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26/09/2019 15:16 -03

Facebook e YouTube afrouxam regras para políticos e facilitam disseminação de fake news

Vídeos que violam as regras não serão necessariamente removidos porque é importante que as pessoas vejam, diz a CEO do YouTube.

Esta semana o Facebook e o Youtube anunciaram regras diferentes para políticos. Eles terão mais flexibilidade que os cidadãos comuns em suas publicações. E será mais difícil tirar o conteúdo deles do ar — mesmo que disseminem fake news.

A CEO do Youtube, Susan Wojcicki, argumentou que as publicações de políticos são “newsworthy”, em uma redução livre significa que tem valor e merece ser publicado.

Na quarta-feira (25), ela defendeu a exceção à regra, dizendo que os conteúdos são importantes para as outras pessoas verem. Ela colocou a responsabilidade de contextualizar o conteúdo nos meios de comunicação.

“Quando você tem um político fazendo informação é muito importante para o eleitor ver ou outros líderes. Esse conteúdo, nós vamos deixar porque achamos que é importante para as outras pessoas verem”, disse.

O Facebook adotou política semelhante na terça (24). Nas novas regras, se um político compartilhar um conteúdo comprovadamente falso, ele será rebaixado, mas não será deletado da plataforma.

“Nós não acreditamos que é um papel inapropriado para nós sermos juízes de debates e políticos e evitar que um discurso político alcance seu público ou seja matéria de debate público ou escrutínio. Este é o motivo pelo qual o Facebook está isentando políticos do programa de checagem”, explicou o vice-presidente de assuntos globais da empresa, Nick Clegg.

TARIK KIZILKAYA via Getty Images

Estabelecer regras e restrições tem sido uma fronteira para plataformas de mídias sociais, principalmente quando tem a ver com a vitalização de fake news e comentários de figuras públicas.

As regras atuais do YouTube restringem conteúdos que com nudez, pornografia, que é perigoso, odioso, violento; ou que assedia, ameaça e engana. O Facebook tem padrões semelhantes, assim como o Twitter.

O Twitter, que há muito tempo enfrenta um escrutínio sobre seu conteúdo, anunciou em junho que também não manterá os políticos de acordo com suas diretrizes de usuário — desde que o conteúdo compartilhado seja considerado de “interesse público”, a conta do político é verificada e a conta do político tem mais de 100 mil seguidores.

“Há casos, como ameaças diretas de violência ou pedidos para cometer violência contra um indivíduo, que dificilmente serão considerados de interesse público”, disse o Twitter em um post no blog.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido para o português.