OPINIÃO
04/11/2019 19:11 -03 | Atualizado 04/11/2019 21:04 -03

'Éramos Seis' conclui primeira fase e supera expectativas

Novela é soma de várias qualidades: produção irretocável, direção precisa, elenco, trilha sonora primorosa, entre outros.

Raquel Cunha /TV Globo
A bonita sequência na praia: Glória Pires e Antônio Calloni com Maju Lima, Xande Valois, Davi de Oliveira e Pedro Sol Victorino.

A novela Éramos Seis encerrou nesta segunda-feira (4) a sua primeira fase — na qual os filhos da protagonista Lola (Glória Pires) eram crianças — superando todas as expectativas. Antes da estreia, muito se especulou sobre as possíveis alterações que a adaptadora Ângela Chaves faria sobre o texto-base: a novela de Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, levada ao ar anteriormente em duas ocasiões, 1977, pela TV Tupi, e 1994, pelo SBT.

Os mais afoitos eram os fãs da novela do SBT — a versão mais recente, com Irene Ravache como Lola — ávidos por comparações com a obra que guardam na memória afetiva. O foco era o anúncio de que a Lola de Glória Pires seria menos submissa que as anteriores a fim de atender a demanda dos tempos atuais. Bobagem. Não apenas porque nem cabe esse tipo de comparação, mas, principalmente, porque a personagem pouco mudou.

Na realidade, o grande mérito está na interpretação de Glória Pires. A Lola da Globo não faz mais cara de coitadinha e tem a voz mais firme, mas ainda treme diante dos destemperos do marido intransigente e não consegue lhe cobrar as noitadas de bebedeira. Lola é menos submissa, mas de uma forma muito sutil, uma marca que só uma grande atriz como Glória Pires poderia imprimir. 

A Lola da Globo é a dosagem perfeita da personagem de época que atende os tempos atuais sem soar anacrônica.
Reprodução/TV Globo
Glória Pires, Pedro Sol Victorino e Antônio Calloni

Em sua defesa, ainda ressalto que a protagonista da versão da Globo é atemporal, nem tão submissa aos olhos de hoje, nem tão anacrônica para a década de 1920. É a dosagem perfeita da personagem de época que atende os tempos atuais sem soar anacrônica. O acerto de interpretação se deve muito também ao texto de Ângela Chaves e à direção de Carlos Araújo e sua equipe. 

O fato é que, muito mais do que essas demarcações históricas, a Lola de Glória Pires carrega a essência da heroína do livro de Maria José Dupré: a mulher ao mesmo tempo terna e defensora do lar. No final das contas, foram assim também Nicette Bruno em 1977 e Irene Ravache em 1994. 

Outros atores de destaque na primeira fase foram Antônio Calloni, como o patriarca Júlio, e Eduardo Sterblitch e Maria Eduarda Carvalho, como o divertido casal Zeca e Olga. Para além da química em cena, Sterblitch e Eduarda são exatos nos tempos de comédia, transitando suavemente entre o humor ingênuo e o histrionismo. De novo, mérito dos atores, texto e direção.

César Alves / TV Globo
Eduardo Sterblitch e Maria Eduarda Carvalho, ótimos na química em "Éramos Seis".

O elenco infantil fez bonito e vai fazer falta na nova fase. Os personagens com mais ação tiveram intérpretes à altura: Alfredo, na pele do ótimo Pedro Sol Victorino, e Carlos e Inês, vividos pelos jovens e já experientes em televisão Xande Valois e Gabriella Saraiva, formando um adorável par romântico juvenil.

Éramos Seis é a soma de várias qualidades: a produção irretocável, a direção precisa, o elenco, o texto, a edição, a fotografia, a estética e a trilha sonora primorosa, escolhida a dedo.

Tudo de muito bom gosto e com o apelo exato para alcançar todos os públicos e emocionar. Um biscoito fino que a Globo oferece para o início de noite.

PS: Excepcionalmente, no capítulo desta segunda, a abertura da novela foi embalada pela música Linda Flor, com Fafá de Belém. A música-tema continuará sendo a de sempre (uma composição de Victor Pozas e Rafael Langoni), porém, de acordo com a Globo, com uma sutil alteração: um piano, que não havia, e a percussão mais presente.

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