ENTRETENIMENTO
05/10/2019 09:20 -03 | Atualizado 16/10/2019 16:22 -03

9 papéis inesquecíveis de Fernanda Montenegro

De dramas a comédias, nos palcos, na TV, no cinema... A maior atriz brasileira de todos os tempos completa 90 anos.

Fernanda Montenegro foi alvo de um constrangimento recente que acabou servindo para reafirmar o seu título de maior atriz brasileira de todos os tempos.

Após um manifesto seu contra os rumos da cultura no Brasil por parte do governo Bolsonaro, retratado na forma de uma foto na revista Quatro Cinco Um em que aparece amarrada em uma fogueira de livros, Fernanda foi agredida verbalmente por Roberto Alvim, atual diretor do Centro de Artes Cênicas da Fundação Nacional de Artes (Funarte).

Em uma postagem no Facebook, Alvin chamou a atriz de “sórdida”, “mentirosa” e “desprezível”. A resposta às ofensas de Alvin não demorou. Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados encaminhará ao Ministério da Cidadania uma moção de repúdio às declarações.

Isso só mostra o tamanho de Fernanda Montenegro. Grande dama do teatro brasileiro, ela brilhou como atriz em todas as plataformas e interpretando personagens dos mais variados sempre com a mesma força e talento.

E, para celebrar os 90 anos dessa atriz incrível, selecionamos 9 papéis marcantes da carreira de Fernanda Montenegro.

Veja aqui:   

Isadora, no filme Central do Brasil (1998)

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De todos os papéis da vida de Fernanda Montenegro, o de Dora, em Central do Brasil, é disparado o mais famoso. E por uma razão simples: por conta dele, a atriz tornou-se conhecida no mundo todo. Além de conquistar o Leão de Prata de melhor atriz no prestigiado Festival de Veneza, ela concorreu ao Oscar de Melhor Atriz, que acabou nas mãos Gwyneth Paltrow por uma insossa atuação no ainda mais insosso Shakespeare Apaixonado. Uma das maiores injustiças da história do Oscar.

Fedra, na peça Fedra (1986)

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A atuação de Fernanda Montenegro nessa montagem da tragédia escrita originalmente pelo romano Sêneca por volta do ano 54 D.C. foi tão marcante que até Roberto Alvim, o atual diretor da Funarte que ofendeu a atriz nas redes sociais, admitiu ter decidido fazer teatro depois de vê-la no palco, em 1986. A montagem dirigida por Augusto Boal com base no texto do francês Jean Racine, traduzido por Millôr Fernandes, foi um fenômeno por onde passou. Muito por conta da estilo imposto por Millôr, que deixou o texto mais acessível e moderno, e a atuação simplesmente hipnótica de Fernanda.  

Romana, no filme Eles Não Usam Black-Tie (1981)

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Fernanda Montenegro é o tipo de atriz que sabe a hora exata de colocar sua intensidade a serviço do personagem. A sofrida Romana de Eles Não Usam Black-tie é um excelente exemplo disso. Baseado na peça de Gianfrancesco Guarnieri, o filme dirigido por Leon Hirszman venceu o Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Veneza. Um verdadeiro marco do cinema brasileiro. Tanto que consta em diversas listas de críticos como um dos melhores filmes nacionais de todos os tempos.

Maria, na minissérie e filme O Auto da Compadecida (1999/2000)

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O papel de Fernanda Montenegro na minissérie (que depois virou um longa) é praticamente uma participação especial. Mesmo assim, usando de seu talento inegável, mas principalmente de seu carisma, ela consegue fazer que todo mundo lembre dela como um dos destaques da produção. 

Bia Falcão, na novela Belíssima (2005/2006)

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Fernanda Montenegro não é muito famosa por papéis de vilã, mas a insuportável Bia Falcão é sempre lembrada pelos fãs de novelas. Seu desempenho foi tão marcante que sua Bia entrou em um seleto panteão de vilãs da teledramaturgia brasileira, como Odete Roitman (Beatriz Segall), de Vale Tudo; Nazaré Tedesco (Renata Sorrah), de Senhora do Destino; e Carminha (Adriana Esteves), de Avenida Brasil. “E eu me dei bem, acabei com o Cauã Reymond”, brincou Fernanda em uma entrevista na série documental, As Vilãs que Amamos, exibida no canal Viva em junho deste ano. 

Zulmira, no filme A Falecida (1965)

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Fernanda Montenegro entrega uma atuação magistral logo no primeiro filme de sua carreira, um clássico do Cinema Novo. Foi também a estreia de Leon Hirszman na ficção. Na época de sua estreia, a versão cinematográfica da famosa peça de Nelson Rodrigues não foi bem recebida por conta de seu tom extremamente naturalista e livre tão característico do Cinema Novo, mas com o passar dos anos passou a ser considerado um marco do cinema nacional. A cena em que Zulmira se banha na chuva é simplesmente icônica. 

Charlô e Altamiranda, na novela Guerra dos Sexos (1983/1984)

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Fernanda Montenegro se destaca também em comédias, e um de seus papéis que mais fez o público rir foi na novela Guerra dos Sexos. Principalmente nas cenas em que fazia verdadeiros duelos com o não menos incrível Paulo Autran. A cena da luta de comida entre os rivais Charlô e Otávio, com direito a torta na cara e tudo, se transformou em uma das mais antológicas da TV brasileira.

Vó Manuela, na minissérie Riacho Doce (1990)

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A mística, cruel e autoritária Vó Manuela é uma das personagens mais marcantes da minissérie baseada no livro homônimo de José Lins do Rêgo. Riacho Doce foi um dos grandes sucessos da Globo nos anos 1990.

Simone de Beauvoir, na peça Viver sem Tempos Mortos (2009)

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Não é fácil escolher papéis marcantes de Fernanda Montenegro no teatro. Grande dama dos palcos Brasil afora, ela possui um currículo dos mais variados no tablado. E se mantém em forma mesmo após tantos anos de serviços prestados à dramaturgia brasileira. Uma de suas grandes performances da última década foi como a escritora, intelectual, filósofa, ativista feminista francesa Simone de Beauvoir no monólogo Viver Sem Tempos Mortos. Irretocável.