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30/04/2019 19:17 -03 | Atualizado 30/04/2019 19:26 -03

EUA pressionam aliados de Maduro: 'Protejam a Constituição ou afundem com o barco'

Assessor de Segurança Nacional, John Bolton, afirmou que "todas as opções estão na mesa".

ASSOCIATED PRESS

O assessor de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, usou o Twitter para pressionar os aliados de NicolásMaduro a deixarem o poder nesta terça-feira (30). 

Em mensagem direta aos representantes das Forças Armadas Vladimir Padrino e Ivan Hernandez, e ao presidente do Tribunal Superior de Justiça, Maikel Moreno, Bolton afirmou que esta era a ”última chance”. 

“Aceitem o Presidente Interino Guaidó, protejam a Constituição e removam Maduro, e nós tiraremos vocês de nossa lista de sanções. Fiquem com Maduro e afundem com o barco”, escreveu Bolton. 

Em entrevista coletiva na Casa Branca, Bolton afirmou que os Estados Unidos defendem uma “transição pacífica de poder”, mas disse que “todas as opções estão na mesa” quando foi questionado sobre a possibilidade de intervenção dos militares americanos no país.

A pressão contra os aliados de Maduro também ganhou força na área econômica. Em uma tentativa de colaboração com Guaidó, os EUA anunciaram que vão diminuir as sanções econômicas para os governos que apoiarem o presidente autoproclamado.

De acordo com o comunicado do Departamento do Tesouro americano, “o caminho para alívio de sanções individuais e de entidades ligadas ao antigo regime de Maduro, incluindo instituições como a PdVSA [empresa petrolífera venezuelana], é mudar o comportamento mediante o apoio a um líder venezuelano democraticamente eleito e àqueles que buscam a restauração da democracia”. 

Mais cedo, o presidente americano Donald Trump usou o Twitter para ameaçar Cuba. Segundo Trump, se as tropas cubanas interferirem na Venezuela haverá um “embargo total e completo” à ilha.

″[...] juntamente com as sanções de mais alto nível, o embargo será imposto à ilha de Cuba. Espero que todos os soldados cubanos retornem rápida e pacificamente à sua ilha!”, escreveu em seu perfil.

Em entrevista a CNN, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou que Maduro estava pronto para sair do país nesta terça-feira, mas foi convencido a ficar pela Rússia. 

“Ele tinha um avião na pista, estava pronto para partir esta manhã até onde sabemos e os russos indicaram que ele deveria ficar...ele estava indo para Havana”, disse Pompeo. 

Os países que fazem parte do Grupo de Lima se reuniram por teleconferência para discutir a situação da Venezuela.

Representantes dos governos de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colombia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguay, Perú e Venezuela expressaram apoio ao “processo constitucional e popular empreendido pelo povo venezuelano e liderado por Juan Guaidó para recuperar a democracia e rechaçam que o processo seja qualificado como um golpe de Estado”. 

Entenda as manifestações na Venezuela

Juan Guiadó e Leopoldo López, líder oposicionista que estava em prisão domiciliar, convocaram a população às ruas na madrugada desta terça.

Guaidó afirmou que conta com apoio de militares dissidentes para retirar o ditador Nicolás Maduro do poder.

Maduro, entretanto, disse que conversou com chefes das Regiões de Defesa Integral (Redi) e das Zonas de Defesa Integral (Zodi) e que eles lhe garantiam “lealdade ao povo, à Constituição e à Pátria”.

Há registros de confrontos na capital entre os oposicionistas e os militares pró-Maduro. Imagens da televisão venezuelana mostram um carro blindado da Guarda Nacional, do regime de Maduro, atropelando manifestantes.

Até o fechamento deste texto, 71 pessoas haviam sido feridas durante os confrontos.

Galeria de Fotos Guaidó convoca manifestantes e há confrontos em Caracas, na Venezuela Veja Fotos