OPINIÃO
30/09/2019 20:34 -03 | Atualizado 30/09/2019 20:46 -03

Elenco afinado e apuro estético marcam excelente estreia de 'Éramos Seis'

Chamou a atenção nessa estreia o ritmo da narrativa - foi um capítulo que prendeu, do início ao fim.

Raquel Cunha/TV Globo
Lola (Glória Pires), Júlio (Antonio Calloni) e os filhos na nova novela das 6 da TV Globo.

A Globo se esmerou para a produção de Éramos Seis, novela que estreou nessa segunda (30). Não é para menos: Silvio de Abreu - o todo-poderoso das novelas da Globo - foi um dos adaptadores (com Rubens Ewald Filho) da versão na qual esse novo texto é baseado, levada ao ar primeiro pela TV Tupi, em 1977, e depois pelo SBT, em 1994. A adaptação cabe agora a Ângela Chaves, que prometeu pequenos ajustes, mas manter-se fiel à emoção do texto original.

Logo no primeiro capítulo, a protagonista Lola, vivida por Gloria Pires, sofreu: com o marido Júlio (Antonio Calloni), com o filho rebelde Alfredo (Pedro Sol Victorino) e com a vizinha amarga, que reclama da conta fiada e de seu filho, que lhe quebra as vidraças. O apelo de Éramos Seis está justamente no rosário de martírios de Lola, que todos conhecem do livro (leitura no Ensino Fundamental), das novelas anteriores, ou de alguma Lola que conheceu pela vida: a mãe, a avó, uma tia, uma vizinha.

Reprodução
Júlio (Antonio Calloni) e família na trama de "Éramos Seis".

Porém, é preciso deixar claro: esta é uma nova novela. A seu favor estão os 25 anos que a separam da última versão, o novo elenco e a produção requintada.

Há um apuro técnico e estético, em luz e tomadas, que confere um clima nostálgico à produção. Chamou a atenção nessa estreia o ritmo da narrativa - foi um capítulo que prendeu, do início ao fim - o modo original (pelo menos em novelas) de intercalar as cenas na edição, a trilha sonora bonita, e a direção como um todo.

A direção de elenco também merece ser destacada: elenco mirim coeso (Alfredo proporcionou as melhores cenas), Gloria Pires e Antonio Calloni honrando o peso de seus personagens, Maria Eduarda Carvalho e Eduardo Sterblitch formando um casal cômico que promete, e Kelzy Ecard, como Dona Genu, outra ótima escalação para uma das melhores personagens da trama.

A autora Ângela Chaves prometeu contar essa história com a mesma emoção que encantou o público de gerações passadas. A novela tem apelo universal. A produção caprichada, pelo visto, ajudará bastante. Que venham os próximos capítulos e os demais personagens e seus dramas tão humanos.

Nilson Xavier assina esta coluna no HuffPost. Siga nosso colunista no Twitter e acompanhe seus melhores conteúdos no site dele. Também assine nossa newsletter aqui com os melhores conteúdos do HuffPost.