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31/05/2020 10:36 -03 | Atualizado 01/06/2020 10:17 -03

Youtubers que defendem ditadura e até a Terra Plana são financiados por estatais

Segundo O Globo, Petrobras, Eletrobras e até o governo federal são grandes anunciantes de canais como Terça Livre e Enzuh.

Empresas estatais como Petrobras, Eletrobras e até o próprio governo federal financiam - por meio de anúncios publicitários - canais no YouTube que veiculam fake news, defendem a volta da ditadura militar no Brasil, com o fechamento do Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF), e até adeptos da teoria de que a Terra é plana.

Segundo dados levantados pelo jornal O Globo obtidos via Lei de Acesso à Informação, a Petrobras e a Eletrobras veicularam 28.845 anúncios nesses canais entre janeiro de 2017 e julho de 2019. Além disso, um levantamento da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência aponta 390.714 anúncios do próprio governo federal em 11 sites e canais com esse perfil entre junho e agosto de 2019 usando verba da campanha para a Reforma da Previdência.

Alguns dos donos dessas páginas estão sendo investigados pelo STF em um processo que apura a existência de uma rede de divulgação de notícias falsas com ligações com governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Entre eles: Allan dos Santos, do canal Terça Livre, Enzo Leonardo Suzi Momenti, do Enzuh, e Bernardo Pires Küster. 

O Terça Livre veiculou 3.490 anúncios pagos pela Petrobras, enquanto o canal de Küster no YouTube e o de Momenti veicularam, respectivamente 3.602 e 1.192 anúncios pagos pela mesma estatal. A Eletrobras também anunciou nesses três canais.

Mas o campeão de verbas recebidas é o Giro de Notícias, do youtuber Alberto Silva, famoso por defender a intervenção militar no País, que teve mais de 10 mil anúncios patrocinados pela Petrobras.

Esse tipo de anúncio é conhecido como programático. Ou seja, a empresa identifica um público-alvo e contrata agências de marketing digital para veicular suas publicidades em canais que atingem esse público-alvo. Essas agências repassam a verba para o YouTube, que distribui anúncios pelos canais de acordo com seu algoritmo baseado no perfil desejado pelo cliente. 

Ao O Globo, as estatais e a Secom negaram direcionamento de verbas para essas páginas. Porém, segundo o Google, que é dono do YouTube, é totalmente possível uma empresa direcionar para onde vão seus anúncios. Ou seja, se quisessem, Petrobras, Eletrobras e Secom não teriam suas campanhas publicitárias veiculadas no Terça Livre, no Enzuh, no Giro de Notícias ou no canal de Bernardo P Küster.

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