POLÍTICA
16/01/2020 18:34 -03

Chefe da Comunicação do Planalto teve 67 encontros com clientes de sua empresa, diz jornal

Foram 62 reuniões com representantes de Record, Band, SBT e RedeTV!, emissoras que ganharam mais espaço no governo Bolsonaro.

Alan Santos/ Presidência
Para parte dessas reuniões, Wajngarten viajou 20 vezes com dinheiro público.

Um levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo mostra que o chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República, Fabio Wajngarten, teve pelo menos 67 encontros com representantes de clientes e ex-clientes de sua empresa, a FW Comunicação, desde que assumiu o posto. A informação tem por base a agenda pública e relatos oficiais de viagens feitas pelo secretário. 

Para parte dessas reuniões, Wajngarten viajou 20 vezes com dinheiro público. O jornal não divulga quanto foi gasto nesses deslocamentos, mas as despesas de 44 viagens do secretário realizadas entre 8 de abril de 2019 e 15 de janeiro de 2020 somaram R$ 147 mil. 

A Folha ressalta que, entre os compromissos do chefe da Secom, há nomes ligados às emissoras e afiliadas das TV Record, SBT, Band e Rede TV!. Também houve encontros com executivos da Folha em três dessas ocasiões. 

Uma reportagem anterior mostrou que o chefe da Secom, por meio da empresa da qual é sócio majoritário, recebe dinheiro de emissoras de televisão e de agências de publicidade com as quais o governo tem contrato. A Presidência negou a informação e chamou a denúncia de “mentira absurda, ilação leviana”. Na tarde de quarta (15), contudo, o presidente Jair Bolsonaro convocou uma reunião de emergência para falar sobre a situação. 

Nesta quinta, Bolsonaro afirmou que Wajngarten permanecerá no cargo e a situação será analisada em seguida. “Se foi ilegal, a gente vê lá na frente. Mas, pelo que vi até agora, está tudo legal, vai continuar. Excelente profissional. Se fosse uma porcaria, igual alguns que tem por aí, ninguém estaria criticando ele”, disse, ao deixar o Palácio da Alvorada. 

A matéria da Folha destacou que Wajngarten é o principal sócio da FW Comunicação e Marketing (tem 95% das cotas e sua mãe, os outros 5%). A empresa fornece estudos de mídias para TVs e agências. 

Ele assumiu o comando da Secom em abril do ano passado, mas disse ao jornal ter deixado o comando da empresa assim que aceitou o cargo no Planalto e, por isso, não há nenhum “conflito de interesse” na relação. Na noite de quarta, ele fez um pronunciamento no Palácio do Planalto em que afirmou que os grupos de comunicação e pesquisa que o viam como uma ponte de diálogo com o governo, tinham tido esta ponte quebrada nesta quarta. 

A FW tem contratos com “ao menos cinco empresas que recebem do governo, entre elas, a Band e a Record, cujas participações na verba publicitária da Secom vêm crescendo”, diz o jornal. Só em 2019, a Secretaria gastou R$ 197 milhões em campanhas. A matéria destacou ainda que, sob Bolsonaro, a Secom passou a destinar verba maior de publicidade para Band, Record e SBT, às quais, inclusive, o presidente dá prioridade em entrevistas. 

Justiça

O PSL protocolou uma ação popular constitucional na 1ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal pedindo a anulação da nomeação do secretário, bem como de todos os atos praticados por ele.

“O Sr. Fábio Wajngarten atentou contra os princípios constitucionais [...] O caso supracitado é correlato com o objeto da presente Ação Popular: a omissão por parte do Secretário Especial aos órgãos responsáveis de ser proprietário de uma empresa que se beneficia diretamente com o orçamento da secretaria que chefia”, destaca o texto da ação.