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10/04/2019 11:09 -03 | Atualizado 10/04/2019 16:47 -03

Chanceler retira embaixador do Brasil nos EUA, e aumenta influência de Olavo no governo

Tentáculos de Olavo de Carvalho na diplomacia se ampliam com a possível indicação do diplomata Nestor Forster para a embaixada.

Arthur Max/Itamaraty
Ernesto Araújo ao lado de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro e presidente da Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara dos Deputados. 

Foi oficializada nesta quarta-feira (10) a primeira mudança em cargos-chave da diplomacia brasileira fora do País. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, retirou o embaixador Sergio Amaral do comando da embaixada brasileira nos Estados Unidos ―  posto mais importante no exterior.

Amaral irá para a representação do Itamaraty em São Paulo. As mudanças constam no Diário Oficial da União desta quarta, mas o ato administrativo foi assinado na última sexta-feira, 5.

O embaixador tem até 60 dias para deixar o posto, depois a representação ficará sob o comando de Fernando Pimentel, encarregado de negócios, até que seja aprovado o novo nome. O próximo embaixador precisará receber o agrément do governo Trump e ser aprovado pelo Senado brasileiro após sabatina.

A mudança foi anunciada no momento em que o vice-presidente Hamilton Mourão está em Washington e sua visita tem sido considerada um contraponto a Bolsonaro, por ter se alinhado a moderados.

A decisão do ministro, no entanto, já era esperada desde o início do governo com o protagonismo dado à relação com os Estados Unidos nesta nova gestão. Houve expectativa de que o anúncio da mudança ocorresse na visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, em meados de março. 

Desde então a probabilidade é que a embaixada seja entregue ao diplomata Nestor Forster, que serve em Washington. Ele tem se destacado no relacionamento com o governo americano.

Forster foi quem apresentou Ernesto Araújo a Olavo de Carvalho, e tem o aval do guru ideológico do governo. Foi Forster quem organizou o jantar na embaixada, durante a visita de Bolsonaro, que reuniu Olavo, o ex-estrategista de Trump Steve Bannon, e nomes da direita americana.

O diplomata também sugeriu que, durante o encontro entre Bolsonaro e o presidente Donald Trump, os líderes trocassem camisetas das seleções de futebol, e que Bolsonaro visitasse o Cemitério Nacional de Arlington ao invés do Memorial Nacional da Segunda Guerra.

A indicação de Araújo para o Itamaraty também partiu de Olavo, que é próximo aos filhos de Bolsonaro, especialmente Eduardo (PSL-SP), deputado que preside a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. O próprio guru chegou a ser cogitado para o posto, mas a possível indicação foi enterrada antes mesmo da posse de Bolsonaro. 

Outro nome que já foi ventilado para o cargo é o do advogado Murillo de Aragão, da Arko Advice. Ele tem boa relação com a ala militar do Planalto.

Em entrevista ao jornalista Datena, na Band, em março, no entanto, o presidente Jair Bolsonaro sugeriu que poderia escolher uma opção mais “caseira”.

“Já inclusive propuseram, acham que eu posso indicar o meu filho Eduardo, que fala duas línguas, que tem um amplo conhecimento de mundo, para ser embaixador nos EUA”, afirmou Bolsonaro. “Eu disse: ’Ó, a gente vai apanhar de graça da imprensa. Então vamos, por enquanto, não discutir esse assunto”, completou, como mostra o vídeo abaixo (a partir do minuto 15).

 

De saída

Amaral estava em Washington desde 2016. Entre os destaques de sua carreira, está a condução da negociação da dívida externa brasileira no Comitê de Credores e no Clube de Paris. Ele também foi porta-voz e ministro da Indústria e Comércio no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Na terça-feira (9), Araújo fez outra alteração em sua equipe. Trocou o comando da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), órgão vinculado ao ministério, pela segunda vez este ano. Araújo exonerou o embaixador Mário Vilalva, que substituia Alex Carreiro, demitido em 9 de janeiro, pelo Twitter pelo chanceler.