ENTRETENIMENTO
14/01/2020 15:22 -03

10 grandes filmes de 2019 que foram esnobados pelo Oscar

Selecionamos algumas das maiores injustiças cometidas pela Academia na 92ª edição do prêmio.

É verdade que mesmo uma premiação gigante como o Oscar não consegue contemplar tudo o que de melhor aconteceu no cinema mundial no ano, mas a Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood é famosa por esnobar grandes filmes, e em sua 92ª edição não foi diferente.

Além de trazer suas surpresas de praxe, a lista dos finalistas do Oscar 2020 esnobou grandes filmes de 2019, que mereciam mais reconhecimento. 

Separamos aqui 10 deles. E aí, concorda?

Monos

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Mesmo com o Prêmio do Juri do festival de Sundance e com padrinhos poderosos como os diretores mexicanos (ambos vencedores de Oscar) Guilhermo Del Toro e Alejandro González Iñárritu, Monos não conseguiu avançar nem para a pré-lista da categoria Filme Internacional. Uma grande injustiça com mais um excelente filme colombiano, país que vive um boom cinematográfico na última década.
Sinopse: Um grupo de oito jovens se diverte no que parece um acampamento de férias em uma área da floresta amazônica na Colômbia. Porém, logo descobrimos que eles são, na realidade, soldados com duas missões bem específicas. Cuidar de uma vaca e de uma refém americana. Porém, quando eles acidentalmente matam a vaca, fogem para o meio do mato e lá vivem experiências surreais.

Atlantique

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Outro filme premiado e muito prestigiado que não avançou para a lista final de Filme Internacional e que não merecia ser descartado foi Atlantique. Ainda mais por se tratar de um filme de estreia tão bom da francesa (de origem senegalesa) Mati Diop, que ganhou o Grand Prix em Cannes, terceiro prêmio em importância do mais prestigiado festival de cinema do mundo.
Sinopse: Prometida em casamento para um homem que ela não ama, Ada (Mame Bineta Sane), de 17 anos, está apaixonada por Souleimane (Ibrahima Traoré), um jovem pedreiro que trabalha na construção de um arranha-céu em Dakar, capital do Senegal. Porém, Souleimane e seus colegas não recebem salário há meses e, no desespero, acabam decidindo emigrar para a Espanha em uma precária balsa. Devastada com o sumiço de seu amado, Ada resolve se casar com Omar (Babacar Sylla), mas um incêndio criminoso adia o casamento, e o culpado pode ser Souleimane. Pelo menos é isso que a polícia imagina.

Retrato de uma Jovem em Chamas

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Se já foi frustrante não ver Atlantique entre os finalistas de Filme Internacional, a decepção com a ausência de Retrato de uma Jovem em Chamas foi ainda maior. O terceiro longa da francesa Céline Sciamma, vencedor do prêmio de Melhor Roteiro em Cannes, é uma obra-prima de uma sensibilidade ímpar e com uma fotografia impressionante. Tanto que era cotado para essa categoria no Oscar também.
Sinopse: Marianne (Noémie Merlant) é uma jovem pintora na França do século XVIII que é contratada por uma mulher que quer que ela pinte um retrato de sua filha Héloise (Adèle Haenel) para poder apresentá-la a seu futuro marido na Itália. Mas Héloise se opõe ao casamento e rejeita posar para qualquer artista. Assim, Marianne finge ser uma companheira de caminhadas para poder estudá-la e pintar seu retrato à noite. No entanto, ela vai ficando cada vez mais próxima de Héloise e passa a concordar com o desejo de sua modelo em não se casar com um estranho.

Jóias Brutas

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Muita gente que ainda não viu Joias Brutas - que por aqui estreia no dia 30 de janeiro na Netflix - torce o nariz para Adam Sandler por puro preconceito. Sua atuação aqui é tão boa que ele foi, sim, cotado como um nome forte para o Oscar de Melhor Ator. O problema é que o ano de 2019 foi fortíssimo na categoria e ele acabou ficando de fora. Uma pena, porque sua atuação é impressionante e o filme dos irmãos Safdie merecia maior atenção da Academia.
Sinopse: Dono de uma loja de joias em Nova York, o viciado em jogo Howard Ratner (Adam Sandler) tem a grande chance de sanar suas dívidas quando recebe uma rara opala africana na primavera de 2012. O astro da NBA Kevin Garnett (interpretando ele mesmo) se interessa pela pedra, mas Howard quer leiloá-la para poder ganhar mais dinheiro. O problema é que a obsessão de Garnett, seus cobradores e a incrível tendência de Howard à autossabotagem podem botar tudo a perder. 

