ENTRETENIMENTO
20/11/2019 03:00 -03 | Atualizado 20/11/2019 16:03 -03

7 filmes (e séries) que mostram por que o Dia da Consciência Negra é tão necessário

Nada melhor que a arte para nos fazer refletir sobre questões como racismo, identidade e justiça social.

Muita gente ainda insiste em negar que o racismo continua sendo um problema urgente mesmo em 2019. E nada melhor que a arte para nos fazer refletir sobre as questões raciais. Seja retratando uma tragédia, inspirando com casos de superação ou mesmo instigando nosso senso crítico com sátiras, o cinema e a televisão são veículos muito importantes na construção dessa consciência.

Por isso, neste Dia da Consciência Negra, selecionamos 7 filmes e séries indispensáveis.

Veja aqui: 

Fruitvale Station - A Última Parada (2013)

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Primeiro longa de Ryan Coogler, diretor de filmes que acabaram ficando bem mais conhecidos, como Creed (2015) e Pantera Negra (2018), Fruitvale Station - A Última Parada retrata o último dia de vida de Oscar Grant, vítima de um dos casos de brutalidade policial mais emblemáticos da última década nos EUA, que aconteceu na estação de trem de Fruitvale, em Los Angeles, na passagem de ano de 2009 para 2009. Mesmo com toda a comoção relacionada à morte de Grant, que foi filmada por várias pessoas que estava na mesma estação, o filme lançado apenas em 2013 ainda era muito urgente. O motivo? Johannes Mehserle, o homem branco que atirou a queima roupa em Grant tinha acabado de ser solto da prisão, menos de um ano depois de condenado.  

Sinopse: O jovem morador de Los Angeles Oscar Grant (Michael B. Jordan) quer se redimir de um passado de crimes, mas quase na virada do ano ele é demitido de seu trabalho. Fato que ele não conta para Sophina (Melonie Diaz), mãe de sua filha, porque não quer que nada atrapalhe a chance de passar o réveillon com das duas, em San Francisco. Porém, uma confusão acontece no trajeto do trem que ele embarca, e ele e um grupo de outros homens são detidos por guardas na estação de Fruitvale. 
Onde ver: Amazon Prime e Globo Play.

Atlanta (2016 e 2018)

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Uma das melhores, mais inventivas e urgentes séries da atualidade, Atlanta é um mergulho - às vezes engraçado, outros trágicos e melancólicos - de cabeça no absurdo universo criado pelo ator, roteirista, humorista, músico e rapper Donald Glover. A série trata temas como pobreza, falta de oportunidades, criminalidade e racismo sem se fixar em um gênero e sem nunca escorregar para uma linguagem mais panfletária.

Sinopse: Earn (Donald Glover) é um afroamericano de 30 e poucos anos ainda meio perdido. Depois de largar um curso na prestigiada Universidade de Princeton, ele passa a fazer um bico aqui e ali para criar a filha que teve com a ex-namorada Van (Zazie Beetz). Mas aí seu primo Alfred (Brian Tyree Henry) começa a se destacar localmente como o rapper Paper Boi, e ele se torna seu empresário.
Onde ver: Netflix.

Olhos que Condenam (2019)

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Criada, escrita e dirigida por Ava DuVernay (Selma: Uma Luta Pela Liberdade, 13th), a minissérie retrata um dos mais chocantes casos de erro judiciário da história americana, uma combinação perversa de falhas da polícia, da promotoria e da imprensa, que remetem ao conceito de racismo estrutural. Os quatro episódios contam fases distintas sobre 25 anos do caso, mostrando o quanto um erro judicial pode impactar a vida de uma pessoa não apenas pelo período em que ela é presa, mas por toda a sua vida. Pelo papel de Korey Wise, Jharrel Jerome consquistou um merecido Emmy de Melhor Ator de Minissérie ou Filme para TV.

Sinopse: Cinco jovens negros do Harlem são injustamente acusados e condenados por agressão e estupro de Trisha Meili, uma mulher branca que corria no Central Park, em 1989. Eles só foram inocentados em 2014, depois que evidências de DNA comprovaram que o grupo não estava no local no momento do crime.
Onde ver: Netflix.

