LGBT
07/09/2019 17:55 -03 | Atualizado 07/09/2019 18:00 -03

Em resposta a Crivella, Felipe Neto distribui 14 mil livros com temática LGBT de graça na Bienal

"É uma campanha a favor da união, da diversidade e da aceitação."

Em resposta à tentativa do prefeito Marcelo Crivella de censurar a HQ da Marvel que traz uma cena de dois homens se beijando, Felipe Neto decidiu realizar uma ação inédita na Bienal do Livro. O youtuber comprou todo o estoque de livros com autores e/ou temática LGBT disponíveis no evento - mais de 14 mil exemplares.

Com a ajuda de voluntários, os livros foram embalados em saco plástico preto e adesivados com a mensagem: “Este livro é impróprio para pessoas atrasadas, retrógradas e preconceituosas. Felipe Neto agradece a sua luta pelo amor, pela inclusão e pela diversidade”.

Ao jornal O Globo, a agente literária Alessandra Ruiz, que é amiga do youtuber, contou que a ideia inicial era adquirir o gibi alvo de censura. Como havia poucos exemplares disponíveis, eles desenvolveram uma ação maior, comprando todos os títulos da LGBT das diferentes editoras presentes.

Cerca de 10 mil livros foram distribuídos até o meio dia deste sábado (7). O restante dos exemplares começou a ser distribuído no início da tarde.

 

Livros com temática LGBT x Justiça

Na noite desta sexta (6), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) concedeu uma liminar proibindo a prefeitura da cidade de buscar e apreender obras na Bienal do Livro. A decisão do desembargador Heleno Ribeiro Pereira Nunes, da 5ª Câmara Cível, atende a um pedido feito pela própria Bienal.

Neste sábado, porém, a limitar foi suspensa pelo desembargador Claudio de Mello Tavares, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

“A notificação feita pela Administração Municipal foi feita visando evidente interesse público, em especial a proteção da criança e do adolescente, no exercício do poder-dever de fiscalização e impedimento ao comércio de material inadequado, potencialmente indutor e possivelmente nocivo à criança e ao adolescente, sem a necessária advertência ao possível leitor ou à família diretamente responsável, e sem um capeamento opaco, exigido expressamente na legislação”, diz o presidente do TJ em sua decisão, segundo o site da revista Veja.

O desembargador também afirma que não ocorreu “impedimento ou embaraço à liberdade de expressão, porquanto, em se tratando de obra de super-heróis, atrativa ao público infanto-juvenil, que aborda o tema da homossexualidade, é mister que os pais sejam devidamente alertados, com a finalidade de acessarem previamente informações a respeito do teor das publicações disponíveis no livre comércio, antes de decidirem se aquele texto se adequa ou não à sua visão de como educar seus filhos”.

Ao tomar conhecimento da decisão de Claudio de Mello Tavares, Felipe Neto publicou um vídeo no Twitter neste sábado (7) explicando que a distribuição gratuita dos livros é uma “campanha a favor da união, da diversidade e da aceitação”. Ele também orientou seus seguidores que registrassem em vídeo e divulgassem qualquer ação de recolhimento das obras. “O mundo precisa ver o que está acontecendo no Rio de Janeiro”, afirmou.