POLÍTICA
01/02/2019 17:31 -02

Flávio Bolsonaro diz que não pediu foro privilegiado e irá respeitar decisão do STF

Senador afirmou que não há previsão de depoimento sobre investigação de movimentações financeiras suspeitas.

Bloomberg via Getty Images
"Assim vou fazer: no Rio de Janeiro, a gente presta os esclarecimentos sem problema nenhum”, disse filho do presidente.

Filho do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) afirmou nesta sexta-feira (1º) que respeita a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de negar pedido de foro privilegiado. Ele é investigado por movimentações financeiras suspeitas.

O ministro Marco Aurélio Mello determinou nesta sexta, primeiro dia do retorno após o recesso do Judiciário, que as investigações envolvendo o parlamentar e seu ex-assessor Fabrício Queiroz devem ser retomadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. O caso estava suspenso por decisão do ministro Luiz Fux.

A investigação ainda não é um processo judicial, mas um procedimento interno do Ministério Público e tem como base um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Questionado por jornalistas após tomar posse como senador, Flávio Bolsonaro negou que tenha pedido foro privilegiado e disse que apenas solicitou um esclarecimento ao STF.

“O Supremo é a autoridade responsável para analisar, caso a caso, qual é o foro competente. Foi isso que vim pedir nessa reclamação, não vim pedir foro privilegiado. [O ministro] decidiu que é o Rio de Janeiro [o foro competente]. Assim vou fazer: no Rio de Janeiro, a gente presta os esclarecimentos sem problema nenhum”, disse.

Apesar de se mostrar disposto, o parlamentar afirmou que ainda não há previsão de quando prestará depoimento. Ele falou a um depoimento marcado em janeiro no MP do Rio. “Agora o processo volta, havia discussão se era segunda instância. Agora já estão falando que é primeira instância, então há uma indefinição sobre isso. Aonde tiver que ir eu irei”, finalizou.

 

Depósitos para Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro é investigado, na esfera cível, na Justiça do Rio. Relatório do Coaf identificou depósitos suspeitos na conta do parlamentar que somam R$ 96 mil, além de um pagamento de R$ 1 milhão de um título bancário da Caixa Econômica Federal.

O novo relatório foi feito a pedido do Ministério Público do Rio, que investiga movimentação financeira atípica de assessores parlamentares da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Foram abertas 22 investigações contra funcionários e ex-funcionários da Alerj. A suspeita é de que eles devolviam parte dos salários.

Um dos investigados é Fabrício Queiroz, que trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro. De acordo com as investigações, as transações suspeitas somam R$ 7 milhões em 3 anos e podem revelar prática de lavagem de dinheiro ou “ocultação de bens, direitos e valores”.

De acordo com o senador, as movimentações na sua conta são referentes à compra e venda de um imóvel no Rio. O comprador confirmou o pagamento de parte do valor em dinheiro. De 2014 a 2017, o parlamentar registrou a aquisição de dois apartamentos em bairros nobres da cidade, no valor total R$ 4,2 milhões, segundo a Folha de S. Paulo.