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10/11/2019 10:04 -03

Evo Morales diz concordar com novas eleições na Bolívia

A vitória de Morales no mês passado provocou protestos generalizados em todo o país.

ASSOCIATED PRESS
O presidente da Bolívia, Evo Morales.

O presidente da Bolívia Evo Morales concordou neste domingo (10) em realizar novas eleições presidenciais depois que um relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) encontrar sérias irregularidades durante a votação de 20 de outubro, que elegeu o líder esquerdista.

A vitória de Morales no mês passado provocou protestos generalizados em todo o país.

O relatório da OEA, divulgado no domingo, disse que a eleição de outubro deveria ser anulada depois de ter encontrado “manipulações claras” do sistema de votação, o que significava que não era possível verificar o resultado.

Morales, falando em uma conferência de imprensa em La Paz, também disse que substituirá o corpo eleitoral do país. O departamento tem sido alvo de fortes críticas após uma interrupção inexplicável da contagem de votos, que provocou amplas denúncias de fraude e levou à auditoria da OEA.

Morales, que chegou ao poder em 2006 como o primeiro líder indígena da Bolívia, defendeu sua vitória nas eleições, mas disse que seguiria as conclusões da auditoria da OEA.

A pressão no país aumentou no fim de semana, quando as forças policiais foram vistas participando de protestos contra o governo e os militares disseram que não “confrontariam o povo” sobre o assunto.

“As manipulações nos sistemas de computadores são de tal magnitude que devem ser profundamente investigadas pelo Estado boliviano para chegar ao fundo e atribuir responsabilidades neste caso grave”, afirmou o relatório preliminar da OEA.

“O primeiro turno das eleições realizadas em 20 de outubro deve ser anulado e o processo eleitoral deve começar novamente”, acrescentou a OEA em comunicado separado.

A votação deve ocorrer assim que houver condições para garantir sua capacidade de avançar, incluindo um novo corpo eleitoral composto, afirmou a OEA.

A OEA acrescentou que é estatisticamente “improvável” que Morales tenha garantido a margem de 10 pontos percentuais de vitória necessária para se eleger imediatamente.

A vitória em primeiro turno permitiu a Morales evitar um segundo turno mais arriscado contra o seu rival Carlos Mesa.

Os protestos eclodiram após o resultado, principalmente por causa de uma parada de quase 24 horas durante a contagem de votos.