse que tentou persuadir Adriano a se entregar à Polícia Civil da Bahia, mas o ex-PM afirmou que seria morto de toda maneira. Cata Pretta acrescentou que não questionou ao cliente quem seria o responsável pela suposta “queima de arquivo” e a que informações ele tinha acesso para que fosse alvo de um crime dessa natureza.

O Escritório do Crime, a milícia que Adriano chefiava, é suspeita de matar a vereadora Marielle Franco (PSol-RJ) e o motorista Anderson Gomes em março de 2018. Embora a Secretaria de Segurança da Bahia informe que Capitão Adriano era suspeito do assassinato de Marielle, seu nome não consta do inquérito oficial.

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