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13/03/2019 18:00 -03 | Atualizado 13/03/2019 20:00 -03

'Meu filho correu pro hospital com machado pendurado no ombro', diz mãe de sobrevivente de Suzano

João Vitor Ramos Lemos levou machadada de autores do massacre.

Ana Beatriz Rosa/HuffPost Brasil
Sandra Regina Ramos é mãe de sobrevivente do massacre em Suzano.

O massacre em Suzano, na Grande São Paulo, deixou 10 mortos e outras 10 pessoas feridas nesta quarta-feira (13). Entre as vítimas que foram hospitalizadas, está o estudante João Vitor Ramos Lemos. Ele chegou ao Hospital Santa Maria, a 1 quarteirão da escola, com um ferimento causado por machado.

“Ele levou uma machadada. O machado ficou pendurado no ombro direito. Saiu correndo e veio direto para o hospital”, contou ao HuffPost a mãe de João Vitor, Sandra Regina Ramos.

Quando ligaram para pedir que fosse ao hospital, Sandra imaginou que se tratasse de uma torção no pé do menino. Como mora a 3 ruas do colégio, ela chegou rápido, mas se assustou ao notar a multidão nos arredores da escola.

“O que passou pela minha cabeça foi que meu filho estava morto”, disse. Ela respirou aliviada ao encontrá-lo com vida no quarto do hospital.

“Ele saiu do centro cirúrgico, está anestesiado, mas chora muito. Diz que foi uma imagem muito ruim, que foi uma cena de guerra”, afirmou Sandra. O filho relatou que os atiradores queriam mesmo matar os alunos pois disparavam contra a cabeça deles. “O alvo era quem estivesse atravessando na frente deles.”

A principal preocupação de João Vitor foi com a namorada e os amigos. A adolescente e ele se separaram na hora do tiroteio. Mas ela passa bem, segundo a mãe do estudante. 

“A gente fica com o coração partido [pelos que morreram]. Eram adolescentes de 16, 17 anos, todos amigos. Todo mundo conhece todo mundo”, ressaltou Sandra Ramos, que mora no mesmo bairro de Suzano há 50 anos.

Ela também disse que conhecia o tio de Guilherme Taucci Monteiro, um dos autores do massacre. O adolescente de 17 anos baleou o tio, Jorge Antonio de Moraes, dono de uma agência de carros, antes do tiroteio na escola Raul Brasil.

O tio desconfiou do sobrinho e quis impedi-lo de sair com armas de casa. Guilherme roubou carro da agência para ir à escola.

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