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12/03/2019 10:36 -03 | Atualizado 12/03/2019 15:52 -03

Polícia prende ex-PMs por morte de Marielle, mas não sabe quem mandou matar

"O mais importante é saber quem mandou matar porque quem matou não foi só quem apertou o gatilho", disse deputado Marcelo Freixo (PSol-RJ).

ASSOCIATED PRESS
"O mais importante é saber quem mandou matar porque quem matou não foi só quem apertou o gatilho", disse deputado Marcelo Freixo (PSol-RJ).

Quase um ano após a execução da vereadora Marielle Franco (PSol-RJ) e do motorista Anderson Gomes, a Delegacia de Homicídios (DH) da Capital no Rio de Janeiro e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) prenderam na madrugada desta terça-feira (12) o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz por envolvimento no crime.

A polícia diz que ainda não sabe, contudo, quem foi o mandante. Lessa, de 48 anos, é um dos suspeitos de ter disparado a arma que matou Marielle e Gomes. Na próxima quinta-feira (14) a morte dos dois completa um ano.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio, Lessa teria atirado nas vítimas, e Elcio dirigia o Cobalt prata usado na emboscada. Os dois tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz substituto do 4º Tribunal do Júri Gustavo Kalil.

O Ministério da Justiça divulgou, pelas redes sociais, uma nota dizendo que o ministro Sergio Moro espera que as prisões “sejam mais um passo para a elucidação completa deste grave crime” e que “todos os responsáveis sejam levados à Justiça”. 

Moro também afirmou, pela conta oficial, que a polícia federal “tem contribuído e continuará contribuindo com todos os recursos necessários para a continuidade das investigações do crime e das tentativas de obstrui-las”.

Para o deputado Marcelo Freixo (PSol-RJ), amigo de Marielle, “o mais importante é saber quem mandou matar”. “Quem matou não foi só quem apertou o gatilho”, afirmou ao Bom Dia Brasil, da TV Globo.

O parlamentar reconhece que foi dado um primeiro passo importante nas investigações, mas afirmou que não aceita a “motivação de ódio dessas pessoas que sequer sabiam quem era Marielle direito”.

“Essa pessoa também investigou a minha vida. A mando de quem? A partir de quando? Com que interesse político?”, questionou em referência aos dois suspeitos presos.

Alvo de ameaças desde que presidiu a CPI (comissão parlamentar de inquérito) das milícias, em 2008, Freixo cobrou mais avanços no caso. “Essa pessoa faz parte de um grupo que todo mundo da área de segurança sabe que é chamado de ‘escritório do crime’, porque tem gente que mata a serviço de outros no Rio de Janeiro há anos”, afirmou.

A cobrança pelo aprofundamento das investigações também foi feita nas redes sociais e a tag #quem mandou matar” chegou a um dos assuntos mais comentados do Twitter pela manhã.

Lessa foi preso em sua casa, no condomínio de Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, onde o presidente Jair Bolsonaro também tem casa. Foram expedidos mandados de busca e apreensão em pelo menos 34 imóveis ligados à investigação.

 

Investigação da morte de Marielle

A operação batizada de Operação Buraco do Lume também apreendeu documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios, munições e outros objetos.

O GAECO/MPRJ pediu ainda a suspensão da remuneração e do porte de arma de fogo de Lessa, além de indenização por danos morais aos familiares das vítimas e a fixação de pensão em favor do filho menor de Anderson até ele completar 24 anos.

Na denúncia, as promotoras Simone Sibilio e Leticia Emile afirma que o crime foi “meticulosamente” planejado três meses antes do atentado, de acordo com o jornal Extra. “A barbárie praticada na noite de 14 de março de 2018 foi um golpe ao Estado Democrático de Direito”, escreveram. Negra, feminista, lésbica e nascida na Favela da Maré, Marielle atuava no combate à desigualdade social, racial e de gênero.

Ainda segundo o jornal, a principal prova colhida que permitiu a operação desta terça foi acessada a partir da quebra do sigilo dos dados digitais do PM.

De acordo com os investigadores, o suspeito monitorava a agenda de eventos que Marielle participava. A polícia e o MP também colheram depoimentos de informantes, inclusive presos no sistema carcerário.

O inquérito está desmembrado em duas partes. A primeira, transformada em denúncia, identifica os atiradores. A segunda, em andamento, busca os mandantes do crime. De acordo com o Extra, os investigadores sabem que havia três pessoas dentro do veículo.