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24/10/2019 12:18 -03

Os impactos da exumação do ditador Francisco Franco nas eleições da Espanha

“Sinto muita raiva porque [o governo] usou algo tão covarde quanto desenterrar um cadáver como propaganda e publicidade política”, diz um dos netos de Franco.

POOL New / Reuters

Os restos mortais do ditador espanhol Francisco Franco foram exumados nesta quinta-feira de um mausoléu público no Vale dos Caídos, onde estavam desde sua morte, há mais de quatro décadas.

Os restos mortais de Franco serão levados ao cemitério particular Mingorrubio El Pardo, ao norte de Madri, onde o ditador será enterrado ao lado de sua esposa.

Filmagens mostraram familiares de Franco retirando seu caixão do túmulo após a exumação, que ocorreu a portas fechadas.

A exumação foi uma promessa de campanha do governo do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez e se tornou uma de suas prioridades. Sua proposta era fazer o processo ainda em 2018, quando foi eleito, mas o caso foi judicializado por netos do ditador.

A Espanha está a pouco mais de duas semanas das eleições legislativas e a atitude do governo do PSOE está sendo considerada pela por integrantes da família de Franco e da oposição como uma maneira de intervir no pleito.

Um dos netos do ditador, Francisco Franco y Martinez-Bordiu disse à Reuters que está indignado com o governo. “Sinto muita raiva porque [o governo] usou algo tão covarde quanto desenterrar um cadáver como propaganda e publicidade política para ganhar um punhado de votos antes das eleições.”

“Nós não vamos gastar nem um minuto para falar sobre o que aconteceu na Espanha há 50 anos”, disse recentemente o líder do conservador Partido Popular (PP), Pablo Casado, segundo a agência de notícias France-presse. Líder do partido de extrema-direita Vox, Santiago Abascal, também criticou a “profanação de um túmulo”.

A mudança tem um peso muito simbólico: fechará um estágio sombrio da história da Espanha, um anacronismo que permitiu que os restos mortais de Franco estivessem enterrados ao lado de milhares de combatentes republicanos, perdedores da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), que acabaram lá sem o consentimento de seus familiares.

Franco governou a Espanha entre 1939 e 1975. Neste período morreram cerca de 195 mil pessoas e se exilaram outras 400 mil vítimas da repressão franquista.