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15/02/2019 16:26 -02

Delegado diz que segurança envolvido em morte de jovem no Extra foi 'imprudente'

“Eu não tenho elemento concreto que o vigilante queria a morte dele. O que eu tenho é ele tentando conter o jovem, da pior maneira possível", afirmou.

O delegado Cassiano Conte, responsável pela investigação da morte de um jovem dentro do supermercado Extra, no Rio de Janeiro, afirmou que o segurança Davi Ricardo Moreira foi “imprudente na técnica” ao tentar conter o jovem. A afirmação foi feita em entrevista ao jornal O Globo

Nesta sexta-feira (15), Pedro Henrique Gonzaga, de 25 anos, morreu dentro do estabelecimento na Barra da Tijuca. Segundo Conte, o segurança vai responder por homicídio culposo - quando não há a intenção de matar. 

O crime prevê uma pena de até 4 anos de prisão. Davi Ricardo foi preso em flagrante, mas deixou a Delegacia de Homicídios da capital ainda na manhã de hoje. A defesa não revelou o valor da fiança.  

O delegado explica que não há elemento concreto que possa afirmar o dolo na ação, uma vez que Moreira estava no exercício de sua profissão.

“Eu não tenho elemento concreto que o vigilante queria a morte dele. O que eu tenho é ele tentando conter o jovem, da pior maneira possível”, disse Cassiano Conte.

“Ele exagerou, ele foi imprudente na técnica, mesmo tendo o conhecimento”, completou.

Pedro Henrique estava com familiares dentro do supermercado. De acordo com o depoimento da mãe, o jovem estava sob efeitos de drogas e iria ser internado em uma clínica de reabilitação em Petrópolis.

A mãe de Pedro Henrique estava no caixa quando o jovem se afastou e foi detido pelo segurança.

Ela teria avisado à equipe de segurança que o filho estava sob efeitos de substâncias, e o jovem teria ficado nervoso com o comentário da mãe.

No depoimento do segurança, ele afirmou  que a vítima estava passando mal e abaixou para prestar os primeiros socorros, mas “percebeu que ele estava simulando” e que “não tinha nenhum problema”.

Davi Moreira afirma que Pedro Henrique teria pegado a arma que ele usava e por isso ele o imobilizou com força.

Foi então que Moreira deu uma “gravata” no jovem e permaneceu com o corpo por cima dele por cerca de 2 minutos, de acordo com depoimento de testemunhas.

Em vídeos que circulam nas redes sociais, outros clientes que assistiam à cena avisaram ao segurança que o jovem estava desacordado e pediram para que o soltasse.

Um deles chegou a afirmar que a mão de Pedro Henrique estava roxa e que ele não possuía nenhuma arma.

“Você está mentindo”, repete Moreira no vídeo.  

O que diz a defesa 

Segundo o advogado da empresa Group Protection, da qual Davi Moreira é funcionário, o jovem teria simulado um desmaio e a contenção do garoto seria em legítima defesa e de terceiros.

A mãe do rapaz assistiu à imobilização do seu filho e testemunhou os apelos dos outros clientes. O Corpo de Bombeiros chegou a prestar atendimento ao jovem, mas ele não resistiu. 

Em nota, o supermercado Extra afirmou que repudia qualquer ato de violência e disse que o segurança será afastado. 

O crime repercutiu nas redes sociais. No Twitter, os termos “vidas negras importam” e “a carne mais barata do mercado” estavam entre os assuntos mais comentados do dia pelos usuários, que demonstram indignação diante do ocorrido.