OPINIÃO
29/06/2020 17:05 -03 | Atualizado 29/06/2020 17:05 -03

Facebook, ouça o Tio Ben antes que seja tarde

Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades — e a "Rede Social" precisa levar isso como mantra daqui para frente.

Divulgação/Sony
Cena de "Homem Aranha", filme de 2002 com Tobey Maguire e Cliff Robertson.

O Tio Ben sabiamente falou para Peter Parker: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. O Facebook precisa levar isso como mantra daqui para frente.

Desde o ano passado, diversas ações vêm sendo tomadas por governos e grandes anunciantes para contestar as políticas de moderação e privacidade do Facebook. E agora começamos a entender os impactos sociais que a empresa detém e seus riscos.

Ano passado no Web Summit, vi uma ótima fala da Margrethe Vestager, em que ela deu uma luz ao problema de filtrar o conteúdo que os usuários veem nas plataformas sociais, em especial no Facebook. Ela disse: “Se usamos uma plataforma que filtra o conteúdo que podemos ver, terminou a democracia, e a polarização de ideias será acentuada”. De fato é isso que estamos vivendo, em especial no Brasil.

Somado a essa responsabilidade, o Facebook tem um grande problema de credibilidade mundial. Seja pelos diversos casos de vazamento de dados, seja pela lentidão em tomar medidas para mostrar que de fato estão fazendo algo para mudar esses problemas. Geralmente, o que vemos são notas limitadas a explicar que um erro aconteceu mas que estão trabalhando para corrigi-lo.

Quem pode pressionar o Facebook para de fato criar medidas e recursos que ajudem a resolver este e outros problemas da plataforma são os anunciantes, as marcas que com investimento de mídia trazem os quase US$ 70 bilhões que o Facebook arrecada e que correspondem a 98% da sua receita.

Iniciativas como o recente boicote de anúncios por empresas como Unilever, Coca Cola, REI, Patagônia e Ben & Jerry’s, no projeto #StopHateForProfit, são formas reais de pressão para que o Facebook de fato tome atitudes concretas para não impulsionar discursos de ódio, racismo, fascismo e violência que estão na plataforma.

O Facebook é o alto-falante do mundo. 

A empresa com maior capilaridade da história da humanidade.

Uma empresa que detém boa parte da atenção e dados das pessoas deve usar isso não apenas por benefício próprio, apenas para crescer seu valor de mercado, mas em prol de toda a sociedade.

Uma companhia que não faz nada ou muito pouco para banir todo tipo de violência e discurso de ódio, dentro de suas propriedades, precisa ser questionada e pressionada para mudar e evoluir nessa direção.

Afinal, o papel social do Facebook é enorme — e sua responsabilidade precisa ser também.

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