Meu Nome é Dolemite (2019)

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A volta por cima do comediante Eddie Murphy depois de anos longe do sucesso, o engraçadíssimo Meu Nome é Dolemite resgata uma figura importante e proporcionalmente subestimada da cultura negra norte-americana: Rudy Ray Moore. Um tipo de Ed Wood do subgênero Blaxploitation (filmes policiais com temáticas e elenco em sua maioria de atores e atrizes negros), Moore revolucionou a comédia de stand-up com seu personagem Dolemite, que usou histórias do folclore de rua com uma linguagem cheia de rimas que décadas depois seria reconhecida como uma das precursoras do rap. 

Sinopse: Vendedor de discos em uma pequena loja em Los Angeles, Rudy Ray Moore (Eddie Murphy) resolve usar as histórias de um morador de rua para construir um repertório como comediante de stand-up cheio de piadas sujas. Ele logo faz sucesso com seu alter-ego Dolemite e passa a excursionar pelos Estados Unidos. Mas ele não se contenta com a fama limitada dos clubes e resolve fazer um filme estrelado por seu personagem.
Onde ver: Netflix.

Chris Rock - Tamborine (2018)

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Após 10 anos afastado das apresentações de stand-up comedy que o projetaram como ator, diretor e roteirista, Chris Rock (Todo Mundo Odeia o Chris) volta ao palcos com seu humor provocativo sempre colocando o dedo na ferida quando o assunto é racismo. Só para se ter ideia do tamanho da popularidade de Rock nos Estados Unidos, a Netflix desembolsou US$ 40 milhões por dois especiais do comediante.

Onde ver: Netflix.

O Menino que Descobriu o Vento (2019)

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A história do jovem malawiano William Kamkwamba ganhou o mundo quando seu livro autobiográfico foi lançado em 2009. De lá para cá, sua narrativa vem inspirando milhares de pessoas a acreditarem na força da educação. Primeiro longa dirigido pelo britânico Chiwetel Ejiofor, que se destacou em 12 Anos de Escravidão como ator, o filme se tornou um dos mais populares do catálogo da Netflix em 2019.

Sinopse: William Kamkwamba (Maxwell Simba) é um garoto de 13 anos que não aguenta mais ver sua família e seus amigos passarem por dificuldades em uma forte seca que toma conta da região do Malawi. Para Kamkwamb, ir para a escola é a grande oportunidade de mudar de vida e ajudar os seus pais. Porém, como a família não consegue vender a plantação, faltam recursos para pagar a mensalidade. É aí que ele decide aprender sozinho, usando livros de uma pequena biblioteca local, sobre engenharia e energia eólica.
Onde ver: Netflix.

Guava Island (2019)

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Filmado em segredo em Cuba, o média-metragem (de 55 minutos) Guava Island apareceu meio que de surpresa no catálogo da Amazon Prime no final do mês de abril. Estrelado por Donald Glover e Rihanna, o filme mistura musical, comédia e drama em um produto que mais parece um clipe de duração estendida para a persona musical de Glover, Childish Gambino, que despeja letras cheias de romantismo combinadas com ácidas críticas sociais. É como se Gambino encontrasse Earn, o personagem que o músico, ator, roteirista e diretor americano interpreta na incrível série Atlanta.

Sinopse: Deni Maroon (Donald Glover) é um músico que ganha a vida apresentando um programa em uma rádio e trabalhando nas docas de Guava, uma ilha caribenha controlada pela família Red, que além das docas, possui todos os grandes negócios do local, como o da produção da famosa seda azul. A namorada de Deni, Kofi (Rihanna), trabalha como costureira na tecelagem dos Red. Quando Deni decide fazer um festival para alegrar o sofrido e explorado povo de Guava, o atual chefe da família Red (Nonso Anozie) manda que ele cancele a festa, pois, acha que seus empregados ficarão cansados e não vão trabalhar no domingo, algo costumeiro na ilha.
Onde ver: Amazon Prime.