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11/11/2019 10:11 -03 | Atualizado 11/11/2019 10:13 -03

Evo Morales culpa oposição por ataques violentos na Bolívia

Relatório da OEA indica fraude nas eleições. Oposição quer levar ex-presidente a julgamento.

ASSOCIATED PRESS
Após quase 14 anos de governo, Evo Morales renunciou à presidência no último domingo.

O ex-presidente da Bolívia, EvoMorales, usou as redes sociais nesta segunda-feira (11) para denunciar ataques à sua família.

Morales afirmou que a sua casa e a de sua irmã foram incendiadas e que houve ameaças de morte aos ministros de seu governo e seus filhos.

“Os golpistas que invadiram minha casa e a casa de minha irmã, incendiaram domicílios, ameaçaram de morte os ministros e seus filhos e irritaram um prefeito, agora mentem e tentam nos culpar pelo caos e pela violência que causaram. Bolívia e o mundo testemunham o golpe”, afirmou Morales.

Após quase 14 anos de governo, Evo Morales renunciou à presidência no último domingo (10). Nas últimas semanas, a Bolívia vivia uma intensa crise após o governo ser suspeito de fraudar as últimas eleições que aconteceram em outubro e reelegeram Morales em primeiro turno.

O ápice da crise se deu no domingo, após relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) revelar sérias irregularidades nas eleições. 

Na tarde do domingo, o chefe das Forças Armadas, Williams Kaliman, fez um pronunciamento pedindo a renúncia de Morales.

“Sugerimos que o presidente do Estado renuncie ao seu mandato presidencial, permitindo que a paz seja restaurada e a estabilidade mantida para o bem de nossa Bolívia”, disse o general Kaliman, comandante das forças armadas da Bolívia.

Evo Morales deixou o cargo no fim do dia. Ministros de seu governo,  o vice-presidente, Álvaro García Linera, e os presidentes da Câmara e do Senado também apresentaram a renúncia do cargo. Agora, o país vive um vácuo presidencial.

Após a renúncia, a polícia também prendeu a presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), María Eugenia Choque, e outros funcionários do governo responsáveis pela votação por suspeita de manipulação do processo. A ordem de prisão foi do Ministério Público.

ASSOCIATED PRESS
Evo Morales renuncia à presidência da Bolívia.

 

Evo Morales diz que foi vítima de um golpe de Estado

No Twitter, o ex-presidente acusou líderes opositores do governo de orquestrar um golpe de Estado.

″[Carlos] Mesa e [Luis Fernando] Camacho, discriminadores e conspiradores, entrarão na história como racistas e golpistas. Que assumam a responsabilidade de pacificar o país e garantir a estabilidade política e a coexistência pacífica de nosso povo. O mundo e os patriotas bolivianos repudiam o golpe”, escreveu.

Na rede social, Morales também disse que policiais tinham instruções para executar um mandado de prisão contra a liderança política.

No entanto, o comandante da polícia nacional informou que não há nenhuma ordem de prisão contra o ex-presidente e membros do governo.

A estratégia da oposição boliviana é levar a julgamento o ex-presidente Evo Morales. Em vídeo publicado no domingo, Luis Fernando Camacho afirmou que deve ser iniciado “processos de responsabilidade ao presidente Evo Morales, ao vice-presidente, a todos os seus ministros, absolutamente a todos, porque eles fizeram parte das mortes.”

“Comecemos julgamentos aos delinquentes do partido do governo, colocando-os presos. Amanhã [segunda] começamos os processos”, disse. De acordo com Camacho, não se trata de vingança política, mas de “Justiça divina” ao povo boliviano.

Ainda não está claro qual será o destino do ex-presidente. Desde a notícia de sua renúncia, o México ofereceu asilo ao político. Liderado pelo presidente Andrés Manuel López Obrador, o governo mexicano fez uma defesa enfática de Morales.

“Reconhecemos a atitude responsável do presidente da Bolívia, Evo Morales, que preferiu renunciar a expor seu povo à violência”, escreveu López Obrador no Twitter.

O futuro da Bolívia

Também não está claro quem assumirá o comando da Bolívia até a convocação de novas eleições.

De acordo com a lei boliviana, na ausência do presidente e do vice-presidente, o chefe do Senado assumiria provisoriamente — mas a ocupante do cargo, Adriana Salvatierra, também renunciou na noite de domingo.

Agora, a senadora de oposição Jeanine Añez se disponibilizou a ser presidente interina enquanto não há a convocação de novas eleições. 

Parlamentares devem se reunir nesta segunda-feira para aprovar uma comissão ou parlamentar que teria o controle administrativo temporário da nação, segundo um advogado constitucionalista que conversou com a Reuters.

(Com informações da Reuters.)