A Vida Invisível

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Outro grande esnobado de Filme Internacional foi o brasileiro A Vida Invisível, vencedor da mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes. Depois que o filme do cearense Karim Aïnouz não entrou na pré-lista da categoria, a escolha de A Vida Invisível no lugar de Bacurau (outro filme premiado em Cannes) foi questionada, mas a realidade é que a produção era premiada, tinha a participação uma atriz famosa internacionalmente (Fernanda Montenegro) e o aval da gigante Amazon, que distribuiu o filme nos Estados Unidos. A América Latina merecia ter um representante e este poderia muito bem ser A Vida Invisível.
Sinopse: No Rio de Janeiro da década de 1950, as inseparáveis Eurídice (Carol Duarte) e Guida (Julia Stockler) têm sonhos bem distintos. Eurídice, o de se tornar uma pianista profissional e Guida, o de viver uma grande história de amor. Mais impulsiva, Guida se apaixona por um marinheiro grego e foge com ele para a Grécia. Meses depois, ela volta desiludida e grávida para o Rio, mas seu pai conservador se recusa a recebê-la e diz que sua irmã foi para Viena seguir seu sonho. Na verdade, Eurídice ainda estava no Rio, mas se mudou da casa dos pais porque casou. Assim, as duas irmãs passam anos separadas, mesmo vivendo na mesma cidade. Sozinhas, elas irão lutar para tomar as rédeas dos seus destinos em uma sociedade extremamente machista ao mesmo tempo em que nunca desistem de se reencontrar.

Nós

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Filmes de terror ainda sofrem muito com o preconceito da Academia, mas o diretor Jordan Peele já tinha derrubado essa barreira com seu primeiro longa, Corra! (2017). A questão é que Nós é um projeto mais ousado e hermético e sofreu muito por ter sido lançado já em março de 2019 e sua repercussão esfriou muito. A injustiça maior mesmo foi com Lupita Nyong’o, que está incrível no filme e era uma das boas apostas para Melhor Atriz. 
Sinopse: A família Wilson, constituída por Gabe (Winston Duke), Adelaide (Lupita Nyong’o) e seus filhos Zora (Shahadi Wright Joseph) e Jason (Evan Alex) resolve passar um fim de semana em uma casa de praia. Tudo ia muito bem até que em uma noite a casa é invadida por estranhos que, para a surpresa dos Wilson, são versões diferentes (e sombrias) deles mesmos.

Fora de Série

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A estreia da atriz Olivia Wilde na direção surpreendeu muita gente. Fora de Série traz algumas ótimas cenas e soluções criativas em um subgênero com fórmulas tão batidas como os “filmes de escola”. Mas o filme sofreu com distribuição e não foi visto por muita gente. Uma pena, porque poderia ser uma alternativa a algumas categorias do Oscar, como a de Roteiro Original.
Sinopse: As amigas Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein) são duas nerds muito dedicadas ao estudo que estão prestes a ir para grandes universidades. Porém, elas se dão conta que muitos jovens baladeiros e que não estavam nem aí para os estudos também garantiram sua vaguinha em faculdades de prestígio. Achando que “desperdiçaram” essa fase tão marcante da vida, elas decidem cair na festa no último dia de escola.

The Farewell

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A comédia dramática chinesa/americana tinha pelo menos duas indicações muito sólidas: Awkwafina como atriz (que venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Comédia ou Musical) e Shuzhen Zhao como atriz coadjuvante. Por que elas não entraram na lista? Um dos grandes motivos é que a produtora independente A24 não tem muita grana para campanhas. O outro talvez tenha sido do sul-coreano Parasita, que concentrou muitas vagas para um filme asiático. Ou seja, questões que não têm nada a ver com cinema. Uma pena mesmo, porque The Farewell é excelente, assim como as atuações de Awkwafina e Zhao.
Sinopse: Quando uma família de imigrantes chineses nos Estados Unidos descobre que a matriarca Nai Nai (Shuzhen Zhao) está morrendo de câncer, eles decidem não contar para ela e arranjar um casamento na China para que a família se reúna novamente e assim fazer com que os últimos dias de Nai Nai sejam felizes. Mas sua neta Billi (Awkwafina) não se conforma em manter o segredo.

As Golpistas

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Uma das apostas mais certeiras do Oscar era a indicação de Jennifer Lopez na categoria de Atriz Coadjuvante. Mas a Academia não concordou com a grande maioria dos prêmios de cinema da temporada e ela ficou de fora. Uma esnobada das grandes, já que Lopez entrega a melhor performance de sua vida e mostra uma garra impressionante como a dançarina de striptease Ramona.
Sinopse: Narrada pela ex-stripper Destiny (Constance Wu), o filme conta a história de um grupo de dançarinas de striptease de um clube que prosperava com clientes de Wall Street e sofre com a crise de 2008. Até Ramona (Jennifer Lopez), a grande estrela do local, sofre com os tempos de vacas magras. Meses depois, Destiny reencontra Ramona, que junto com uma dupla de ex-dançarinas começou a dar um golpe em clientes, dopando-os e “limpando”seus cartões de crédito.

Meu Nome é Dolemite

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dolemite

Meu Nome é Dolemite era uma das grandes apostas da Netflix, quase certa na categoria Figurino. Também não seria uma supresa tão grande se Eddie Murphy e Wesley Snipes fossem selecionados para as disputas de ator e ator coadjuvante. É verdade que as comédias não são lá muito apreciadas pela Academia, mas era esperado algum tipo de reconhecimento a Dolemite, um dos filmes mais falados de 2019. 
Sinopse: Vendedor de discos e comediante de sucesso apenas local, Rudy Ray Moore (Eddie Murphy) resolve usar lendas urbanas contadas por um bando de moradores de rua em seu novo material de comédia. Assim ele cria Dolemite, um tipo malandro que faz rimas com piadas sujas que faz muito sucesso. Aproveitando a onda, Rudy resolve fazer um filme estrelado por Dolemite, mas o universo do cinema pode ser um pouco demais para os planos dele.

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