LGBT
17/05/2020 03:00 -03

8 filmes da LGBTFlix para você assistir (de graça) na quarentena

Plataforma foi criada por coletivo LGBT para minimizar o impacto do isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus.

“Nem só de Big Brother vive uma LGBT”, com este mote e visando minimizar o impacto do isolamento social na vida dessa população, o coletivo #VoteLGBT lançou, neste mês, a LGBTFlix, uma plataforma de streaming independente, online e totalmente gratuita - afinal, existe vida após o fim do BBB.

“Esse período de isolamento social pega mais pesado nas pessoas LGBTs, porque muitas de nós não encontram na família um sistema de apoio. Imagina ficar isolado num lar opressor com pessoas que não respeitam seu nome e sua identidade”, afirma o artista Gui Mohallem, um dos integrantes do coletivo.

Com cerca de 190 produções disponíveis, a plataforma prioriza temáticas que versam sobre questões de gênero, diversidade dos afetos e que jogam luz em histórias que contemplam vivência sexuais consideradas não-hegemônicas, ou seja, que ultrapassam noções de heterossexualidade e identidade de gênero. 

“De um lado você tem pessoas querendo ser representadas, e de outro você tem uma produção cultural potente que enfrenta uma série de obstáculos para chegar ao seu público. Nossa galeria propõe esse encontro”, diz Mohallem.

Documentários, curtas e longas-metragens estão disponíveis no projeto, incluindo Afronte e Aqueles Dois, dirigidos respectivamente por Marcus Azevedo e Emerson Maranhão. São produções que inspiraram projetos contemplados em edital censurado pelo presidente Jair Bolsonaro em 2019.

Além destes, o curta Negrum3 que teve verba de R$ 4,6 mil liberada e depois suspensa pela a Ancine, após ser selecionado para o Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer (Portugal).

Diante do cenário de ofensiva a produções culturais sobre sexualidade e diversidade, a iniciativa, segundo os organizadores da plataforma, serve de janela para divulgação da extensa produção audiovisual brasileira.

A LGBTFlix é colaborativa e está aberta para qualquer cineasta que queira inscrever sua obra. Basta preencher formulário disponível no site. Outra preocupação da iniciativa foi a diversidade regional, os filmes selecionados são realizações de cineastas de várias regiões do Brasil.

“Nesses tempos de quarentena, ficar longe de outras pessoas LGBT pode ser ainda mais penoso. Por isso, estamos organizando uma série de iniciativas para ajudar nesse momento, o LGBTFlix é a primeira delas”, completa Mohallem.

Entre as ações, o coletivo disponibilizou um questionário sobre saúde LGBT durante a pandemia, feito em parceria com pesquisadores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que servirá de base para um estudo sobre o momento atual.

O HuffPost selecionou 8 filmes da LGBTFlix para você assistir na quarentena:

1. Negrum3, de Diego Paulino (2019)

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Negrum3, dirigido por Diego Paulino.

A abordagem proposta em “Negrum3” consiste em um mergulho no movimento afrofuturista e em uma caminhada de jovens negros da cidade de São Paulo. Dirigido por Diego Paulino, o filme é uma das várias produções sobre a experiência gay disponíveis na plataforma.

Assista aqui.

2. Afronte, de Marcus Azevedo e Bruno Victor Santos (2018)

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Cena de Afronte, de Marcus Azevedo e Bruno Victor Santos.

Produzido por Bruno Victor Santos e Marcus Azevedo, Afronte é fruto do projeto de conclusão de curso dos produtores, que se formaram em audiovisual na Universidade de Brasília (UnB). O filme tem o objetivo de contar a história e mostrar como é a rotina de pessoas LGBT no Distrito Federal. 

A obra já foi exibida no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2017 e ganhou o Prêmio Saruê, concedido pela equipe de cultura do jornal Correio Braziliense. À época, para a produção, equipe montou um financiamento coletivo na internet e arrecadaram R$ 10 mil para conclusão do projeto.

Assista aqui. 

3. Aqueles Dois, de Emerson Maranhão (2018)

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Cena de Aqueles Dois, de Emerson Maranhão.

Selecionado para participar de festivais fora do País, como o 4º AMOR - Festival Internacional de Cine LGBT Do Chile, Aqueles Dois, de Emerson Maranhão, conta a história e o cotidiano de dois homens transgênero no Ceará.

Assista aqui.

4. Preciso dizer que te amo, de Ariel Nobre (2017)

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Cartaz de Preciso Dizer Que Te Amo.

O cineasta e homens trans Ariel Nobre flertou com o suicídio em 2015 após sofrer um ataque homofóbico. Ele decidiu, porém, dizer a algumas pessoas que as amava.

Assim, surgiu o projeto “Preciso dizer que te amo”, no qual ele escrevia a frase em paredes, corpos e objetos. Mas a iniciativa virou ensaio fotográfico e, agora, documentário.

Assista aqui. 

5. Que os olhos ruins não te enxerguem, de Roberto Maty, Thabata Vecchio (2019)

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Cena de Que os olhos ruins não te enxerguem.

O documentário propõe discutir a diversidade de gênero, classe e raça dentro da comunidade LGBT por meio de personagens da periferia de São Paulo. Ao mesmo tempo em que narram suas vidas, seus sonhos e afetos, propõem consistente reflexão sobre as responsabilidades na construção da sociedade.

Assista aqui.

6. Eu não quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro (2014)

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Cena de Eu não quero voltar sozinho.

Você já deve ter assistido, ou ao menos ouvido falar do filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, um filme sobre um adolescente que é deficiente visual e se descobre apaixonado por um colega de sala.

O que pouca gente sabe é que, antes do longa-metragem, veio o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho em que toda a sensibilidade e leveza do longa - que conta uma história de amor - já estavam presentes. O filme, em 2014, chegou a ser o indicado do Brasil ao Oscar. 

Assista aqui.

 

7. Guaxuma, de Nara Normande (2018)

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Cena de Guaxuma, de Nara Normande.

De temática lésbica, o curta-metragem de Nara Normande, retrata o reencontro de duas meninas que cresceram numa praia nordestina - por meio de uma animação delicada e cheia de nuances.

Assista aqui.

8. Vestido de Laerte, de Claudia Priscilla, Pedro Marques (2012)

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Cena de Vestido de Laerte.

O curta-metragem relembra o episódio em que o cartunista, que é transgênero, foi proibido de usar o banheiro feminino de um restaurante em 2012, em São Paulo. 

Assista aqui.