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19/12/2019 20:00 -03 | Atualizado 19/12/2019 20:10 -03

Flávio Bolsonaro ataca juiz e vincula vazamentos de investigação do MP a Witzel

Senador usou as redes sociais para divulgar vídeo e rebater acusações após operação na quarta. Segundo ele, objetivo é enfraquecer governo Bolsonaro.

Adriano Machado / Reuters
Senador Flávio Bolsonaro rebate acusações do MP em vídeo nas redes sociais. 

Em vídeo publicado na tarde desta quinta-feira (19) em suas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) se defendeu das acusações do Ministério Público que vieram à tona após uma operação que teve endereços ligados a ele e pessoas próximas como alvo na quarta (18). Entre críticas ao vazamento de informações e ao juiz do caso, Flávio Itabaiana, e sugestões de que o assunto retornou ao noticiário para atingir sua imagem e prejudicar seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar também insinuou que haja interesse do governador Wilson Witzel nas revelações. 

“Para que traz para a imprensa? Para desgatar a minha imagem e afetar o presidente Bolsonaro”, afirmou, voltando-se em seguida ao juiz responsável pelo caso, Flávio Itabaiana, quem disse ter virado “motivo de chacota no Judiciário do Rio depois que quebrou o sigilo bancário e fiscal de 95 pessoas com apenas quatro linhas”. E completou:  “Não tinha que estar nada sendo feito por esse juiz. Mas eu vou tomar as providências”, assegurou.

Seguindo uma retórica que tem sido adotada pela família Bolsonaro nos últimos tempos, o senador vinculou o juiz que cuida do seu caso ao governador carioca. “Sabe onde a filha desse juiz trabalha, a Natália Nicolau? Trabalha com o governador Wilson Witzel. É uma boquinha que parece ser boa. E eu ouço falar que ela não aparece muito por lá”, mencionando fato de a filha de Flávio Itabaiana estar empregada na Secretaria Estadual da Casa Civil. 

E, mais a frente, em outro momento do vídeo, faz outra menção ao governador: “Justamente no momento em que quem estava sob ataque era o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, acusado de receber caixa 2 durante sua campanha, de esquema de favorecer empresário amigo na Loterj [Loteria do Estado do Rio de Janeiro], e aí no dia seguinte eles [MPRJ] deflagram essa operação. É… Pode ter sido uma coincidência. Vamos acreditar que foi uma coincidência.”

O que é que eu tenho a ver com isso?

O 01 chamou de “absurdo, leviandade” as acusações de que ele usa uma loja de chocolates que tem em um shopping - uma franquia da Kopenhagen - para lavar dinheiro. “Se quisesse lavar dinheiro, abriria uma franquia? Passei 16 anos na Alerj [Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro], nunca teve nenhum problema. Qual o fato novo?”.

Os promotores investigam se a loja foi usada para disfarçar a origem ilícita dos desvios dos salários dos servidores da Alerj no esquema chamado de “rachadinha” durante o período em que Flávio foi deputado estadual. 

Segundo a promotoria, a proporção de uso de recursos em espécie era muito superior do que o apontado pelo proprietário anterior da loja. Além disso, na Páscoa, período em que cresce a venda da mercadoria oferecida pela rede, não houve aumento na entrada de dinheiro vivo, dizem os promotores, que falam ainda em coincidência com o que se apresentava na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador. Ele, contudo, não abordou nenhuma dessas questões em sua fala. 

Sobre Queiroz, Flávio disse que as informações das movimentações financeiras em na conta do ex-assessor ocorreram ao longo de 12 anos e mais da metade das transferências referem-se a valores de familiares do próprio. “O que é que eu tenho a ver com isso?”.

Ele também criticou as investigações sobre lavagem na compra de dois apartamentos. “Virou moda. Só porque eu consegui comprar um apartamento por um preço bom, eu estou lavando dinheiro. Comprei de grupo de investidores americano que estava saindo do Brasil. Me ofereceram três imóveis, mas eu só tinha dinheiro para dois. Lógico que me ofereceram um preço melhor”. O primogênito de Jair Bolsonaro obteve um lucro de 260% na compra desses imóveis. 

Por fim, Flávio Bolsonaro diz que não quer “atacar a instituição Ministério Público”, mas que há pessoas “no mínimo mal intencionadas”, referindo-se aos vazamentos e questiona: “Se já tem tudo comprovado, porque não me denunciou?”. Encerra convocando seus seguidores a compartilharem o vídeo.

As investigações do Ministério Público contra o senador foram retomadas após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que derrubou uma liminar do presidente do tribunal, Dias Toffoli, que havia mandado paralisar os inquéritos que tinham alguma informação enviada pelo antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), atual UIF (Unidade de Inteligência Financeira).