LGBT
25/06/2019 17:47 -03 | Atualizado 25/10/2019 16:29 -03

Polícia do DF prende quadrilha suspeita de praticar sextorsão contra gays

Bando utilizava apps de encontro para extorquir dinheiro de LGBTs.

A Polícia Civil do Distrito Federal cumpriu nesta terça-feira (25) nove mandados de prisão preventiva contra uma organização criminosa que praticava sextorsão contra vítimas gays.

A quadrilha agia em várias partes do País. Já foram identificadas vítimas em cidades como Brasília, Goiânia, São Paulo e Fortaleza.

De acordo com as investigações, os criminosos marcavam encontros com homens por meio aplicativos de relacionamento destinado ao público gay.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Gleyson Mascarenhas, os encontros eram consensuais e ocorriam em hotéis das cidades.

VladOrlov via Getty Images
Quadrilha fez gays vítimas em cidades como Brasília, Goiânia, São Paulo e Fortaleza.

 

No quarto do hotel, enquanto a vítima praticava relação sexual com um membro do grupo, os demais criminosos realizavam as filmagens da cena.

Depois, ameaçavam expor as imagens na internet, agrediam a vítima e cobravam valores de até R$ 15 mil para que não publicassem os vídeos.

Os criminosos usavam máquinas de cartão de crédito para fazer as transações e ordenavam que as vítimas fizessem saques e transferências das quantias.

A operação foi batizada pela polícia de “Cilada” e contou com o apoio da Polícia Civil de Goiás e de São Paulo. O grupo é acusado de extorsão e lesão corporal.

O que é sextorsão

O termo sextorsão deriva da palavra em inglês sextorsion e diz respeito a ameaça de divulgar imagens íntimas na internet.

A sextorsão acontece quando o criminoso quer forçar a vítima a fazer algo, seja uma extorsão financeira ou um ato libidinoso. Os motivos vão desde vingança, humilhação, manipulação ou interesse financeiro.

De acordo com a SaferNet, é uma forma de violência grave, que pode levar a consequências extremas como o suicídio.

O que fazer se você é vítima de sextorsão e como se prevenir

De acordo com a psicóloga Juliana Cunha, da SaferNet, não existe uma legislação específica para os crimes de sextorsão no Brasil. Os casos geralmente são enquadrados como o crime de extorsão ou estupro virtual.

“Se há o uso de grave humilhação ou constrangimento, ou se o criminoso força a vítima a produzir mais imagens ou praticar ato libidinoso sob ameaça, há o entendimento das autoridades de que pode existir um caso de estupro virtual”, explica Cunha.

A melhor forma de se combater o crime é procurar as autoridades para denunciar a ocorrência.

“Você precisa denunciar rapidamente para a polícia. Não tenha medo de expor o caso e não responda as ameaças ou entre em negociação. Não ceda às chantagens, procure imediatamente as autoridades”, ensina Cunha.

Para isso, é preciso armazenar a maior quantidade possível de informações, como por exemplo prints das conversas trocadas entre a vítima e o criminoso.

Depois, é preciso ir até a delegacia mais próxima para registrar o crime. Já existem delegacias especializadas em crimes de internet.

Caso as suas imagens tenham sido expostas, denucie o conteúdo nas plataformas como Facebook e Instagram para que sejam removidos.

O buscador do Google também oferece a possibilidade de remoção de conteúdo. No entanto, a imagem não será deletada. Mas o Google consegue dissociar o conteúdo da imagem do nome da vítima, por exemplo.

Cuidados ao usar aplicativos de encontro e marcar dates

1. Verifique se você está conversando com um perfil falso.

Nem sempre isso é simples. Uma forma de checar é fazer o download da foto do perfil e procurar no Google Imagens se essa foto já existe em outras plataformas. Basta você fazer o upload da foto e verificar se existem outras semelhantes em sites e plataformas. 

 2. Converse, converse, converse antes de ir para um encontro

Certifique-se de quem é essa pessoa. Conversar sobre a vida dela e pesquise informações nas redes. Cruze os dados que ela te deu com o que estiver disponível sobre ela. Pergunte mais de uma vez para verificar se a pessoa não entra em contradição sobre o mesmo tema. 

3. Marque o primeiro encontro em um local público

Escolha locais públicos ou neutros para o primeiro encontro. Evite locais a que você não tem fácil acesso ou saída, como a casa da pessoa ou hotéis. 

4. Avise aos seus amigos

Avise a pessoas conhecidas que você está indo ao encontro e qual é o lugar.

5. Não duvide do seu sexto sentido

Se você sentir qualquer desconforto, desconfiança ou suspeita durante o encontro, leve isso a sério. Não ache que é bobagem da sua cabeça e suspenda o encontro. 

Fonte: SaferNet