ENTRETENIMENTO
18/09/2019 02:00 -03

Globo lança 'Éramos Seis': O que esperar da nova novela das seis

"As mulheres são a força motriz da história", explica novelista responsável pelo texto do remake.

Divulgação/TV Globo /Reginaldo Teixeira
Gloria Pires e Susana Vieira estrelam remake de "Éramos Seis", que estreia no próximo dia 30.

A TV Globo lançou nesta semana sua próxima produção das seis horas, Éramos Seis, adaptação da novela originalmente escrita por Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho (já gravada pela TV Tupi, em 1977, e SBT, em 1994), por sua vez inspirada no romance de Maria José Dupré, publicado em 1943. A trama, uma saga familiar, atravessa as décadas de 1920 a 1940.

O lançamento foi na suntuosa Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, no Flamengo, Rio de Janeiro, um casarão de arquitetura neoclássica francesa, datado de 1920, espaço que faz voltar ao tempo, muito apropriado para o evento. Estiveram presentes, além de jornalistas, colunistas e repórteres da mídia em geral, a maioria do elenco, o diretor artístico Carlos Araújo e seus diretores, a autora Ângela Chaves e seus roteiristas, além de membros da equipe da novela.

A festa foi embalada pela banda Clusters Sisters, caracterizada como músicos da década de 1920. A banda também faz parte da novela: músicos e cantoras animam o núcleo do cabaré da trama. Na festa, interpretaram músicas da trilha sonora, com destaque para versões de época para hits modernos, como Bad Romance (Lady Gaga) e Bang (Anitta).

Divulgação/TV Globo /Reginaldo Teixeira
Clusters Sisters embalam lançamento de "Éramos Seis" no Rio.

Além da autora Ângela Chaves e do diretor Carlos Araújo, conversei com os atores Simone Spoladore, Maria Eduarda Carvalho, Kelzy Ecard, Kiko Mascarenhas, Carol Macedo e Jhona Burjack, que falaram de seus personagens, da expectativa pela estreia e das alusões às versões anteriores da novela e ao livro. Eles foram unânimes em reverenciar os intérpretes anteriores de seus personagens e estão cientes da expectativa do público saudosista que guarda a novela (de 1977 ou de 1994) em sua memória afetiva.

Como não poderia ser diferente, Glória Pires e Susana Vieira foram as mais assediadas pela imprensa, sempre rodeadas de jornalistas, fotógrafos, câmeras, telefones celulares, gravadores e microfones. O máximo que consegui de Glória foi um autógrafo em minha edição do livro Éramos Seis, da coleção Vaga-lume (que guardo desde a adolescência, nos anos 1980). De Susana, ouvi uma pérola que ela soltou para os jornalistas: “Se eu tenho 50 anos de Globo, então tem pelo menos 50 novelas para reprisar!”.

No material de divulgação da novela, o diretor artístico Carlos Araújo usa palavras bonitas para definir a trama:

“É a saga de uma família através do tempo, que acompanhamos por três décadas. Uma trama emocionante justamente porque traz conflitos humanos universais, que podem ser entendidos por todos. Para contar essa história, somos guiados pelo afeto, que conduz a vida.”

As chamadas veiculadas na programação, com narração de Glória Pires, passam exatamente isto: o afeto familiar que une as pessoas — talvez a essência do livro de Maria José Dupré. 

As mulheres são a força motriz da história. Havia regras e costumes mais opressores às mulheres, convenções e barreiras a serem transpostas.

Ângela Chaves reforça o que já havia me falado em entrevista anterior — publicada aqui no HuffPost — e o que mais tem sido cobrada: as diferenças entre a nova versão da novela e as anteriores:

“[O público] Pode esperar mudanças em relação ao ritmo da narrativa; a novela se torna mais ágil. Mudanças na estrutura dramática, em alguns perfis e no tom da narrativa. A narrativa é mais coesa e mais amarrada. (...) Além disso, Lola, embora continue sendo uma mulher do seu tempo, está menos submissa, é mais ativa, e não é melancólica. Lola não olha pra trás, olha pra frente e vive a realidade do seu dia a dia.”

E Ângela finaliza: “É importante ressaltar que o romance foi escrito por uma mulher em 1943, Maria José Dupré, e dá voz a uma personagem feminina, dona Lola. Através da narrativa de dona Lola, do olhar dela sobre a sua vida e de seus entes queridos, vizinhos ou familiares, temos um registro do feminino da época importante. (...) As mulheres são a força motriz da história. (...) Havia regras e costumes mais opressores às mulheres, convenções e barreiras a serem transpostas. (...) Ao apresentar um olhar sobre o feminino, a novela acaba por trazer à tona debates importantes principalmente sobre a força da mulher e seu papel para manter a família, mesmo diante das adversidades”.

A nova novela estreia no próximo dia 30, uma segunda-feira.

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Reprodução/TV Globo
Elenco da primeira fase da novela.