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19/09/2019 13:48 -03

Obra pivô da operação que mira o líder do governo teve orçamento inflado de R$ 4,5 bi para R$ 12 bi

Senador colocou o cargo à disposição do governo.

Ueslei Marcelino / Reuters
Bezerra que foi ministro da Integração no governo da ex-presidente Dilma Rousseff é investigado na Operação Desintegração.

Líder do governo do presidente Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE) teve seu gabinete vistoriado pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (19), após a expedição de mandados de busca e apreensão. O filho dele, deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE), também foi alvo.

Bezerra, que foi ministro da Integração no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, é investigado na Operação Desintegração. A suspeita é que ele esteja envolvido em um esquema de desvios em obras públicas da época em que foi ministro e que tenha recebido dinheiro por meio de doleiros.

O caso é mais um dos desdobramentos da Operação Lava Jato e foi aberto depois da homologação da delação do doleiro João Lyra. O delator foi ouvido em investigação sobre irregularidades na transposição do Rio São Francisco.

A obra, que ainda está em andamento, foi orçada inicialmente em R$ 4,5 bilhões e chegou ao custo de R$ 12 bilhões.

Pela apuração da PF, o senador recebeu R$ 5,5 milhões em propina. Já o deputado Fernando Coelho teria recebido R$ 1,7 milhão.

O que diz o senador

Em nota, a defesa afirma que os fatos investigados são antigos e acusa interesse em atingir a atuação política do senador. Diz a nota que o líder do governo tem atuação combativa contra determinados interesses de órgãos de persecução penal, mas não detalha quais interesses.

“Causa estranheza à defesa do senador Fernando Bezerra Coelho que medidas cautelares sejam decretadas em razão de fatos pretéritos que não guardam qualquer razão de contemporaneidade com o objeto da investigação.

A única justificativa do pedido seria em razão da atuação política e combativa do senador contra determinados interesses dos órgãos de persecução penal.

O texto diz ainda que “a defesa seguirá firme no propósito de demonstrar que as cautelares são extemporâneas e desnecessárias”.

O senador também é citado em outras frentes da Lava Jato como possível destinatário de propinas. Ele aparece em delações da Odebrecht e da Galvão Engenharia.

Reflexo no governo Bolsonaro

A operação atinge um dos pontos fracos do governo Bolsonaro: a articulação política. O senador, que é líder do governo e tem tido sucesso em negociar as pautas bolsonaristas na Casa, colocou o cargo à disposição.

Resta ao governo aceitar e indicar outro nome para o posto — não há ninguém no momento que teria a mesma habilidade de Bezerra — ou pedir para o senador permanecer no cargo e assumir o desgaste da decisão.

“Quero deixar, desde pronto, o governo à vontade para que, fazendo o juízo da necessidade de um novo interlocutor, que não haverá, da minha parte, nenhuma dificuldade. Vou continuar ajudando na agenda que acredito, que é a agenda da área da economia”, disse o senador.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorezoni, afirmou que o governo vai aguardar os acontecimentos.

“No final de semana, vou conversar com o presidente e nós vamos ver que atitude vai ser tomada. Mas, neste momento, nós temos de aguardar. É uma questão individual dele e de vida pregressa”, disse.