ENTRETENIMENTO
10/01/2019 19:02 -02

Por que 'Família Soprano' é a melhor série de todos os tempos

Divisor de águas na história da TV, drama sobre mafiosos de Nova Jersey completa 20 anos.

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Série que inaugurou a "era de ouro da televisão" teve 6 temporadas que foram exibidas de 1999 a 2007.

O dia 10 de janeiro de 1999 inaugurou uma nova era para as séries dramáticas na TV. Foi nessa data que estreou Família Soprano, produção da HBO que consolidou o que hoje chamamos de “era de ouro da televisão”.

Foi a partir da série criada por David Chase que a TV alcançou um status inédito até então, dando peso a um veículo que antes era considerado de “segunda classe”, inferior ao cinema.

O sucesso avassalador de crítica e público de Família Soprano fez com que o número de séries que primavam pelo alto nível de roteiro, cinematografia e elenco explodisse. A partir de 2000, o meio televisivo foi inundado por títulos de excelente qualidade, como The Wire, Deadwood, Six Feet Under, The Shield, Mad Men, Breaking Bad... Só para citar alguns.

E mesmo que já tenham se passado 20 anos de sua data de estreia, ninguém conseguiu destronar Família Soprano.

Sabe porquê?

Veja aqui pelo menos 5 motivos que mostram porque Família Sopranos (ainda) é a melhor série de todos os tempos:

Tony Soprano é o pai de todos os anti-heróis

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Eternizado pelo excelente James Gandolfini, Tony Soprano era um personagem sui generis. Chefe da máfia de Nova Jersey, ele conseguia ser um sociopata brutal e um pai de família carinhoso, um macho alfa que conquistava o respeito de seus pares pela força, mas que sofria com ataques de pânico; um homem que gerava no público amor e ódio na mesma medida. Nenhum protagonista conseguiu equilibrar tão bem a figura de alguém perigoso e violento com uma pessoa generosa e que sofria, como nós, com as pressões da vida moderna. Sem Tony Soprano não existiria Walter White (Breaking Bad), Don Draper (Mad Men), Vic Mackey (The Shield), o casal Jennings (The Americans) ou Al Swearengen (Deadwood), alguns dos mais marcantes anti-heróis da TV.

 

Nenhuma série discutiu a psiquê de seus personagens como Família Soprano

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Atormentado por uma série de ataques de pânico cada vez mais frequentes, Tony Soprano resolve consultar secretamente uma psicóloga, a Dra. Jennifer Melfi (Lorraine Bracco). E logo no primeiro episódio presenciamos uma das famosas sessões entre os dois. Personagens sendo analisados bem diante de nossos olhos era algo inédito e instigante. A série a todo instante fazia questão de apontar as contradições e idiossincrasias de cada personagem, dando uma profundidade a eles nunca vista antes. Além disso, ninguém conseguiu representar tão bem sequências de sonho até hoje.

 

Os personagens de Família Soprano têm profundidade nunca vista antes

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Normalmente, as séries possuem 2, 3 ou 4 personagens bem desenvolvidos, mas Família Soprano consegue reunir um número assombroso de personagens com nível de profundidade único. São uns 15, 20 personagens do qual conhecemos cada detalhe, cada contradição, cada desejo, cada frustração, cada idiossincrasia. Tony, a Dr. Melfi, Carmela, Chris Moltisanti, Tio Júnior, Silvio, Paulie, Meadow, A.J., Janice… A lista é longa. O que menos conta em Família Soprano é sua história. Basicamente, o tema da série é a vida desses personagens.

 

Família Soprano nunca segue pelo caminho fácil do cliffhanger

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Muito comum em 99,9% das séries, o cliffhanger é recurso de roteiro que coloca um ou mais personagens em uma situação limite, como uma revelação, um dilema ou um confronto no final de cada episódio para prender a atenção da audiência. Família Soprano nunca se deixa levar por esse truque barato. Por mais que haja muita ação na série, boa parte de seus momentos são reflexivos, tratando de conflitos internos de seus personagens. E o que dizer então da última cena de Família Soprano? Terminar sem uma conclusão clara e “explicadinha” foi um ato de coragem que nenhuma série teve a audácia de fazer.

 

Família Soprano tem sequências musicais inesquecíveis

É inegável a inspiração de Os Bons Companheiros (1990) em Família Soprano. Nada mais que 27 atores de seu elenco também trabalharam no filme de Martin Scorsese. Mas Não foram apenas os atores que chamaram a atenção de David Chase. As sequências musicais de Os Bons Companheiros, como a da contagem de corpos ao som de Layla (de Dereck and The Dominoes, projeto de Eric Clapton com os Allman Brothers), causaram grande impacto no autor, que depois criaria algumas das cenas pontuadas por músicas mais “cool” da história da TV.

Quer mais alguns exemplos? Então veja estes aqui:

Sequência de abertura da 2ª temporada com It Was a Very Good Year, cantada por Frank Sinatra

O FBI monitora a família Soprano ao som de um medley do tema de Peter Gunn (Henry Mancini) com Every Breath You Take (The Police)

Tony desce ao fundo do poço da depressão ao som de Tiny Tears, do Tindersticks

O emocionante discurso de Carmela a um Tony em coma ao som de American Girl, de Tom Petty and the Heartbreakers

Tony dá uma surra de cinto no atual amante de sua ex ao som da romântica Oh, Girl (The Chi-Lites)

Cris volta a se entregar ao vício de heroína ao som de Dolphins, de Fred Neil