ENTRETENIMENTO
26/06/2020 02:00 -03 | Atualizado 26/06/2020 16:59 -03

'Festival Eurovision da Canção' é uma tiração de sarro ou um tributo ao concurso musical?

Nunca fica clara a intenção do filme e, como resultado, acaba se tornando a única coisa que o Eurovision nunca deveria ser: chato.

Quando foi anunciado que Will Ferrell estava trabalhando em uma nova comédia baseada no Festival Eurovision, muitos fãs (inclusive eu) ficaram se sentindo um pouco desconfortáveis ​​com a coisa toda.

Olhando para os projetos que o ator havia liderado no passado - como O âncora - A Lenda de Ron Burgundy (2004) e Escorregando Para a Glória (2007) - era uma suposição justa que a sua versão do Eurovision não seria inteiramente reverente. E como o evento já é alvo de tantas piadas (principalmente aqui no Reino Unido), ele realmente precisava ser apresentado a um novo público por meio de uma lente que não o trataria com o devido respeito?

Felizmente, muitas preocupações dos devotos do Eurovision foram suprimidas quando Will começou a falar sobre sua própria paixão pela competição musical, tendo sido apresentado a ele por alguns parentes suecos há quase 20 anos.

No mês passado, ele disse ao apresentador Graham Norton: “Uma noite, uma prima sugeriu que assistíssemos [o Eurovision] e ficamos vendo por três horas seguidas. Fiquei de queixo caído. Não podia acreditar no que estava assistindo. Foi a coisa mais louca que eu já vi. Tudo o que vocês veem - o espetáculo, o humor - foi inebriante.”

Ele também disse que sua equipe sentiu que “deviam isso ao Eurovision e aos fãs”, de modo que todos os sinais realmente apontaram para o acerto da equipe - principalmente depois que o público teve uma primeira amostra do filme com Volcano Man, um videoclipe que quase acertou a dinâmica ridícula/séria que você esperaria de uma comédia sobre o Eurovision.

 

No entanto, agora que o filme acaba de estrear - nesta sexta (26) - na Netflix, Will Ferrell foi fiel à sua palavra? Bem, mais ou menos. Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars tem alguns elementos que manterão o público feliz, principalmente em sua primeira cena, na qual Lars Erickssong (Will Ferrell) se apaixonou pelo concurso quando jovem, depois de assistir a vitória triunfante do ABBA em 1974.

Avance mais de 30 anos e o amor de Lars pelo Eurovision ainda está forte. Sua jornada ao concurso de músicas é repleta de muitos números musicais compatíveis com o histórico do evento. Embora nem todos tenham muita força depois que você já os viu. Há um ou dois que talvez os fãs queiram conferir no Spotify posteriormente.

John Wilson/NETFLIX
Will Ferrell e Rachel McAdams se apresentando em "Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars".

Há uma sequência musical específica na metade do caminho que é uma verdadeira delícia. Não vou estragar tudo para você, mas espero ver uma série de vencedores recentes e outros favoritos se unindo para realizar uma mistura tão perfeitamente alinhadas a hits como Believe, da Cher, e Ray of Light, da Madonna.

Classificá-la de brega (no bom sentido) seria pouco. Pena que os produtores decidiram imprudentemente colocar participantes fictícios no centro do palco, o que provavelmente teria funcionado melhor com concorrentes reais.

Isso resume o grande problema de Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars. Não é uma comédia centrada no Eurovision, mas uma comédia (romântica) de Will Ferrell que acontece no Eurovision.

O produto final é um filme supostamente apaixonado pelo Eurovision que leva muito tempo para realmente chegar ao concurso em si, com todos os detalhes usuais de um típico produto de Will Ferrell (humor desagradável, piadas feitas para chocar e até uma bem estranha sobre o ódio de Lars pelos americanos que dura demais). Eles poderiam ter se dedicado bem mais à competição.

Os fãs do Eurovision geralmente sabem rir do concurso, que é recheado de momentos ridículos e bobos todos os anos. Mas, evitando zombar da competição musical além de não gastar tempo suficiente comemorando o que o torna tão divertido, faz da intenção de Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars um mistério. Quem seria seu público alvo?

Elizabeth Viggiano/NETFLIX
Lars e Sigrit foram o duo islandês Fire Saga.

Como resultado, o filme não funciona nem como tiração de sarro, nem como um tributo, e acaba sendo uma coisa que a Eurovision nunca deveria ser: chato.

A maioria das brincadeiras não funciona, e você não sabe se deveria torcer para que Lars e sua colega de banda Sigrit funcionem como um casal (em grande parte porque há sugestões repetidas de que eles são realmente irmãos). Além disso... Duas horas?! É simplesmente muito longo.

Claro que, se você é muito fã do concurso, provavelmente está ansioso para ver o filme. Mas, sinceramente, se o evento cancelado deste ano deixou você precisando de um Eurovision em sua vida, provavelmente é melhor ver edições passadas disponíveis na internet ao invés de se sentar na frente da TV para se decepcionar.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.