OPINIÃO
13/09/2019 14:37 -03 | Atualizado 13/09/2019 14:37 -03

'Euphoria' é (provavelmente) a melhor série de 2019

Produção da HBO usa trilha sonora antenada, roteiro esperto, direção criativa e fotografia estonteante para falar sobre e para adolescentes.

Séries sobre adolescência existem aos montes, mas poucas possuem o real espírito do sujeito que retratam. Euphoria é uma delas. Assim como qualquer adolescente médio, a produção da HBO não tem medo de arriscar. De ser até “irresponsável”.

Criador, roteirista e diretor (de alguns dos melhores episódios) de Euphoria, Sam Levinson retrata com rara beleza, honestidade e profundidade a angustiante experiência de crescer em uma era dominada pela cultura da internet e das redes sociais.

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Jules e Rue: toda forma de amor.

A série mostra Indivíduos que conhecem apenas uma realidade, em que o público e o privado se transformaram em um único organismo. Um parasita que se alimenta da seiva da personalidade dos personagens, deixando-as ocos e ávidos por preencher esse vazio, seja com drogas, sexo ou violência.

Por mais distintos que sejam uns dos outros, Rue (Zendaya), Jules (Hunter Schafer), Nate (Jacob Elordi), Maddy (Alexa Demie), Kat (Barbie Ferreira), Cassie (Sydney Sweeney) e McKay (Algee Smith) têm todos algo em comum. Eles ainda não sabem quem são. Quanto mais o que querem ser! 

É como se estivessem vendados em uma sala escura, tateando seu caminho em direção à luz. E que nesse lugar pudessem ter as resposta para as questões que os afligem. Principalmente a noção do quanto devem ser eles mesmos e do quanto devem entregar um personagem, ser quem projetam ser.

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Kat descobre um jeito de se sentir empoderada.

Por tratar de forma crua as drogas e o sexo - para a violência ninguém liga, não é -, Euphoria foi muitas vezes rotulada como uma obra que provoca pelo puro desejo de ser “polêmica”. Quem diz isso, ou simplesmente não viu a série, ou não entendeu absolutamente nada.

A trama conta o dia a dia de um grupo de adolescentes em um típico subúrbio de classe média americano. Rue, a narradora da história, tem problemas com drogas, mas passa a tentar largar o vício quando conhece Jules, uma garota trans que acabou de se mudar para a cidade e por quem se apaixona.

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Cassie e a objetificação da mulher.

Nate é o astro do time de futebol americano que tem uma relação doentia com sua “namorada troféu” Maddy. Cassie é desejada por todos, mas se apaixona sempre pelos “caras errados”. Seu namorado da vez é McKay, um cara que, ao entrar na faculdade, percebeu que não é a última bolacha do pacote. Já Kat, que sofria por seu gordinha, acaba descobrindo uma forma um tanto sombria de se sentir empoderada.    

Euphoria é uma das obras mais sensíveis e tocantes da última década na TV americana e todo adolescente deveria assisti-la. Nunca se perde ao lidar com os mais variados temas, como depressão, ansiedade ou sexualidade de forma sincera e poética. É uma série que fala sobre a para adolescentes com propriedade utilizando um combo irresistível, com trilha sonora antenada, roteiro esperto, direção criativa e fotografia estonteante.