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03/02/2020 15:57 -03

Mantido na Casa Civil esvaziada, Onyx receberá atribuições a 'conta-gotas'

Ministro seguirá na pasta por 'dívida' de campanha e amizade com Bolsonaro. Agora coordenará grupo interministerial de ações sobre coronavírus.

Adriano Machado / Reuters
Onyx Lorenzoni em seu gabinete, no Palácio do Planalto, na última sexta (31). 

Após dias na frigideira do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni permanece no governo, ainda que em uma pasta esvaziada. Sem o PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), que era o que lhe restava após já ter perdido, em junho passado, a articulação jurídica e a Subchefia para Assuntos Jurídicos, Onyx terá agora atribuições cedidas a “conta-gotas” pelo chefe. 

A partir desta segunda, ele assume a coordenação do grupo interministerial que está tratando das ações sobre coronavírus. Onyx também está à frente das discussões de reestruturação do Bolsa Família, ao lado do Ministério da Cidadania, e do voucher creche, com o Ministério da Educação. 

Em entrevista à Rádio Gaúcha na manhã desta segunda (3), o ministro amenizou a perda de poder dentro do Palácio do Planalto. “Antes de achar que perdeu isso e aquilo, por que não olha as tarefas que sempre teve historicamente a Casa Civil? Toda a definição de mérito de qualquer projeto de governo passa pela Casa Civil, na Subchefia de Acompanhamento de Assuntos Governamentais. É uma estrutura gigantesca que nós temos aqui”, disse Onyx.

Ao ser questionado se estaria “sofrendo um ataque especulativo”, o ministro respondeu que “a função da Casa Civil é de proteção absoluta do presidente”.

Reuters Photographer / Reuters
Bolsonaro sente que tem por Onyx uma “dívida de gratidão” por ter chegado à eleição.

Embora seja essa a dinâmica a ser adotada ao menos pelos próximos dias, Onyx ficou por um motivo maior: o mandatário sente que tem por ele uma “dívida de gratidão” por ter chegado à eleição. Ainda 2017, quando ninguém acreditava em Bolsonaro presidente,  o então deputado já apoiava o agora chefe em sua empreitada. Foi o primeiro a apostar e nunca saiu do lado de Bolsonaro, de quem é amigo de longa data. 

Essa amizade foi cobrada e lembrada. O ministro fez chegar recados disso por interlocutores ainda na sexta (31), dia em que retornou de férias a Brasília antecipadamente para tentar amenizar a crise que se formou em sua pasta na semana passada.

O presidente não havia esquecido de sua dívida, mas sofreu enorme pressão de pessoas de dentro do governo que não simpatizam com Onyx por sua derrubada. No sábado (1º), quando ambos tiveram a primeira oportunidade de conversar a sós, o clima já estava pacificado e sequer se falou em saída do amigo da pasta. 

A crise na Casa Civil foi desencadeada com a situação do ex-secretário executivo da pasta Vicente Santini. Ele acabou demitido por usar um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para se deslocar até Davos e para a Índia, onde estava substituindo o ministro. 

Bolsonaro chamou a situação de “inadmissível” e a atitude de “completamente imoral”, embora reconhecendo que não é ilegal. Levantamento do HuffPost publicado na última quarta (29) mostrou que, em 2019, os ministros de Bolsonaro utilizaram o serviço da Força Aérea mais de mil vezes, inclusive para 37 viagens internacionais. Ele, contudo, acabou realocado como assessor especial da Secretaria de Relacionamento Externo da pasta, onde ganharia cerca de R$ 400 a menos - um salário de mais de R$ 17 mil. 

A situação, porém, serviu apenas como “bode expiatório”, avaliaram ao HuffPost interlocutores. A PPI na Economia é uma reivindicação antiga de Guedes que, segundo interlocutores, ameaçou recentemente deixar o governo caso não fosse atendido. Sob seu comando, uma das possibilidades é que o programa seja dirigido pelo atual secretário de Desestatização, Desinvestimento e Mercados da pasta, Salim Mattar.