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13/05/2019 20:10 -03 | Atualizado 13/05/2019 20:10 -03

Justiça autoriza quebra de sigilo bancário de Flávio Bolsonaro e de Queiroz

Pedido foi feito pelo Ministério Público do Rio e autorizado no fim de abril, mas mantido em sigilo até agora, segundo O Globo.

Adriano Machado / Reuters

A Justiça autorizou a quebra de sigilo bancário do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, no caso envolvendo seu ex-assessor e ex-policial militar Fabrício Queiroz.

Segundo o jornal O Globo, o período de movimentação bancária de Flávio que poderá ser consultado vai de janeiro de 2007 a dezembro de 2018. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro também autorizou a quebra do sigilo fiscal do senador e de Queiroz entre 2008 e 2018.

Além dos dois, a mulher de Flávio, Fernanda, e as duas filhas e a mulher de Queiroz, Marcia, também terão os sigilos bancários quebrados. A empresa de Flávio e Fernanda, a Bolsotini Chocolates e Café Ltda, também será investigada.

O pedido foi feito pelo Ministério Público do Rio, autorizado no fim de abril, mas mantido em sigilo até agora, segundo o jornal.

Nesta segunda-feira (13), em nota, o MP do Rio disse que Flávio tem tentado interromper as investigações sobre movimentações financeiras suspeitas em seu gabinete. 

“O Senador Flávio Bolsonaro tem direcionado seus esforços para invocar o foro privilegiado perante o Supremo Tribunal Federal ou mesmo tentar interromper as investigações, como o fez junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, fato amplamente noticiado nos meios de comunicação”, diz o texto.

“O referido parlamentar não adota postura similar à de outros parlamentares, prestando esclarecimentos formais sobre os fatos que lhe tocam e, se for o caso, fulminando qualquer suspeita contra si. O Senador é presença constante na imprensa, mas jamais esteve no MPRJ, apesar de convidado”, completa o comunicado.

A nota foi divulgada em resposta à entrevista concedida por Flávio ao Estado de S. Paulo, e publicada no domingo (12). Nela, o senador diz que a investigação do Ministério Público é “ilegal” e utilizada para atacar o seu pai. 

“Vejo que há grande intenção de alguns do Ministério Público de me sacanear, de mais uma vez colocar em evidência coisas que não fiz. Estou preferindo me antecipar, porque meu processo corre em sigilo de Justiça, mas sempre que vai para o Ministério Público os caras vazam tudo”, afirmou Flávio.

Na resposta, o MP disse que “as diligências permanecem em sigilo” e que “seguirá altivo e determinado no cumprimento de sua missão constitucional, tendo por objetivo esgotar todos os recursos investigativos disponíveis para o esclarecimento dos fatos, independente de quem seja o investigado”.

A investigação que envolve Queiroz e Flávio tem como base um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que identificou depósitos suspeitos na conta do parlamentar que somam R$ 96 mil, além de um pagamento de R$ 1 milhão de um título bancário da Caixa Econômica Federal.