MULHERES
06/05/2020 12:00 -03 | Atualizado 06/05/2020 15:20 -03

Após a despedida do meu 1º filho e 10 tentativas de fertilização, veio meu 2º bebê

O 5º depoimento do projeto "Prazer, Sou Mãe" é da juíza Fernanda, que atravessou anos de espera e resiliência até realizar o sonho de gerar um bebê.

Divulgação/Arquivo Pessoal
Pedro, o segundo filho de Fernanda, está ensinando muito para ela.

“Não me lembro de ter tido um dia tão triste como este... Há exatas 6 semanas, descobria que você existia dentro de mim. Pelas minhas contas, você já estava ali, sem eu sequer imaginar, há pelo menos duas semanas. Que mistura de sentimentos!

 

Depois de 3 tentativas frustradas de fertilização in vitro, você resolveu vir quando menos esperávamos, da forma tradicional. Seu pai demorou para entender o que era aquele bilhetinho junto ao exame de farmácia. Ficamos em êxtase! Foram semanas de alegria intensa, de expectativa e medições diárias da barriga, de enjoos, muito sono e muitas idas ao banheiro.

 

Que delícia sentir-me grávida! Sonhamos, planejamos, ficamos apreensivos com tantas mudanças que estavam por vir e estávamos loucos para viver cada uma delas, mas, antes disso, queríamos gritar a todos os cantos contando a grande notícia. 

 

Fomos cautelosos, curtindo cada novidade a sós, apenas nós 3. Para nossa tristeza, no domingo, dia 12 de fevereiro de 2017, tive um sangramento e, 2 dias depois, o ultrassom não detectou mais seus batimentos cardíacos. Como assim? No primeiro ultrassom, você parecia tão perfeito... Não esqueço da emoção que envolveu meu coração quando ouvi seus batimentos cardíacos a 132 por minuto!

 

Agora não há mais nada a ouvir. Perguntei à médica se você havia sofrido. ‘Não, querida, ele sequer era um bebê ainda!’ Para mim, você já era o meu bebê, o bebê mais amado do mundo. Hoje, me internei para fazer o procedimento de curetagem. Não queria que você saísse de dentro de mim.

 

Talvez tenha sido por isso que meu organismo não reagiu naturalmente. Tiraram você de mim, e a sensação de vazio é devastadora. Sei que se trata de providência divina, sei que em algum momento vou entender o motivo de tudo isso. 

 

Hoje, só quero agradecer por ter tido você por 8 semanas, aqui, dentro de mim, ensinando-me sobre um sentimento difícil de explicar. Foram as melhores semanas da minha vida. E, agora, onde quer que você esteja, saiba que foi muito amado!

 

Vá em paz, meu bebê, e saiba que esse curto espaço de tempo foi mais do que suficiente para cumprir sua missão aqui na Terra, transbordando amor e tornando seus pais pessoas melhores e cada vez mais unidas! 

 

Amo você!”

Foi assim que me tornei mãe e me despedi de meu primeiro filho.

De lá para cá, mais 7 tentativas de fertilização in vitro e a clareza de que tudo precisava ter sido exatamente desta forma para que, enfim, meu coração estivesse disponível para essa linda função: ser mãe!

A persistência e resiliência sustentavam minha busca incessante pela concretização do sonho de carregar em meus braços o fruto de um amor que só cresceu e se fortaleceu durante a jornada.
Divulgação/Arquivo Pessoal
A plenitude de Fernanda, hoje mãe, esposa, profissional, entre tantos outros papéis.

A persistência e resiliência que me mantiveram firme por 10 anos de estudo para ser aprovada em concurso público, para cargo que tanto almejei, agora sustentavam a busca incessante pela concretização do sonho de carregar em meus braços o fruto de um amor que só cresceu e se fortaleceu durante a jornada.

Passados mais de 3 anos desde aquele dia, hoje tenho em meus braços meu segundo bebê (segundo, mas não menos amado), o pequeno Pedro. Toda a dor, ansiedade e sofrimento daquela época deram espaço a uma intensa sensação de completude, de que tudo está em seu devido lugar, embora minha vida esteja totalmente de cabeça para baixo! (risos)

Pedro veio para me mostrar o que realmente importa, para ensinar com cada choro, com um simples olhar... Confesso que o caminho não é fácil. A maternidade é, ao mesmo tempo, sublime e árdua; é um constante, e não necessariamente desejado, exercício de autoconhecimento; é estar disponível 24 horas por dia, tentando preservar os demais papéis que compõem a individualidade de toda mulher (esposa, profissional, filha, amiga etc). Sem dúvida alguma, é o papel em que mais quero acertar!

Para isso, conto com um superparceiro de vida, alguém que se propôs a caminhar a meu lado e fazer valer cada palavra do juramento trocado quando nos casamos, há mais de 10 anos. O sonho atingido não é só meu; é nosso! E é por isso que não poderia deixar de mencionar a importância do pai do meu filho nesse processo diário de construção do “eu-mãe”.

Apesar de saber que tenho muito a aprimorar, gosto do que vejo, tenho orgulho da pessoa que me tornei e gratidão pela vida, por meu marido, pelas pessoas que me rodeiam e, principalmente, por meu pequeno, que faz que eu queira ser uma pessoa melhor a cada dia.

Fernanda é dona do 5º depoimento do projeto Prazer, Sou Mãe. Ela tem 43 anos, é juíza de direito, esposa do Gustavo e mãe do Pedro e de uma “estrelinha”.