NOTÍCIAS
17/05/2020 13:22 -03 | Atualizado 17/05/2020 15:36 -03

Folha: PF antecipou a Flávio Bolsonaro que Queiroz seria alvo de operação antes da eleição, diz suplente

Paulo Marinho, eleito com Flávio, contou à Mônica Bergamo que o então candidato a senador ficou “transtornado” quando soube da investigação por um delegado informante.

A Polícia Federal avisou com antecedência o senador Flávio Bolsonaro que a Operação Furna da Onça seria deflagrada em 2018. É o que afirma o empresário Paulo Marinho em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, publicada pela Folha de S. Paulo na noite de sábado (16)

Investigação sobre desvio de dinheiro público e suposto esquema de “rachadinhas” na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), a operação atingiu Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio.

Marinho foi um importante apoiador na campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018 e também foi eleito suplente de Flávio no Senado.

De acordo com o relato do empresário, Flávio foi avisado da existência da operação entre o primeiro e o segundo turnos das eleições, por um delegado da Polícia Federal que era simpatizante da candidatura de Jair Bolsonaro.

A PF teria “segurado a operação” para que ela não fosse realizada no meio do segundo turno e, assim, atrapalhasse a candidatura de Jair à Presidência.

O delegado-informante também teria aconselhado Flávio a demitir Queiroz de seu gabinete na Alerj, e a filha de Queiroz, Evelyn - que trabalhava no gabinete de deputado federal de Jair Bolsonaro em Brasília.

Os dois foram exonerados em 15 de outubro de 2018.

Segundo Marinho, Flávio lhe contou sobre o alerta da PF em dezembro de 2018, depois que Jair já havia sido eleito presidente da República. Na ocasião, de acordo com Marinho, Flávio estava “absolutamente transtornado” e buscava indicação de um advogado criminal.

Na entrevista, o empresário contou também que Flávio mantinha contato indireto com o ex-assessor em dezembro - período em que Queiroz estava sumido - por meio de um advogado de seu gabinete.

Para Marinho, a conversa que teve com Flávio Bolsonaro em dezembro de 2018 explica o interesse do presidente Jair Bolsonaro em ter alguém de confiança no comando da Superintendência da Polícia Federal no Rio - uma das questões que provocaram a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça.

Paulo Marinho rompeu com a família Bolsonaro e hoje é pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PSDB e aliado de João Doria na provável candidatura do governador de São Paulo à presidência em 2022.

Na entrevista à Folha, Marinho revelou ainda que seu amigo Gustavo Bebianno, ex-ministro de Jair Bolsonaro, seria o pré-candidato do PSBD no Rio. Bebianno sofreu um infarto fulminante e morreu em março deste ano, aos 56 anos.

Segundo Marinho, seu amigo “ficou muito marcado pela demissão, com muito desgosto, melancolia. Ele morreu de decepção, de tristeza mesmo”.

Flávio Bolsonaro nega acusações 

Em nota enviada à imprensa neste domingo (17), o senador Flávio Bolsonaro afirma que as acusações de Paulo marinho “não passam de invenção de alguém desesperado e sem votos”. Para o senador, Marinho “parece ter sido tomado pela ambição” e tem como objetivo ocupar sua vaga no Senado.

“O desespero de Paulo Marinho causa um pouco de pena. Preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão. Trocou a família Bolsonaro por Doria e Witzel, parece ter sido tomado pela ambição. É fácil entender esse tipo de ataque ao lembrar que ele, Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado”, diz Flávio na nota publicada pelo Uol.

“Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão. E por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás? Sobre as estórias, não passam de invenção de alguém desesperado e sem votos”, conclui o senador.