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10/11/2019 18:03 -03 | Atualizado 10/11/2019 18:57 -03

Evo Morales deixa presidência da Bolívia

Morales fez pronunciamento na televisão neste domingo (10) informando que deixaria o cargo após pressão das Forças Armadas.

ASSOCIATED PRESS

Neste domingo (10), EvoMorales renunciou à presidência da Bolívia após quase 14 anos de governo.

O anúncio foi feito em um pronunciamento na rede nacional de televisão. O país vivia uma crise intensa nas últimas semanas. Mais de 300 pessoas ficaram feridas nos confrontos entre apoiadores e oposição ao governo.

“Me dói muito que nos tenham levado ao enfrentamento. Enviei minha renúncia para a Assembleia Legislativa Plurinacional”, afirmou o ex-presidente. 

Além de Morales, o vice-presidente, Álvaro García Linera, e os presidentes da Câmara e do Senado também apresentaram a renúncia do cargo

Ainda, outros três ministros do governo deixaram as suas posições. 

Enquanto não se convoca novas eleições, o próximo na linha de sucessão presidencial é o presidente do Tribunal Constitucional. 

A intensificação da crise do governo se deu após relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) revelar sérias irregularidades nas eleições de outubro, cuja vitória de Morales foi colocada sob suspeita de fraude. 

Na tarde deste domingo, o chefe das Forças Armadas, Williams Kaliman, fez um pronunciamento pedindo a renúncia de Morales.

“Sugerimos que o presidente do Estado renuncie ao seu mandato presidencial, permitindo que a paz seja restaurada e a estabilidade mantida para o bem de nossa Bolívia”, disse o general Kaliman, comandante das forças armadas da Bolívia.

“Da mesma forma, pedimos ao povo boliviano e aos setores mobilizados que abandonem atitudes de violência e desordem entre os irmãos, para não manchar nossas famílias com sangue, dor e luto”, completou.

As eleições na Bolívia aconteceram no dia 20 de outubro. Evo Morales foi eleito em primeiro turno, com 47,07% dos votos. O opositor Carlos Mesa ficou na segunda posição, com cerca de 36% dos votos.

O processo de apuração dos votos, contudo, causou polêmica no país. A oposição se manifestou acusando o governo de Morales de manipular o resultado. Desde então, a Bolívia vivia dias de intensas manifestações de grupos contra e a favor ao resultado das urnas

(Com informações da Reuters.)